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Capítulo 11 – Antigas sociedades africanas (Unidade 3: O Mediterrâneo e o poder dos impérios)

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Capítulo 11 – Antigas sociedades africanas (Unidade 3: O Mediterrâneo e o poder dos impérios)

Resumo completo

Capítulo 11 – Antigas sociedades africanas (Unidade 3: O Mediterrâneo e o poder dos impérios)

Resumo completo

1Abertura da Unidade: o Mediterrâneo e os impérios

A unidade começa com a foto de Castellammare del Golfo, um lugar bonito na ilha da Sicília, na Itália. Hoje é um ponto turístico, mas há muito tempo foi palco de guerras.

Por volta do século III a.C., a Sicília pertencia a Cartago, uma antiga cidade africana. Roma e Cartago brigaram várias vezes pelo controle do Mar Mediterrâneo, porque quem dominava esse mar dominava o comércio.

Nesta unidade você vai estudar antigas sociedades africanas (nok, Cuxe e Cartago) e também o crescimento de Roma. A ideia principal é: o Mediterrâneo era o "centro do mundo" comercial da Antiguidade.

Exemplos

  • Pergunta de abertura: Que elementos da cultura romana permanecem até hoje? Resposta possível: o alfabeto que usamos, a língua portuguesa (que vem do latim), leis, calendário, arquitetura com arcos e aquedutos.

Linha do tempo da Unidade 3

DataAcontecimento
Século IX a.C.Origens da civilização Nok e do Reino de Cuxe
814 a.C.Fundação de Cartago (data tradicional)
753 a.C.Fundação mitológica de Roma
640 a.C.Os lídios inventam a moeda
509 a.C.Fim da monarquia e início da República Romana
264–241 a.C.Primeira Guerra Púnica
218–202 a.C.Segunda Guerra Púnica
149–146 a.C.Terceira Guerra Púnica (destruição de Cartago)
Século III d.C.Fim da civilização Nok
27 a.C.Fim da República e início do Império Romano
Século I d.C.Início do cristianismo
395 d.C.Divisão do Império Romano (Oriente e Ocidente)
476 d.C.Fim do Império Romano do Ocidente

2O continente africano

A África é o terceiro maior continente do planeta (mais de 30 milhões de km²) e o segundo mais populoso (cerca de 1,3 bilhão de pessoas). Ela tem 54 países e mais de 2 mil línguas diferentes.

Isso mostra uma enorme diversidade cultural: muitos povos, crenças, hábitos e costumes diferentes convivem no mesmo continente. Os tuaregues, por exemplo, são um povo nômade (que se muda de lugar) que vive no Deserto do Saara e sobrevive do pastoreio.

A África também é o lugar onde teriam surgido os primeiros seres humanos, há cerca de 100 mil anos, e foi berço de civilizações muito antigas.

Exemplos

  • Exemplo de diversidade: em um mesmo continente existem povos nômades do deserto (tuaregues), povos das florestas e grandes cidades modernas como Lagos, na Nigéria.

2.1As duas grandes regiões: África do Norte e África Subsaariana

Uma das formas de dividir o continente é em duas grandes regiões separadas pelo Deserto do Saara, o maior deserto quente do mundo (cerca de 9 milhões de km², um pouco maior que o Brasil).

A África do Norte fica acima do Saara. Ali floresceu o Egito Antigo. Entre os séculos VII e VIII, essas terras foram dominadas por povos árabes, seguidores do islamismo. Por isso o árabe virou uma das línguas principais e a religião islâmica predomina até hoje.

A África Subsaariana fica abaixo do Saara. É a região mais populosa e com maior diversidade étnica, linguística e religiosa. Sua população é, em sua maioria, negra.

Exemplos

  • Países da África do Norte: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Saara Ocidental, Egito e Sudão.
  • Países da África Subsaariana: Nigéria, República Democrática do Congo, Camarões, Costa do Marfim e África do Sul.

Comparação entre as duas regiões

AspectoÁfrica do NorteÁfrica Subsaariana
LocalizaçãoAcima do Deserto do SaaraAbaixo do Deserto do Saara
População originalEtnia próxima aos povos do Oriente Médio (árabes)Maioria negra
Religião predominante hojeIslamismoGrande diversidade religiosa
Língua muito faladaÁrabeCentenas de línguas diferentes
Civilização antiga famosaEgito AntigoNok, Cuxe e outros reinos
Exemplos de paísesEgito, Marrocos, LíbiaNigéria, Congo, África do Sul

2.2Dificuldades e conquistas da África Subsaariana

Historicamente, fixar-se em algumas partes da África Subsaariana era difícil. A vegetação de savanas e florestas dificultava a ocupação.

