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Capítulo 12 – Os primeiros tempos de Roma

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Capítulo 12 – Os primeiros tempos de Roma

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Capítulo 12 – Os primeiros tempos de Roma

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1Introdução: por que estudar Roma?

Roma foi uma civilização que nasceu na Península Itálica por volta de 1000 a.C. Com o tempo, ela conquistou muitas terras e influenciou vários povos.

A língua dos romanos era o latim. Como Roma dominou grande parte da Europa, o latim se espalhou e foi mudando em cada região.

Dessas mudanças nasceram as línguas latinas (ou românicas), como o português, o espanhol, o italiano, o francês e o romeno. Ou seja: a língua que você fala hoje é uma "neta" do latim!

Neste capítulo vamos ver como Roma se formou e como virou a maior potência do Mediterrâneo por volta do século II a.C.

Exemplos

  • A sigla SPQR, que aparece em estátuas e monumentos romanos, significa em latim O Senado e o Povo Romano. Ela representava a força de Roma.
  • A palavra portuguesa escola vem do latim schola; água vem de aqua. São vestígios do latim no nosso dia a dia.

Do latim às línguas de hoje

Língua latina (românica)País onde é falada (exemplo)
PortuguêsBrasil e Portugal
EspanholEspanha e Argentina
ItalianoItália
FrancêsFrança
RomenoRomênia

2Uma cidade, duas origens

A origem de Roma pode ser contada de duas maneiras diferentes.

A primeira é a versão mítica: uma lenda, uma história contada pelos próprios romanos para explicar sua origem.

A segunda é a versão histórica: aquela construída por arqueólogos e historiadores, com base em vestígios encontrados (objetos, ruínas, documentos).

As duas versões não são iguais, mas as duas ajudam a entender Roma: uma mostra o que os romanos acreditavam; a outra, o que realmente aconteceu.

Comparando as duas versões da origem de Roma

AspectoVersão míticaVersão histórica
BaseLenda contada de geração em geraçãoPesquisas arqueológicas e historiográficas
FundadoresOs gêmeos Rômulo e RemoPovos latinos e, depois, os etruscos
Data753 a.C.Por volta de 1000 a.C. começam as migrações; século VII a.C. a unificação
ObjetivoMostrar que Roma já nasceu grandiosaExplicar como a cidade realmente se formou

2.1Roma: a origem pelo olhar mítico

Segundo a lenda, Rômulo e Remo eram irmãos gêmeos, netos de Numitor, rei de Alba Longa. O irmão do rei, Amúlio, tomou o trono e mandou jogar os bebês no Rio Tibre dentro de um cesto.

O cesto encalhou na margem. Uma loba achou os bebês, levou-os para uma gruta e os amamentou, até que um casal de pastores os encontrou.

Quando cresceram, os gêmeos derrubaram Amúlio e devolveram o trono ao avô. Depois voltaram ao lugar onde cresceram e, aos pés do Monte Palatino, fundaram uma cidade em 753 a.C.

Os irmãos brigaram e Rômulo matou Remo. Então deu à cidade o próprio nome: Roma. A lenda dizia ainda que os gêmeos descendiam do troiano Eneias, herói da Guerra de Troia. Assim, a grandeza de Roma seria mais antiga do que a própria cidade.

Exemplos

  • A escultura Loba Capitolina, que está nos Museus Capitolinos em Roma, mostra a loba amamentando os dois bebês. É o símbolo mais famoso dessa lenda.

2.2Roma: a origem pelo olhar histórico

As pesquisas mostram que os antepassados dos romanos eram agricultores e pastores de ovelhas vindos da Europa Central. Eles eram chamados de italiotas e se dividiam em vários povos: latinos, sabinos, ilírios, volscos, samnitas, úmbrios e équos.

Por volta de 1000 a.C., esses povos migraram para a Península Itálica. Os latinos ficaram ao sul do Rio Tibre, numa região chamada Lácio, onde fundaram vários povoados.

Ao norte do Tibre, na região da Toscana, instalaram-se os etruscos, um povo de origem desconhecida, organizado em cerca de doze cidades-Estados independentes (sem um governo único).

Exemplos

  • No mapa "Península Itálica – Ocupação (c. 1000 a.C.)" aparecem, além dos italiotas, os etruscos (ao norte) e os gregos (ao sul e na Sicília).

Quem estava na Península Itálica por volta de 1000 a.C.

PovoOnde viviaCaracterística
Italiotas (latinos, sabinos, samnitas...)Centro e sul da penínsulaAgricultores e pastores vindos da Europa Central
LatinosLácio, ao sul do Rio TibreFundaram vários povoados; deram origem a Roma
EtruscosNorte do Tibre (Toscana)Marinheiros e mercadores; cidades-Estados independentes
GregosSul da península e SicíliaFundaram colônias e influenciaram a cultura local

2.3Os etruscos e o nascimento da cidade

Os etruscos eram hábeis marinheiros e mercadores. Negociavam com gregos, cartagineses e egípcios. Mas também atravessavam o Rio Tibre para atacar as terras dos latinos.

Para se defender, a cidade latina de Alba Longa fundou um acampamento militar às margens do Tibre. Para muitos arqueólogos, esse acampamento é a verdadeira origem de Roma.

Como a região tinha rotas comerciais, os povoados latinos cresceram. No século VII a.C., as vilas do Lácio reuniam cerca de 80 mil pessoas (agricultores, escravizados, comerciantes e artesãos).