Outro problema eram os vetores de doenças: a mosca tsé-tsé, que transmite a doença do sono, e o mosquito Anopheles, transmissor da malária.

Mesmo assim, vários reinos e civilizações se desenvolveram ali, criaram culturas ricas e mantiveram um comércio intenso com outros povos.

Exemplos

  • Um vetor é o ser vivo que carrega a doença de um lugar para outro. Exemplo do nosso dia a dia: o mosquito Aedes aegypti é o vetor da dengue.

2.3Os povos nômades e a ligação entre as duas Áfricas

Até o século XIX, quem ligava a África do Norte à África Subsaariana eram os povos nômades, como os tuaregues e os azenegues.

Eles viviam no Saara e conheciam os caminhos entre os oásis (pontos com água no deserto). Transportavam mercadorias em camelos e faziam comércio entre as duas regiões.

Mas eles não levavam apenas produtos: levavam também notícias, hábitos e costumes. Isso é o que chamamos de intercâmbio cultural, ou seja, a troca de cultura entre povos diferentes.

Exemplos

  • Exercício resolvido: De que maneira os povos nômades do Saara promoveram o intercâmbio cultural? Passo 1 – eles conheciam as rotas dos oásis. Passo 2 – atravessavam o deserto com camelos levando mercadorias. Passo 3 – ao negociar, também espalhavam informações, hábitos, costumes e ideias de uma região para a outra.

3Diferentes organizações sociais e políticas na África

As sociedades africanas antigas não eram todas iguais. Havia desde grupos nômades de pastores, caçadores e coletores, até grupos grandes como reinos e confederações.

Apesar das diferenças, quase todos tinham duas bases em comum: a fidelidade ao chefe e as relações de parentesco (os laços de família). A historiadora Marina de Mello e Souza explica que o grupo se mantinha unido pela autoridade de um membro, geralmente o mais velho, que sabia liderar, fazer justiça e manter a harmonia.

Abaixo você vê os quatro tipos principais de organização, do menor para o maior.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Compare os modos de organização. Aldeia = várias famílias com um chefe geral; Confederação = várias aldeias unidas, decididas por um conselho de chefes; Reino = muitas aldeias com uma capital e um rei acima de todos; Cidade-Estado = cidade murada, centro de comércio, com um chefe e auxiliares.

Tipos de organização social e política

TipoComo funcionavaQuem mandava
AldeiaForma mais comum. Reunia várias famílias; o chefe cuidava do bem-estar e recebia parte do que era produzidoChefe da aldeia + conselho com os chefes de família
Confederação de aldeiasVárias aldeias unidas e articuladas entre siConselho formado pelos chefes das aldeias
ReinoMaior e mais complexo que a confederação; tinha uma capital com riqueza, poder, alimentos e serviçosUm rei, com autoridade acima de todos os chefes
Cidade-EstadoCidade cercada por paliçadas ou muros; centro comercial com artesãos, ferreiros e tecelões; agricultores viviam nos arredoresUm chefe com poder centralizado e auxiliares para cada tarefa

3.1Palavra-chave: paliçada

Paliçada é uma espécie de cerca feita de estacas de madeira com as pontas afiadas, fincadas lado a lado no chão.

Ela era erguida ao redor da cidade ou de uma área para servir de proteção contra ataques de inimigos e de animais.

4Cartago e o controle do Mediterrâneo

Os fenícios eram um povo do Oriente Médio, famoso pela navegação e pelo comércio no Mar Mediterrâneo. Por onde passavam, fundavam colônias.

A colônia fenícia mais famosa foi Cartago, no norte da África, onde hoje fica Túnis, capital da Tunísia. Ela foi fundada entre os séculos IX a.C. e VIII a.C. (a data tradicional é 814 a.C.).

No começo era só um pequeno centro comercial. No século VI a.C. já era autônoma, e no fim do século V a.C. tinha se tornado a cidade mais rica da região, com muralhas grossas e cerca de 400 mil habitantes.