Nessa época, os etruscos invadiram o Lácio de novo, impuseram seus costumes e uniram todos os vilarejos em um só: Roma.

Exemplos

  • Passo a passo da formação de Roma pelo olhar histórico: 1) povos italiotas migram (c. 1000 a.C.); 2) latinos ocupam o Lácio; 3) etruscos atacam; 4) latinos criam um acampamento militar no Tibre; 5) vilas crescem (século VII a.C.); 6) etruscos invadem e unificam as vilas = cidade de Roma.

3A organização social de Roma

Os etruscos mudaram muito a vida em Roma. O lugar deixou de ser um povoado de pastores e virou uma cidade fortificada (protegida por muralhas).

Eles ensinaram os moradores a construir pontes e redes de esgoto, a drenar pântanos e a pavimentar estradas. Trouxeram também costumes religiosos, como a adivinhação lendo as vísceras dos animais.

Os alfabetos etrusco e grego foram sendo adaptados e deram origem ao alfabeto latino, que usamos até hoje.

A sociedade romana se dividia entre pessoas livres e pessoas escravizadas. Entre os livres havia grupos bem diferentes, com direitos bem diferentes.

Exemplos

  • Um cliente recebia terra e proteção de um patrício. Em troca, devia respeito a ele e era obrigado a substituí-lo na guerra.

Os grupos sociais de Roma

GrupoQuem eramDireitos e deveres
PatríciosGrandes proprietários de terra; diziam descender de RômuloGrupo mais influente; só eles comandavam a política
PlebeusArtesãos, comerciantes e pequenos proprietáriosServiam no exército, mas não podiam ocupar cargos públicos nem casar com patrícios
ClientesEx-escravizados e filhos de escravizados nascidos livresDependiam dos patrícios: recebiam terra e proteção, deviam respeito e serviço na guerra
EscravizadosPrisioneiros de guerra e devedoresNão tinham direitos; a vida deles dependia das decisões dos donos

4A monarquia romana

Depois de unificada pelos etruscos, Roma virou uma cidade-Estado governada por um rei. O rei era sempre do grupo dos patrícios e tinha muitos poderes: administrava a cidade, comandava o exército, julgava e conduzia as cerimônias religiosas.

Ele era ajudado pelo Senado, um conselho de anciãos formado só por patrícios. Havia também uma assembleia, a Comitia Curiata, com representantes de todas as famílias livres — mas só os patrícios votavam.

A monarquia romana não era hereditária: quando o rei morria, o Senado indicava um nome e a Comitia Curiata precisava aprovar.

A monarquia durou até o fim do século VI a.C. Segundo a tradição, Roma teve sete reis. O último foi Tarquínio, o Soberbo, etrusco e muito violento. Em 509 a.C., os romanos expulsaram os etruscos, derrubaram Tarquínio e criaram a república.

Exemplos

  • Exemplo de como um rei chegava ao poder: 1) o rei morre; 2) o Senado (só patrícios) escolhe um nome; 3) a Comitia Curiata vota; 4) se aprovado, o indicado vira rei. Note que o filho do rei não herdava o trono automaticamente.

Como funcionava a monarquia romana

InstituiçãoQuem participavaFunção
ReiUm patrício escolhidoAdministrar, comandar o exército, julgar e chefiar a religião
SenadoApenas anciãos patríciosAconselhar o rei e indicar um novo rei
Comitia CuriataTodas as famílias livres (mas só patrícios votavam)Aprovar o nome do novo rei

5A república romana

A palavra república vem do latim res publica, que quer dizer coisa pública. A ideia é que o governo seja do povo e para os cidadãos, e não de uma pessoa só.

A república foi criada justamente para evitar que uma pessoa juntasse todo o poder, como acontecia com o rei. Agora o poder seria dividido entre vários cargos e grupos.

Ela durou quase cinco séculos (509 a.C. até 27 a.C.) e foi marcada por grandes mudanças: novas instituições, conquistas de direitos pela plebe e um exército forte que expandiu Roma por toda a Península Itálica.

5.1A estrutura político-administrativa

A república foi criada pelos patrícios, que queriam evitar um poder pessoal muito forte.

O governo ficou dividido em três partes: a Magistratura, o Senado e as Assembleias. Cada uma tinha funções diferentes, e uma vigiava a outra.

As três partes do governo republicano

InstituiçãoO que eraPrincipal função
MagistraturaConjunto de cargos com mandato (cônsul, pretor, censor, edil, questor)Funções executivas, judiciárias e administrativas
SenadoConselho de cidadãos experientes, cargo vitalícioFazer leis e decidir sobre finanças, religião e política externa
AssembleiasReuniões de cidadãos (Tribal e Centurial)Eleger magistrados e decidir sobre guerra e paz

5.2A Magistratura

Os magistrados eram os funcionários que governavam no dia a dia. O cargo mais importante era o de cônsul, que substituiu o rei.

Havia dois cônsules, eleitos por um ano. A ideia era que um vigiasse o outro, para o poder não ficar nas mãos de uma pessoa só.

Os cônsules cuidavam da administração e da justiça, comandavam o exército na guerra e presidiam o Senado e as Assembleias. Em emergências, podiam indicar um ditador, que governava por seis meses com poderes totais.