Crescimento de Cartago

PeríodoSituação da cidade
Séculos IX–VIII a.C.Fundação pelos fenícios; pequeno centro com poucas centenas de colonos
Século VI a.C.Conquista autonomia e influencia as colônias vizinhas
Fim do século V a.C.Cidade mais rica da região e maior potência comercial do Mediterrâneo
Século IV a.C.Passa a cunhar (fabricar) sua própria moeda
146 a.C.Destruída por Roma na Terceira Guerra Púnica

4.1Como Cartago era governada

No começo, Cartago era governada por uma realeza hereditária, ou seja, o cargo de rei passava de pai para filho. Entre os séculos VI a.C. e V a.C., o rei mandava na política e também era o chefe militar.

Com o tempo, os comerciantes ricos (a aristocracia) ficaram cada vez mais poderosos e o poder do rei foi enfraquecendo. Os aristocratas criaram uma corte de cem pessoas para controlar todos os órgãos do governo.

Assim, o poder passou a ser dividido com outros dirigentes, como os sufetes, governantes eleitos de tempos em tempos.

Exemplos

  • Compare: o rei herdava o cargo da família; o sufete era eleito periodicamente. Isso mostra que o dinheiro do comércio mudou a política de Cartago.

4.2Uma potência comercial

Cartago ficou rica por três motivos principais. Primeiro, a posição geográfica privilegiada: ficava no cruzamento das rotas que ligavam o norte da África, a Espanha, a Sicília e o atual Líbano.

Segundo, o declínio dos fenícios. Como a Fenícia controlava as rotas do Mediterrâneo entre os séculos XIII a.C. e IX a.C., quando ela enfraqueceu, suas antigas colônias — como Cartago — herdaram esse comércio.

Terceiro, as terras férteis que produziam grãos, azeites e uvas. Isso alimentava a cidade e ainda gerava produtos valiosos para vender.

Os cartagineses negociavam ouro, prata, ferro, bronze, estanho, tecidos e produtos agrícolas vindos da Ásia, da Europa e de outras partes da África.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Que fatores fizeram Cartago se tornar potência? 1) posição geográfica no cruzamento das rotas; 2) o enfraquecimento dos fenícios, que deixou as rotas livres; 3) terras muito férteis; 4) um porto sofisticado e uma frota poderosa.

O porto de Cartago

Parte do portoFormatoPara que servia
Parte externaNão se sabe ao certo o tamanhoAncorar os navios mercantes (de comércio)
Parte internaCircularAbrigar navios de guerra — até 220 embarcações

4.3O comércio mudo

Antes de terem moeda, os cartagineses usavam ouro para pagar suas compras e praticavam o comércio mudo: uma troca comercial feita sem conversa, sem negociação oral.

O historiador grego Heródoto descreveu essa prática por volta de 430 a.C. Funcionava assim: os cartagineses deixavam as mercadorias na praia e soltavam um sinal de fumaça. Os nativos vinham, deixavam uma quantidade de ouro e se afastavam.

Se os cartagineses achassem o ouro suficiente, levavam e partiam. Se não, esperavam nos navios até os nativos aumentarem a oferta. Ninguém enganava ninguém.

No século IV a.C., Cartago passou a cunhar sua própria moeda. As moedas de prata traziam de um lado a deusa Tanit e do outro o cavalo alado Pégaso.

Exemplos

  • Passo a passo do comércio mudo: 1) os navios chegam e descarregam as mercadorias na praia; 2) a tripulação volta ao navio e faz um sinal de fumaça; 3) os nativos descem e deixam ouro ao lado das mercadorias; 4) os cartagineses avaliam o ouro; 5) se estiver bom, pegam o ouro e vão embora; se não, esperam mais ouro.
  • Comparando o Texto 1 (Heródoto) com o Texto 2 (Pseudo-Silas): nos dois, os cartagineses chegam de navio, descarregam mercadorias em terra e trocam produtos com povos locais — no primeiro por ouro, no segundo por peles, couros e presas de elefante.

4.4A força militar de Cartago

Cartago tinha uma das maiores frotas de navios de guerra do Mediterrâneo. As embarcações eram movidas a remo e tinham um esporão (uma protuberância pontuda na frente) para furar e danificar os navios inimigos.

A cidade mantinha também um exército permanente. Até o século VI a.C. esse exército era formado pelos próprios cidadãos. Depois, Cartago passou a contratar mercenários — soldados de outros povos pagos para lutar.

Vinham mercenários da Líbia, da Numídia, da Mauritânia, da Espanha, da Gália, da Itália e da Grécia. E havia ainda uma arma especial: os elefantes, comprados no norte da África e usados para transportar soldados e avançar sobre os inimigos.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Como estava organizada a força militar de Cartago? Resposta: por uma grande frota de navios de guerra com esporão, um exército permanente, soldados mercenários recrutados em várias regiões (líbios, númidas, gregos, espanhóis) e o uso de elefantes de guerra.

Forças militares cartaginesas

ForçaCaracterística
MarinhaUma das maiores frotas do Mediterrâneo; navios a remo com esporão na proa
Exército próprioFormado por cidadãos até o século VI a.C.
MercenáriosSoldados pagos de outros povos: líbios, númidas, mauritanos, espanhóis, gauleses, italianos e gregos
ElefantesComprados no norte da África; transportavam soldados e avançavam sobre o inimigo

4.5Enquanto isso... a invenção da moeda

Quem inventou o dinheiro em forma de moeda? Segundo Heródoto, foram os lídios, povo que vivia na Anatólia (atual Turquia) e que depois foi conquistado pelos persas.

As primeiras moedas foram cunhadas provavelmente na segunda metade do século VII a.C. e eram feitas de eletro, uma liga formada pela mistura de ouro e prata.

As moedas tinham pesos parecidos, então o comerciante sabia quantas gastar em cada compra. Mas, como eram muito valiosas, não serviam para comprar qualquer coisa. O uso da moeda só se generalizou no século III a.C., quando os romanos adotaram a prática.

Exemplos

  • Uma das moedas mais antigas conhecidas é a do Reino da Lídia, da época do rei Aliates, datada entre 620 e 563 a.C.

4.6A queda de Cartago e as Guerras Púnicas

Por volta do século III a.C., surgiu uma concorrente forte: Roma, fundada na Península Itálica. As duas cidades queriam a mesma coisa — o domínio do comércio no Mediterrâneo.

A rivalidade virou guerra. Entre 264 a.C. e 146 a.C., Roma e Cartago se enfrentaram três vezes, nas chamadas Guerras Púnicas.

Roma venceu as três. Conquistou a estratégica Ilha da Sicília e virou a principal potência do Mediterrâneo, começando a expansão que criaria um enorme império.

Cartago, mesmo tendo resistido bravamente, foi totalmente destruída. Virou uma província romana e seus moradores foram levados para Roma como escravizados. Como dominavam o mar, os romanos passaram a chamá-lo de Mare Nostrum, que em latim significa Nosso Mar.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Como Cartago foi destruída e o que aconteceu com sua população? Passo 1 – Roma e Cartago disputaram o comércio do Mediterrâneo. Passo 2 – lutaram nas três Guerras Púnicas (264 a.C. a 146 a.C.). Passo 3 – Roma venceu e arrasou a cidade em 146 a.C. Passo 4 – Cartago virou província romana e seus habitantes foram escravizados.
  • Questão de vestibular (MACKENZIE): as Guerras Púnicas foram motivadas pelo domínio da Sicília e pela disputa do comércio no Mar Mediterrâneo (alternativa c).
  • Questão de vestibular (FGV): a expansão romana se consolidou com a derrota da influente Cartago, o que deu a Roma o controle do Mediterrâneo Ocidental (alternativa a).

As três Guerras Púnicas

GuerraPeríodoResultado
Primeira Guerra Púnica264–241 a.C.Vitória de Roma; domínio da Sicília
Segunda Guerra Púnica218–202 a.C.Vitória de Roma
Terceira Guerra Púnica149–146 a.C.Vitória de Roma; Cartago é destruída e vira província romana

5Nok, uma das mais antigas culturas africanas

No oeste da África, onde hoje ficam a Nigéria e partes do Níger e do Benim, desenvolveu-se há quase 3 mil anos a civilização nok. Ela começou a se formar por volta do século IX a.C., numa área fértil entre os rios Níger e Benue.

Os nok viviam em aldeias, com roças e gado. Cultivavam inhame, abóbora, dendê e sorgo (um cereal usado para fazer farinha). Com o tempo, as aldeias cresceram e ocuparam áreas vizinhas.