No começo, só patrícios podiam ser cônsules. Depois, um dos dois passou a ser plebeu. Com o tempo, novos cargos foram criados e o poder dos cônsules diminuiu.

Exemplos

  • Para se candidatar a um cargo da Magistratura era preciso: 1) ser cidadão livre (plebeu ou cliente também podia); 2) não ter sofrido condenação; 3) ter servido no exército por pelo menos dez anos.
  • Pompeu foi cônsul três vezes, entre 70 a.C. e 52 a.C., e se tornou um dos homens mais poderosos de Roma.

Os principais magistrados

CargoO que fazia
CônsulAdministrava Roma, cuidava da justiça, comandava o exército, presidia Senado e Assembleias
Pretor (criado no séc. IV a.C.)Cuidava da justiça, tarefa que antes era dos cônsules
CensorGeria os bens do Estado e fazia o recenseamento da população a cada cinco anos
EdilCuidava da segurança, do trânsito, dos prédios públicos e das festas e jogos
QuestorArrecadava os impostos
DitadorCargo de emergência: governava seis meses com poderes irrestritos

5.3O Senado

O Senado era um conselho que os magistrados consultavam sobre assuntos importantes. Como era formado pelos cidadãos mais experientes e pelas famílias mais poderosas, suas opiniões quase sempre eram seguidas.

Por isso, o Senado concentrava a maior parte do poder do Estado. Os senadores faziam as leis e decidiam sobre dinheiro, religião e política externa.

No começo da república havia 300 senadores; no século I a.C., o Senado chegou a ter mil. No início só entravam patrícios; a partir de 400 a.C., os plebeus também conseguiram lugares.

Diferente dos magistrados, o cargo de senador era vitalício (durava a vida toda). Até o fim do século IV a.C. eles eram escolhidos pelos cônsules; por volta de 318 a.C., essa tarefa passou para os censores, que também podiam tirar do cargo senadores considerados indignos.

Exemplos

  • A pintura Cícero denuncia Catilina, de Cesare Maccari, mostra o cônsul Cícero acusando o senador Catilina de conspirar contra a república — uma cena do Senado romano.

5.4As Assembleias

As Assembleias eram reuniões de cidadãos para votar. Havia várias, mas duas eram as mais importantes.

A Assembleia Tribal agrupava os cidadãos pelo lugar onde moravam e elegia alguns magistrados, como edis e questores.

A Assembleia Centurial dividia os cidadãos em cinco classes, de acordo com a fortuna (o dinheiro que tinham). Ela elegia os cônsules e decidia sobre a guerra e a paz.

As duas principais Assembleias

AssembleiaComo agrupava os cidadãosO que decidia
TribalPelo domicílio (onde moravam)Elegia edis, questores e outros magistrados
CenturialEm cinco classes, conforme a riquezaElegia os cônsules e decidia sobre guerra e paz

6A força da plebe

Ser cidadão em Roma era privilégio de poucos. Ter cidadania significava ter direitos garantidos por lei, ser julgado de forma justa e participar da política.

Na monarquia, só os patrícios eram cidadãos. Na república, os plebeus também conquistaram a cidadania — mas a maioria dos povos dominados por Roma continuou sem esse direito.

Essas conquistas não vieram de graça: os plebeus fizeram muitos protestos. Em 493 a.C., eles abandonaram Roma e foram para uma montanha próxima, ameaçando fundar outra cidade.

Os patrícios perceberam que sem os plebeus Roma pararia: eles eram a mão de obra do campo, formavam o exército e trabalhavam nas oficinas. Assim, cederam a várias exigências.

Exemplos

  • Passo a passo da vitória de 493 a.C.: 1) plebeus insatisfeitos saem de Roma; 2) a cidade fica sem trabalhadores e sem soldados; 3) os patrícios cedem; 4) resultado: Lei Licínia (fim da escravidão por dívidas) e criação do tribuno da plebe.

Conquistas dos plebeus durante a república

ConquistaO que significou
Lei LicíniaAcabou com a escravidão por dívidas
Tribuno da plebeMagistratura só de plebeus; podia criar leis e rejeitar decisões que prejudicassem a plebe (eram 2, depois 10)
Lei CanuleiaPermitiu o casamento entre plebeus e patrícios
Lei das Doze Tábuas (451 a.C.)Primeiro código de leis escrito; impediu que os patrícios manipulassem as leis
Assento no Senado (a partir de 400 a.C.)Plebeus passaram a ser senadores
ConsuladoUm dos dois cônsules passou a ser eleito entre os plebeus

6.1A Lei das Doze Tábuas

Antes dela, grande parte das leis romanas não era escrita. Como só os patrícios conheciam e aplicavam essas leis, eles podiam mudar a interpretação conforme seus interesses e prejudicar a plebe.

Em 451 a.C., os plebeus conseguiram que as leis fossem escritas e expostas em tábuas, para que todos pudessem conhecê-las: era a Lei das Doze Tábuas.

Com ela, a lei deixou de ser vista só como uma tradição sagrada, vontade dos deuses. As leis passaram a ser entendidas como a vontade das pessoas que as escreveram.

Exemplos

  • Comparação simples: antes, era como jogar um jogo em que só o adversário conhece as regras e pode mudá-las. Depois das Doze Tábuas, as regras ficaram escritas na parede, à vista de todos.