O mais importante: as terras dos nok eram ricas em minério de ferro, encontrado a céu aberto. Por isso eles se dedicaram à metalurgia, ou seja, a arte de derreter e moldar metais. Faziam armas, pontas de flecha e adornos como argolas para braços, pulsos e tornozelos. Essa prática se intensificou entre os séculos VI a.C. e V a.C.

Para fundir o ferro, cavavam buracos no chão de pouco mais de meio metro e faziam fornos circulares. Esses fornos provavelmente também queimavam suas famosas esculturas de terracota (barro cozido), muitas representando cabeças humanas, que podiam simbolizar um deus ou um ancestral importante.

O século III d.C. marcou o fim da cultura nok. Para alguns historiadores, povos que chegaram depois à mesma região, como os iorubás, são herdeiros dessa cultura.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Mostre a importância da cultura nok, indicando duas atividades que influenciaram outros povos. Resposta: 1) a metalurgia do ferro, que permitiu fazer armas, ferramentas e adornos; 2) a produção artística em terracota, com esculturas de cabeças humanas. Povos posteriores, como os iorubás, herdaram essas tradições.
  • Atenção na prova: é FALSO dizer que o povo nok era nômade. Eles eram sedentários, viviam em aldeias, praticavam agricultura, arte e metalurgia. Também é FALSO dizer que os nok só dominavam a cerâmica — eles dominavam a metalurgia do ferro.

Ficha da civilização Nok

ItemInformação
Onde ficavaOeste da África: atual Nigéria, parte do Níger e do Benim
QuandoDo século IX a.C. até o século III d.C.
GeografiaÁrea fértil entre os rios Níger e Benue
Alimentos cultivadosInhame, abóbora, dendê e sorgo
Grandes marcasMetalurgia do ferro e esculturas em terracota
Herdeiros possíveisOs iorubás

6O Reino de Cuxe

A região da África entre o Egito e o Sudão é chamada, desde tempos remotos, de Núbia. Na Antiguidade, ela ficava na rota das caravanas de comerciantes que cruzavam o continente levando artigos de luxo, como plumas, pedras preciosas e marfim.

No século IX a.C., formou-se ali um Estado centralizado: o Reino de Cuxe. Seus primeiros reis descendiam de antigos chefes locais que tinham se fortalecido e se imposto sobre os demais.

6.1Napata e a influência egípcia

Uma das principais cidades cuxitas era Napata, ponto de parada das caravanas. Ali os comerciantes descansavam e se abasteciam antes de seguir viagem.

Como ficava perto do Egito, Napata tinha muitos egípcios, e eles influenciaram os costumes locais. Dois exemplos claros: a escrita dos cuxitas era a hieroglífica, de origem egípcia, e seus governantes, assim como os faraós, eram considerados divindades (deuses).

Napata também era um centro religioso. Perto dela ficava a montanha de Jebel Barkal, sagrada para egípcios e núbios, com um templo dedicado ao deus egípcio Amon.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Cite exemplos da influência egípcia sobre os cuxitas. Resposta: a escrita hieroglífica; os governantes vistos como divindades, como os faraós; o culto ao deus egípcio Amon em Jebel Barkal; e a construção de pirâmides, como as de Meroé.

6.2Cuxe domina o Egito e depois se muda para Meroé

O Reino de Cuxe cresceu tanto que, em 770 a.C., invadiu e dominou o Egito. Começou ali uma dinastia de faraós cuxitas que governou os dois reinos por mais de um século.

Em 657 a.C., os assírios invadiram o Egito e os cuxitas tiveram de voltar para suas terras. Dessa vez o poder não ficou em Napata: foi para o sul, para a cidade de Meroé.

Em Meroé, os cuxitas criaram um sistema próprio de escrita, a escrita meroítica, com 23 símbolos, lida da esquerda para a direita, usando pontos para separar as palavras. Até hoje os linguistas não decifraram completamente esse código.

Exemplos

  • Atenção na prova: é VERDADEIRO dizer que a civilização cuxita criou um sistema de escrita próprio que ainda não foi totalmente decifrado — a escrita meroítica.

As duas capitais cuxitas

CidadeLocalizaçãoImportância
NapataAo norte, perto do EgitoCentro político inicial, parada de caravanas e centro religioso (Jebel Barkal)
MeroéMais ao sulCentro político após 657 a.C., grande centro comercial, polo produtor de ferro e berço da escrita meroítica

6.3A decadência do Reino de Cuxe

Meroé era um importante centro comercial e um dos maiores produtores de objetos de ferro da África. Mas, segundo historiadores, essa produção intensa pode ter causado o próprio colapso da sociedade meroíta.

O motivo: o desmatamento. Para abastecer os fornos de fundição, derrubaram árvores sem controle, o que gerou problemas ambientais e levou à decadência do reino no início do século I d.C.

Alguns estudiosos dizem ainda que houve rebeliões da população, talvez por causa dos problemas econômicos e ambientais. Enfraquecida, a civilização cuxita acabou destruída pelo Império de Axum, outro reino africano que surgiu depois.

Exemplos

  • Exercício resolvido: Explique o papel das capitais cuxitas na economia. Resposta: Napata era ponto de parada das caravanas que cruzavam a África com artigos de luxo; Meroé era centro comercial e um dos maiores polos de produção de objetos de ferro do continente. As duas ligavam o reino às grandes rotas de comércio.

Linha do tempo do Reino de Cuxe

DataAcontecimento
Século IX a.C.Formação do Estado centralizado de Cuxe, na Núbia
770 a.C.Cuxe invade e domina o Egito; começa a dinastia de faraós cuxitas
657 a.C.Assírios invadem o Egito; os cuxitas voltam para suas terras
Depois de 657 a.C.O poder se desloca para Meroé; surge a escrita meroítica
Início do século I d.C.Decadência por problemas ambientais e rebeliões
Mais tardeDestruição pelo Império de Axum

7+Atitude: a ampla cultura africana e o perigo da história única

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie alerta para o perigo da história única: conhecer apenas um ponto de vista sobre uma pessoa, um povo ou um lugar.

Quando criança, ela só sabia que a família de Fide, um menino que trabalhava em sua casa, era pobre. Ao visitar a aldeia dele, ficou surpresa ao ver um cesto lindo feito pelo irmão de Fide. A pobreza era a história única que ela tinha sobre aquela família.

Depois, estudando nos Estados Unidos, ela virou alvo da mesma coisa: colegas duvidavam que ela soubesse falar inglês ou usar um fogão, porque só conheciam a imagem da África como lugar de guerra e fome.

Segundo a autora, a história única "rouba das pessoas sua dignidade" e enfatiza como somos diferentes, em vez de mostrar como somos semelhantes. Por isso é importante conhecer a África também por sua literatura, música, culinária, cinema, ciência e artes.

Exemplos

  • Exercício resolvido: O que é o perigo da história única? Resposta: é pegar toda a complexidade de uma pessoa ou de um povo e reduzi-la a um só aspecto, criando uma visão incompleta e preconceituosa.
  • Atividade sugerida: em grupos, pesquisar aspectos da cultura africana (literatura, música, culinária, cinema, ciência) em pelo menos dois países e apresentar em vídeos ou cartazes.

8Revisão rápida para a prova

Antes da prova, confira se você sabe explicar estes cinco pontos: aspectos do continente africano; os tipos de estrutura social da África; a civilização cartaginesa; as Guerras Púnicas; e as civilizações nok e Cuxe.

Uma dica de estudo: relacione sempre lugar + data + característica marcante de cada povo. As questões costumam misturar essas três informações.

Cuidado com as pegadinhas mais comuns: a África não ficou isolada do resto do mundo (havia comércio intenso pelo Mediterrâneo e pelo Saara desde muito antes do século VII); os nok não eram nômades; e os nok já dominavam a metalurgia do ferro.

Exemplos

  • Verdadeiro ou falso resolvido: (F) A África ficou séculos isolada e só teve contato a partir do século VII com os árabes — errado, pois Cartago, Cuxe e os povos nômades já comerciavam com a Ásia e a Europa muito antes. (V) Todas as sociedades africanas se uniam pelas relações de parentesco e pela fidelidade a um chefe. (V) A aldeia era a forma de organização mais comum. (V) Na confederação, o governo ficava a cargo de um conselho de chefes.