7A posição da mulher na sociedade romana

A sociedade romana era marcada pelo patriarcalismo: os pais de família tinham grandes poderes sobre todos da casa.

Para os romanos, a mulher ideal ficava no espaço doméstico. Elas não deviam participar de festas e eventos cívicos e não tinham direitos políticos: não podiam votar nem participar das assembleias.

A educação das meninas era voltada ao casamento. Depois de casada, a autoridade do pai passava para o marido, que decidia sobre filhos, parentes e escravizados.

Mesmo assim, houve mudanças. Durante a república foram criadas leis que permitiam à mulher decidir sobre seus bens sem consultar pai ou marido, e surgiram formas de casamento com mais autonomia. Alguns governantes tentaram anular essas leis no fim da república, mas não conseguiram.

Exemplos

  • Exemplo de desigualdade: um homem livre podia se candidatar a cônsul depois de dez anos no exército; uma mulher, mesmo rica e de família importante, não podia nem votar.

Homens e mulheres na sociedade romana

AspectoHomensMulheres
PolíticaVotavam e ocupavam cargosSem direitos políticos
Espaço socialVida pública: fórum, festas, exércitoEspaço doméstico (casa)
Autoridade familiarO pai e depois o marido mandavam na casaPassavam da autoridade do pai para a do marido
Mudança na repúblicaLeis permitiram decidir sobre os próprios bens

8A influência grega

Para escrever a Lei das Doze Tábuas, os romanos mandaram legisladores à Grécia. Lá, cerca de 150 anos antes, o legislador Sólon tinha feito reformas profundas em Atenas.

Mas a influência grega não ficou só nas leis. Ela marcou a religião, a arte, a filosofia, a literatura e a arquitetura de Roma.

Na religião, os romanos adotaram muitos deuses gregos, mas trocaram seus nomes e adaptaram suas características. O latim também ganhou palavras gregas, e muitos romanos deixavam a educação dos filhos com professores gregos.

Na arquitetura, dá para ver a semelhança comparando o Templo de Fortuna Virilis (romano, século II a.C.) com o Templo de Concórdia (grego, século V a.C.): colunas e formatos muito parecidos, mesmo com três séculos de diferença.

Exemplos

  • Comparação de templos: o romano é três séculos mais novo que o grego, mas usa o mesmo tipo de colunas e o mesmo telhado triangular (frontão).

Deuses gregos e seus nomes romanos

Deus gregoDeus romanoDo que era deus(a)
ZeusJúpiterDeus criador, o principal
AresMarteGuerra
Palas AtenaMinervaSabedoria
HeraJunoCéu; esposa de Júpiter
HadesPlutãoMorte e submundo
HermesMercúrioComércio

9Cultura e religião em Roma

Roma teve uma produção artística bem variada. Na literatura, o destaque é Virgílio, autor da Eneida, que conta a história de Eneias, o herói troiano que seria antepassado de Rômulo e Remo.

Na arquitetura, os romanos construíram teatros, arenas, palácios, templos e aquedutos (estruturas que levavam água para a cidade). Usavam muito as colunas, inspiradas nos gregos.

Os romanos também se destacaram na produção intelectual, principalmente em Política e Direito — o Direito romano ainda é estudado em universidades. Na filosofia, um grande nome foi Sêneca.

O entretenimento era muito importante. Os poderosos ofereciam espetáculos para agradar ao povo e ganhar popularidade. Essa tática ficou conhecida como política do pão e circo: dar comida e diversão aos pobres para que apoiassem o governo. A principal arena da república era o Circo Máximo, usado para corridas de bigas (carruagens puxadas por cavalos), desfiles e festivais.

Exemplos

  • Exemplo de pão e circo: um político que quer ser eleito paga uma grande luta de gladiadores. O povo se diverte de graça e, em troca, vota nele.
  • O Teatro Romano de Mérida, na Espanha, foi construído no fim do século I a.C. e hoje é patrimônio da humanidade pela UNESCO.

9.1Para ir além: os gladiadores

Os gladiadores eram homens que lutavam em arenas contra outros gladiadores e até contra animais ferozes, como leões e tigres. As lutas eram sangrentas e muitas vezes só acabavam com a morte de um deles.

A maioria era formada por condenados e prisioneiros de guerra escravizados. Mas havia também homens livres, lutadores profissionais que sonhavam com glória e dinheiro.

Esses combates surgiram no sul da Península Itálica e chegaram a Roma por volta do século III a.C. No começo eram uma oferenda religiosa, uma homenagem a alguém que tinha morrido.

Com o tempo viraram espetáculo público, patrocinado por nobres que queriam votos nas eleições. Em 105 a.C. o Senado oficializou as lutas e, no Império, o próprio Estado passou a organizá-las.

Exemplos

  • O Coliseu foi construído depois do fim da república, mas se tornou o palco mais famoso dos jogos públicos de Roma, incluindo os combates de gladiadores.

A mudança dos combates de gladiadores

MomentoSentido da luta
Início (séc. III a.C.)Oferenda religiosa em homenagem a um morto
DepoisEspetáculo público e laico, patrocinado por nobres em busca de votos
105 a.C.Lutas oficializadas pelo Senado
ImpérioOrganizadas pelo próprio Estado romano

10O início da expansão territorial

Durante a república, o exército virou um dos maiores símbolos da força de Roma. Fazer parte dele era motivo de orgulho e sinal de status.