Quadro-resumo das três civilizações do capítulo

CivilizaçãoOndeQuandoDestaqueFim
CartagoNorte da África (atual Tunísia)Séc. IX/VIII a.C. – 146 a.C.Maior potência comercial e naval do Mediterrâneo; sufetes; comércio mudoDestruída por Roma na 3ª Guerra Púnica
NokOeste da África (atual Nigéria)Séc. IX a.C. – séc. III d.C.Metalurgia do ferro e esculturas de terracotaFim no séc. III d.C.; iorubás como herdeiros
Reino de CuxeNúbia (entre Egito e Sudão)Séc. IX a.C. – séc. I d.C.Dominou o Egito em 770 a.C.; escrita meroítica; produção de ferroEnfraquecido por problemas ambientais e destruído por Axum

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Capítulo 11 – Antigas sociedades africanas (Unidade 3: O Mediterrâneo e o poder dos impérios)

Resumo rápido

Capítulo 11 – Antigas sociedades africanas (Unidade 3: O Mediterrâneo e o poder dos impérios)

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1O continente africano

A África é o terceiro maior continente do planeta e tem enorme diversidade: são mais de 2 mil línguas faladas. Foi lá que surgiram os primeiros seres humanos e algumas das civilizações mais antigas.

O continente costuma ser dividido em duas grandes regiões pelo Deserto do Saara, o maior deserto quente do mundo.

Na África do Norte ficam Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Saara Ocidental, Egito e Sudão. Ali nasceu a sociedade egípcia. Entre os séculos VII e VIII, povos árabes dominaram a região e levaram o islamismo e a língua árabe.

A África Subsaariana fica ao sul do deserto. É a parte mais povoada, com grande variedade de povos, línguas e religiões. Savanas, florestas e doenças transmitidas por insetos (como a mosca tsé-tsé e o mosquito Anopheles) dificultaram a ocupação, mas mesmo assim surgiram reinos ricos ali.

Exemplo

  • Os tuaregues e os azenegues eram povos nômades que atravessavam o Saara com camelos, ligando o Norte à África Subsaariana e trocando mercadorias, notícias e costumes.

2Diferentes organizações sociais e políticas

As sociedades africanas antigas se organizavam de formas variadas, mas quase todas se baseavam na fidelidade a um chefe e nas relações de parentesco (laços de família). Em geral, o chefe era o mais velho e o mais respeitado.

2.1Aldeia

Era a forma mais comum. Reunia várias famílias, cada uma com seu chefe, e todos obedeciam ao chefe da aldeia. As decisões eram tomadas por um conselho formado por esses chefes.

2.2Confederação de aldeias

Várias aldeias se uniam. Os chefes de cada uma formavam um conselho para decidir os assuntos que afetavam todas elas.

2.3Reino

Sociedade maior e mais complexa. Tinha uma capital, onde morava o rei, cuja autoridade estava acima de todos os outros chefes. Na capital havia riqueza, poder e oferta de alimentos e serviços.

2.4Cidade-Estado

Cidade cercada por muros ou paliçadas (cercas de estacas pontiagudas fincadas no chão). Funcionava como centro comercial, com artesãos, ferreiros e tecelões. O poder ficava centralizado num chefe, ajudado por auxiliares.

3Cartago e o controle do Mediterrâneo

Os fenícios, povo do Oriente Médio, eram ótimos navegadores e fundavam colônias pelo Mediterrâneo. A mais importante delas foi Cartago, no norte da África (onde hoje fica Túnis, capital da Tunísia).

Fundada por volta de 814 a.C., cresceu muito: chegou a ter cerca de 400 mil habitantes e muralhas grossas. No fim do século V a.C. já era a cidade mais rica da região.

No começo era governada por reis hereditários (o poder passava de pai para filho). Depois, a aristocracia (famílias ricas do comércio) ganhou força e o poder passou a ser dividido com os sufetes, governantes eleitos de tempos em tempos.

3.1Uma potência comercial

Cartago ficava num cruzamento de rotas que ligavam o norte da África, a Espanha, a Sicília e o Líbano. Também controlava terras férteis, que produziam grãos, azeite e uvas.

No início, pagava com ouro e praticava o comércio mudo: uma troca feita sem conversa, em que cada lado deixava a mercadoria ou o ouro na praia até os dois ficarem satisfeitos. No século IV a.C., passou a cunhar sua própria moeda.

A cidade tinha um porto artificial dividido em duas partes: a externa, para navios mercantes, e a interna, circular, para até 220 navios de guerra.

Exemplo

  • Segundo Heródoto, os cartagineses deixavam as mercadorias na praia e faziam sinal de fumaça; os moradores locais deixavam ouro no lugar e ninguém enganava ninguém.