Os soldados não recebiam salário: serviam de graça e compravam o próprio equipamento. Por isso, a camada social definia a função de cada um.

Quem era rico entrava na cavalaria, porque podia comprar cavalos e armaduras de primeira linha. Os demais formavam a infantaria (soldados que lutavam a pé), com armas melhores ou piores conforme o dinheiro que tinham.

Durante quase toda a república o exército esteve em guerra, se defendendo ou atacando. O resultado é que, no século III a.C., Roma já dominava toda a Península Itálica.

Exemplos

  • Exemplo: dois jovens se alistam. O filho de uma família rica compra cavalo e armadura e vai para a cavalaria. O filho de um pequeno agricultor compra apenas uma arma simples e vai para a infantaria.

Riqueza e função no exército romano

Camada socialGrupo no exércitoEquipamento
Mais ricaCavalariaCavalos, armaduras e armas de primeira linha
Menos ricaInfantaria (a pé)Roupas e armas de qualidade variável, conforme as posses

10.1As Guerras Púnicas

Depois de dominar a Itália, Roma quis controlar o Mar Mediterrâneo e suas rotas comerciais. Só que essa região era dominada pelos cartagineses, da cidade de Cartago (no norte da África).

A rivalidade entre as duas potências levou às Guerras Púnicas, um conflito dividido em três guerras ao longo de cerca de cem anos.

No fim, Roma venceu, ficou com a hegemonia (domínio) do Mediterrâneo e conquistou muitos territórios. Assim, começou o processo de expansão que transformaria Roma em um império.

Exemplos

  • Resultado final: depois da Terceira Guerra Púnica, Cartago foi destruída e cerca de 50 mil sobreviventes foram levados escravizados para Roma.

As três Guerras Púnicas

GuerraPeríodoResultado
Primeira264 a.C. – 241 a.C.Roma conquistou a Ilha da Sicília, antes controlada por Cartago
Segunda218 a.C. – 202 a.C.Roma derrotou Cartago e dominou Península Ibérica, Ásia Menor e Grécia
Terceira149 a.C. – 146 a.C.Cartago foi arrasada; os sobreviventes foram escravizados

11A crise social durante a república

A expansão deixou Roma rica, populosa e cheia de mercadorias de várias regiões. Mas também trouxe grandes problemas sociais.

Os patrícios eram um grupo muito fechado e foram diminuindo. No século III a.C., já eram praticamente inexistentes.

No lugar deles surgiu a nobreza: plebeus que ficaram ricos com o comércio ou que se casaram com patrícios. Os nobres passaram a dominar o Senado e os cargos da Magistratura, usando o pão e circo para ganhar apoio popular.

Na base da sociedade, os pequenos proprietários rurais sofriam. Muitos foram para a guerra, não puderam cuidar das terras e se endividaram. Sem dinheiro, entregavam suas terras aos credores (pessoas a quem deviam).

Isso concentrou as terras nas mãos de poucos e forçou muita gente a migrar para as cidades. Só que nas cidades faltava moradia e emprego, porque a maior parte do trabalho era feita por escravizados.

Exemplos

  • Passo a passo do empobrecimento de um pequeno agricultor: 1) é convocado para a guerra; 2) a terra fica sem cuidado e a colheita se perde; 3) ele pega dinheiro emprestado; 4) não consegue pagar; 5) entrega a terra ao credor; 6) migra para a cidade e não encontra emprego.

Roma antes e depois da grande expansão

AspectoAntesDepois
Grupo dominantePatríciosNobreza (plebeus ricos e casados com patrícios)
TerraMuitos pequenos proprietáriosConcentração em grandes latifúndios
População do campoFixada no campoÊxodo rural para as cidades
TrabalhoCamponeses livresGrande uso de mão de obra escravizada

11.1A luta pela terra: os irmãos Graco

A desigualdade gerou muita revolta. Surgiram líderes políticos defendendo a reforma agrária, ou seja, uma nova divisão das terras para fixar as pessoas no campo.

Tibério Graco foi eleito tribuno da plebe em 133 a.C. Ele propôs limitar o tamanho das terras que uma pessoa poderia ter e distribuir terras públicas em pequenos lotes aos pobres.

Os senadores eram donos de grandes latifúndios e não gostaram nada disso. Eles tramaram o assassinato de Tibério e de seus seguidores, o que aconteceu em 132 a.C.

Dez anos depois, seu irmão Caio Graco também virou tribuno da plebe e continuou a luta. Em 121 a.C., ele e seus partidários foram cercados fora de Roma e, sem saída, Caio pediu a um escravizado que o matasse.

Exemplos

  • A proposta de Tibério em duas partes: 1) limite máximo de terra por pessoa; 2) distribuição das terras públicas em pequenos lotes para os pobres. Quem perderia com isso? Os senadores latifundiários — por isso reagiram com violência.

Os irmãos Graco

IrmãoAno em que foi tribunoPropostaFim
Tibério Graco133 a.C.Limitar o tamanho das terras e distribuir lotes aos pobresAssassinado em 132 a.C.
Caio GracoCerca de 123 a.C.Continuar a reforma agrária do irmãoCercado em 121 a.C.; pediu a um escravizado que o matasse

12Os triunviratos e o fim da república

Enquanto os nobres tentavam manter seus privilégios, a plebe continuava lutando por melhores condições. Essas tensões viraram uma guerra civil que durou quase um século.

Os escravizados também se rebelaram. A maior revolta foi a Terceira Guerra Servil, entre 73 a.C. e 71 a.C., liderada pelo gladiador Espártaco, que comandou mais de 60 mil homens. Eles venceram várias batalhas, mas acabaram derrotados: cerca de 6 mil escravizados foram crucificados como punição.

Como o exército era chamado o tempo todo, os generais ganharam muito prestígio e foram eleitos para cargos importantes.

Em 60 a.C., o general Júlio César, líder dos plebeus, virou cônsul e formou com Crasso e Pompeu uma aliança chamada triunvirato (governo de três). Apoiados pelo exército, eles governaram sem depender do Senado.

Exemplos

  • A palavra triunvirato vem do latim e significa três homens. Foi um governo de três generais ao mesmo tempo.

Os dois triunviratos

TriunviratoAnoQuem participouComo terminou
Primeiro60 a.C.Júlio César, Crasso e PompeuCrasso morre (53 a.C.); César vence Pompeu e vira ditador vitalício em 46 a.C.; é assassinado em 44 a.C.
SegundoApós 44 a.C.Marco Antônio, Caio Otávio e LépidoNova guerra civil; Otávio vence e, em 27 a.C., decreta o fim da república e se declara imperador

12.1De Júlio César a Otávio

Com a morte de Crasso em 53 a.C., César e Pompeu começaram a disputar o poder. Começou uma nova guerra: Pompeu fugiu para a Grécia e foi morto lá.

Com a vitória, Júlio César assumiu o poder em 46 a.C. com o título de ditador vitalício (para toda a vida). Tudo indicava que ele queria governar como imperador.

Por isso, em 44 a.C., César foi assassinado por um grupo de senadores durante uma sessão no Senado.

Depois disso formou-se o Segundo Triunvirato: Marco Antônio, Caio Otávio (filho adotivo de César) e Lépido. Eles brigaram entre si, houve outra guerra civil e Otávio venceu. Em 27 a.C., Otávio decretou o fim da república e se declarou imperador. Começava o Império Romano.

Exemplos

  • Linha do tempo rápida: 509 a.C. (fim da monarquia) → 264-146 a.C. (Guerras Púnicas) → 133 a.C. (Tibério Graco) → 73-71 a.C. (Espártaco) → 60 a.C. (1º Triunvirato) → 44 a.C. (morte de César) → 27 a.C. (início do Império).

Os três períodos da história de Roma vistos neste capítulo

PeríodoQuandoQuem governava
MonarquiaSéc. VII a.C. – 509 a.C.Reis (sete, segundo a tradição), apoiados pelo Senado
República509 a.C. – 27 a.C.Magistratura, Senado e Assembleias
ImpérioA partir de 27 a.C.Imperador (começa com Otávio)

13Enquanto isso... a expansão celta

Celta é o nome dado a um conjunto de povos que falavam línguas de uma mesma origem. Eles viviam em muitas tribos e, por volta do século VI a.C., ocupavam um grande território na Europa Central e Ocidental.

Entre os povos celtas estavam os gauleses, bretões, batavos e gálatas.

Uma das grandes marcas dos celtas era o domínio da metalurgia do ferro, metal quase desconhecido na Europa naquela época. Com ele faziam armas muito boas, o que ajudou na expansão.

No auge, por volta do século III a.C., os domínios celtas eram maiores que os de Roma. Mesmo assim, nunca formaram um império, porque não tinham um Estado centralizado: viviam em cidades-Estado independentes. No século I a.C., foram dominados pelos romanos.

Exemplos

  • Hoje, as terras que os celtas ocupavam corresponderiam a países como República Tcheca, Alemanha, França, Espanha e Irlanda.

Celtas x Romanos

AspectoCeltasRomanos
Organização políticaTribos e cidades-Estado independentesEstado centralizado (república e, depois, império)
Destaque técnicoMetalurgia do ferroEngenharia, leis e exército organizado
Resultado finalDominados por Roma no século I a.C.Formaram um império

14Resumo final: o que você aprendeu

Este capítulo mostrou o caminho de Roma desde um pequeno povoado até a maior potência do Mediterrâneo.

Você viu duas origens (a lenda de Rômulo e Remo e a explicação histórica), a monarquia com seus sete reis, a criação da república em 509 a.C. e sua estrutura de poder.

Viu também a luta da plebe por direitos, a influência grega, a cultura e a religião romanas, a expansão pelas Guerras Púnicas e a crise social que levou ao fim da república em 27 a.C.

Guarde bem as datas-chave: 753 a.C. (fundação lendária), 509 a.C. (início da república), 451 a.C. (Lei das Doze Tábuas) e 27 a.C. (início do império).

Datas para memorizar

DataAcontecimento
c. 1000 a.C.Italiotas migram para a Península Itálica
753 a.C.Fundação lendária de Roma por Rômulo
Séc. VII a.C.Etruscos unificam as vilas latinas em Roma
509 a.C.Expulsão de Tarquínio, o Soberbo, e início da república
493 a.C.Plebeus saem de Roma e conquistam o tribuno da plebe
451 a.C.Lei das Doze Tábuas
264-146 a.C.Guerras Púnicas contra Cartago
133-121 a.C.Luta dos irmãos Graco pela reforma agrária
73-71 a.C.Revolta de Espártaco (Terceira Guerra Servil)
60 a.C.Primeiro Triunvirato
44 a.C.Assassinato de Júlio César
27 a.C.Otávio acaba com a república e se torna imperador

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Capítulo 12 – Os primeiros tempos de Roma

Resumo rápido

Capítulo 12 – Os primeiros tempos de Roma

Resumo rápido

1Introdução: por que estudar Roma?