3.2A força militar

Cartago tinha uma das maiores frotas de guerra do Mediterrâneo. Seus navios a remo tinham um esporão (ponta saliente na frente) para furar navios inimigos.

Além do exército permanente, contratava mercenários, soldados de outros povos pagos para lutar (líbios, gregos, gauleses, espanhóis). Também usava elefantes para transportar soldados e avançar sobre os inimigos.

3.3A queda de Cartago (Guerras Púnicas)

A partir do século III a.C., Roma passou a disputar o comércio do Mediterrâneo com Cartago. As duas se enfrentaram três vezes entre 264 a.C. e 146 a.C., nas Guerras Púnicas.

Roma venceu as três guerras, tomou a Ilha da Sicília e virou a maior potência do Mediterrâneo. Cartago foi destruída, virou província romana e sua população foi escravizada.

Por dominarem o mar, os romanos passaram a chamá-lo de Mare Nostrum (“Nosso Mar”, em latim).

4A invenção da moeda

Segundo Heródoto, os primeiros a usar moedas foram os lídios, povo da Anatólia (atual Turquia), por volta de 640 a.C.

As primeiras moedas eram feitas de eletro, liga de ouro com prata, e tinham pesos parecidos, o que facilitava saber quanto pagar. O uso só se espalhou no século III a.C., com os romanos.

5Nok, uma das mais antigas culturas africanas

A civilização nok surgiu por volta do século IX a.C. no oeste da África, região da atual Nigéria, entre os rios Níger e Benue.

Os nok viviam em aldeias, criavam gado e plantavam inhame, abóbora, dendê e sorgo (cereal usado para fazer farinha).

Suas terras tinham muito minério de ferro a céu aberto. Por isso se destacaram na metalurgia: faziam armas, pontas de flecha e enfeites como argolas. Cavavam buracos no chão e montavam fornos circulares.

Outra marca dos nok são as esculturas de terracota (barro cozido), muitas representando cabeças humanas, talvez deuses ou ancestrais. A cultura nok acabou no século III d.C.; povos como os iorubás são considerados seus herdeiros.

6O Reino de Cuxe

Na Núbia, região entre o Egito e o Sudão, formou-se no século IX a.C. um Estado centralizado: o Reino de Cuxe. A região ficava na rota das caravanas que levavam plumas, pedras preciosas e marfim.

Sua primeira capital foi Napata, parada das caravanas e importante centro religioso, perto da montanha sagrada de Jebel Barkal, com um templo ao deus egípcio Amon.

A influência egípcia era forte: os cuxitas usavam a escrita hieroglífica e seus reis, como os faraós, eram vistos como divindades. Em 770 a.C., Cuxe conquistou o Egito e criou uma dinastia de faraós cuxitas. Em 657 a.C., os assírios invadiram o Egito e os cuxitas voltaram para suas terras.

6.1Meroé e o fim do reino

Depois, o poder passou para Meroé, mais ao sul. Lá foi criada a escrita meroítica, com 23 símbolos, lida da esquerda para a direita — ainda não totalmente decifrada.

Meroé era grande centro comercial e um dos maiores produtores de ferro da África. Mas cortar tantas árvores para alimentar os fornos pode ter causado problemas ambientais.

Esses problemas, somados a revoltas da população, enfraqueceram Cuxe no início do século I d.C. O reino foi destruído pelo Império de Axum.

7+Atitude: o perigo da história única

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie alerta para o perigo da história única: conhecer apenas um ponto de vista sobre uma pessoa ou um lugar.

Quando reduzimos alguém a um só aspecto, criamos estereótipos e tiramos a dignidade dessa pessoa. Por isso é importante conhecer a África também por sua literatura, música, arte e ciência — e não só por guerras e pobreza.

8Linha do tempo (para memorizar)

Século IX a.C.: origens da civilização nok e do Reino de Cuxe. 814 a.C.: fundação de Cartago. 753 a.C.: fundação mitológica de Roma. 640 a.C.: os lídios inventam a moeda. 509 a.C.: início da república romana.

264–241 a.C.: Primeira Guerra Púnica. 218–202 a.C.: Segunda Guerra Púnica. 149–146 a.C.: Terceira Guerra Púnica e destruição de Cartago. Século III d.C.: fim da civilização nok.

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