Roma nasceu na Península Itálica, por volta de 1000 a.C., e cresceu até virar a maior potência do Mediterrâneo.

A língua dos romanos era o latim. Com as conquistas, o latim se espalhou e, com o tempo, foi mudando em cada lugar. Assim nasceram as línguas latinas (ou românicas).

Exemplo

  • Línguas que vieram do latim: português, espanhol, italiano, francês e romeno.

2Uma cidade, duas origens

Existem duas explicações para o começo de Roma: uma mítica (uma lenda contada pelos próprios romanos) e outra histórica (baseada em pesquisas de arqueólogos e historiadores).

2.1A origem mítica: Rômulo e Remo

Os gêmeos Rômulo e Remo eram netos do rei Numitor. Jogados no Rio Tibre ainda bebês, foram salvos por uma loba, que os amamentou, e criados por pastores.

Já adultos, fundaram uma cidade no Monte Palatino em 753 a.C.. Os irmãos brigaram, Rômulo matou Remo e deu seu nome à cidade: Roma.

Essa lenda servia para mostrar que Roma já nascia grandiosa, pois os gêmeos seriam descendentes do herói troiano Eneias.

2.2A origem histórica

Povos vindos da Europa Central, chamados italiotas, migraram para a Península Itálica por volta de 1000 a.C. Entre eles estavam os latinos, que se instalaram na região do Lácio, ao sul do Rio Tibre.

Ao norte viviam os etruscos, bons marinheiros e comerciantes, organizados em cidades-Estado independentes. Para se defender dos ataques etruscos, os latinos criaram um acampamento militar às margens do Tibre — para muitos estudiosos, essa foi a origem de Roma.

No século VII a.C., os etruscos invadiram o Lácio e uniram todos os vilarejos em uma só cidade: Roma.

3A organização social de Roma

Os etruscos transformaram Roma numa cidade fortificada. Ensinaram a construir pontes, esgotos, a drenar pântanos e a pavimentar estradas. Do alfabeto etrusco e do grego surgiu o alfabeto latino, usado até hoje.

A sociedade se dividia em pessoas livres e pessoas escravizadas.

Entre os livres havia três grupos: os patrícios (donos de muitas terras, diziam ser descendentes de Rômulo e mandavam na política); os plebeus (artesãos, comerciantes e pequenos proprietários, que serviam no exército mas não podiam ocupar cargos públicos); e os clientes (ex-escravizados e seus filhos, que dependiam dos patrícios: recebiam terras e proteção em troca de respeito e apoio nas guerras).

Os escravizados eram prisioneiros de guerra ou pessoas que não pagavam suas dívidas. Não tinham nenhum direito.

4A monarquia romana (753 a.C. – 509 a.C.)

Roma virou uma cidade-Estado governada por um rei, sempre patrício. Ele administrava a cidade, chefiava o exército, julgava e comandava a religião.

O rei era auxiliado pelo Senado, um conselho só de anciãos patrícios, e pela Comitia Curiata, uma assembleia em que participavam as famílias livres, mas só os patrícios votavam.

O trono não era hereditário: quando o rei morria, o Senado indicava um nome e a Comitia Curiata aprovava.

Em 509 a.C., os romanos expulsaram os etruscos e destronaram o último rei, Tarquínio, o Soberbo, conhecido por ser violento. No lugar da monarquia, criaram a república.

5A república romana

A palavra vem do latim res publica, que significa "coisa pública". A ideia era evitar que o poder ficasse nas mãos de uma pessoa só.

A república durou quase cinco séculos. Nesse tempo, a plebe conquistou direitos e o exército levou Roma a dominar toda a Península Itálica.

A estrutura política tinha três partes: Magistratura, Senado e Assembleias.

5.1A Magistratura

Os magistrados cuidavam das funções executivas, judiciárias e administrativas. O cargo principal era o de cônsul, que substituiu o rei.

Eram dois cônsules, eleitos por um ano, para que um vigiasse o outro. Em emergências, podiam indicar um ditador, com poderes totais por seis meses.

Outros magistrados: o pretor (justiça), os censores (contas do Estado e recenseamento), os edis (segurança, obras e festas) e os questores (impostos).

Exemplo

  • No começo só patrícios eram cônsules; depois, um dos dois passou a ser escolhido entre os plebeus.

5.2O Senado

Era o conselho dos cidadãos mais experientes e das famílias mais poderosas. Concentrava a maior parte do poder: fazia as leis e decidia sobre dinheiro, religião e guerra.

O cargo de senador era vitalício (para a vida toda). Começou com 300 senadores e chegou a mil no século I a.C. A partir de 400 a.C., plebeus também entraram no Senado.

5.3As Assembleias

A Assembleia Tribal reunia os cidadãos por onde moravam e elegia magistrados como edis e questores.

A Assembleia Centurial dividia os cidadãos em cinco classes de acordo com a riqueza; elegia os cônsules e decidia sobre guerra e paz.

6A força da plebe

Ser cidadão era ter direitos garantidos por lei e participar da política. Na monarquia, só patrícios eram cidadãos; na república, os plebeus também conquistaram cidadania.

Em 493 a.C., os plebeus saíram de Roma e ameaçaram fundar outra cidade. Como eram a maior parte da mão de obra e do exército, os patrícios cederam.

Conquistas da plebe: a Lei Licínia (fim da escravidão por dívidas), o tribuno da plebe (magistrado só de plebeus, com poder de propor leis e barrar decisões contra a plebe) e a Lei Canuleia (permitia casamento com patrícios).

Em 451 a.C. surgiu a Lei das Doze Tábuas, o primeiro código de leis escritas. Antes, as leis não eram escritas e os patrícios as usavam como queriam. Com elas, a lei deixou de ser vista como vontade dos deuses e passou a ser obra dos homens.

7A posição da mulher na sociedade romana

A sociedade romana era patriarcal: os pais de família tinham grandes poderes.

Esperava-se que as mulheres ficassem em casa. Elas não tinham direitos políticos e não participavam das assembleias. Ao casar, a autoridade passava do pai para o marido.

Durante a república, surgiram leis que deram mais autonomia às mulheres, como poder decidir sobre seus bens sem consultar pai ou marido. Mesmo assim, o patriarcalismo nunca acabou por completo.

8A influência grega e a cultura romana

Para criar a Lei das Doze Tábuas, os romanos foram estudar as reformas do legislador grego Sólon. A influência grega apareceu também na religião, na arte, na filosofia, na literatura e na arquitetura.

Os romanos adotaram os deuses gregos, mas com novos nomes: Júpiter (Zeus), Marte (Ares), Minerva (Atena), Juno (Hera), Plutão (Hades) e Mercúrio (Hermes).

Na cultura, destacam-se Virgílio, autor da Eneida, o Direito romano (estudado até hoje) e o filósofo Sêneca. Na arquitetura, colunas, arenas, templos e aquedutos (canos que levavam água para a cidade).

Os governantes ofereciam comida e diversão ao povo para ganhar apoio: é a política do pão e circo. A principal arena da república era o Circo Máximo, usado em corridas de bigas.

Exemplo

  • Os gladiadores lutavam em arenas contra outros homens ou feras. Quase todos eram escravizados ou condenados, mas havia homens livres em busca de fama.

9O início da expansão territorial

Na república, o exército virou o símbolo da força de Roma. O serviço era gratuito e cada soldado comprava seu próprio equipamento: os ricos formavam a cavalaria; os demais, a infantaria.

No século III a.C., Roma já dominava toda a Península Itálica. Depois quis controlar o Mediterrâneo, que estava nas mãos de Cartago.

As Guerras Púnicas foram três conflitos contra Cartago ao longo de cem anos: a 1ª (264–241 a.C.) deu a Sicília a Roma; a 2ª (218–202 a.C.) ampliou os domínios até a Península Ibérica, Ásia Menor e Grécia; a 3ª (149–146 a.C.) destruiu Cartago e escravizou os sobreviventes.

Com essas vitórias, Roma se tornou a principal potência do Mediterrâneo.

10A crise social durante a república

A expansão deixou Roma rica, mas aumentou a desigualdade. Os patrícios, grupo fechado, quase desapareceram no século III a.C.

Surgiu a nobreza: plebeus que ficaram ricos com o comércio ou casaram com patrícios. Eles dominaram o Senado e usavam o pão e circo para ganhar apoio popular.

Os pequenos proprietários, que iam para as guerras, não conseguiam cuidar das terras, se endividavam e as perdiam. Muitos migraram para a cidade, onde faltava trabalho — quase tudo era feito por escravizados.

10.1A luta pela terra: os irmãos Graco

Tibério Graco, tribuno da plebe em 133 a.C., propôs uma reforma agrária: limitar o tamanho das terras de cada pessoa e distribuir terras públicas aos pobres.

Os senadores, donos de grandes latifúndios, mandaram matá-lo em 132 a.C. Seu irmão Caio Graco continuou a luta e também foi morto, em 121 a.C.

11Os triunviratos e o fim da república

As tensões viraram uma guerra civil que durou quase um século. Os escravizados também se revoltaram: a maior revolta foi a Terceira Guerra Servil (73–71 a.C.), liderada pelo gladiador Espártaco, com mais de 60 mil homens. Eles perderam e cerca de 6 mil foram crucificados.

Os generais ganharam prestígio. Em 60 a.C., Júlio César, Crasso e Pompeu formaram o Primeiro Triunvirato — governo de três pessoas apoiado pelo exército, sem depender do Senado.

Com a morte de Crasso, César venceu Pompeu e assumiu em 46 a.C. como ditador vitalício. Em 44 a.C. foi assassinado por senadores.

Formou-se o Segundo Triunvirato: Marco Antônio, Otávio e Lépido. Depois de nova guerra civil, Otávio venceu e, em 27 a.C., acabou com a república e se declarou imperador.

12Enquanto isso... a expansão celta

Os celtas eram vários povos que falavam línguas parecidas e viviam em tribos na Europa Central e Ocidental.

Dominavam a metalurgia do ferro, o que lhes deu armas fortes e permitiu grande expansão até o século III a.C.

Nunca formaram um império, pois não tinham um Estado centralizado. No século I a.C., foram dominados pelos romanos.

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