Capítulo 13 – Império Romano e ascensão do cristianismo
Resumo completo
Capítulo 13 – Império Romano e ascensão do cristianismo
Resumo completo
1Introdução: Roma e o nascimento do cristianismo
O cristianismo é hoje a religião com mais seguidores no mundo: mais de 2 bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial.
Essa religião nasceu na Palestina, há cerca de 2 mil anos, numa época em que a região era controlada pelo Império Romano. De lá, ela se espalhou pela Europa.
Os primeiros a aceitar a nova fé foram principalmente os escravizados e as pessoas mais pobres que viviam nas terras de Roma.
Durante uns três séculos, os cristãos foram perseguidos pelas autoridades romanas. Depois disso, o cristianismo acabou virando a religião oficial do império.
Exemplos
Hoje o Vaticano, sede da Igreja Católica, fica dentro da cidade de Roma. Isso mostra como a história de Roma e a do cristianismo estão ligadas até os dias atuais.
2Todo poder ao imperador
Na república romana, os políticos tinham muito medo de que o poder ficasse nas mãos de uma só pessoa, como acontecia antes com o rei. Por isso criaram três órgãos: Magistraturas, Assembleias e Senado, cada um com tarefas próprias.
Mas em 27 a.C., quando Otávio assumiu o governo, começaram reformas que transformaram a república em um império. O poder, que era dividido, voltou a ficar concentrado em uma pessoa só.
Otávio manteve as antigas instituições, só que elas foram perdendo força. O cargo de cônsul virou apenas um título de honra; as Assembleias ficaram sem poder de eleger; e o Senado, antes o centro do poder, virou um simples conselho da cidade de Roma no século III.
Os historiadores costumam dividir o tempo do Império Romano em dois grandes períodos: Alto Império e Baixo Império.
Exemplos
Exemplo de perda de força: antes, ser cônsul era o cargo mais alto da república; no império, virou só um título bonito, sem poder de verdade.
Os dois períodos do Império Romano
Período
Quando ocorreu
Característica principal
Alto Império
Final do século I a.C. ao século III d.C.
Período de esplendor: muitas conquistas; no início do século II o império chega à sua maior extensão
Baixo Império
Século III d.C. ao século V d.C.
Fase de crises que levam à desintegração do império
República x Império
Aspecto
República
Império
Poder
Dividido (descentralizado)
Concentrado no imperador
Senado
Centro do poder
Reduzido a conselho municipal (séc. III)
Cônsul
Cargo mais alto
Apenas título de honra
Assembleias
Elegiam magistrados
Ficaram sem poder eleitoral
2.1Mas, afinal, o que é um império?
Império é o nome dado a uma civilização que conquistou um grande território e colocou povos diferentes sob o comando de um único governante. O mais importante é que o imperador manda em todas as terras conquistadas.
A palavra vem do latim imperium. No tempo dos reis, imperium era o poder do rei de exigir obediência do povo. Na república, passou a significar o poder dos magistrados sobre os moradores das terras de Roma.
Tudo mudou com Caio Otávio. Em 23 a.C. ele deu a si mesmo os poderes proconsulares (imperium proconsulare), ou seja, declarou-se a autoridade máxima de todo o território romano.
Desde então, imperium passou a significar o poder de governar e comandar toda a população e todas as terras conquistadas por Roma.
Exemplos
Passo a passo da mudança da palavra imperium: 1) Monarquia → poder do rei sobre o povo. 2) República → poder dos magistrados sobre os habitantes. 3) Império → poder do imperador sobre todos os povos e territórios conquistados.
O significado de *imperium* em cada período
Período
Significado de *imperium*
Monarquia
Poder do rei para exigir obediência do povo
República
Poder dos magistrados sobre os habitantes das terras de Roma
Império
Poder do imperador de governar toda a população e todos os territórios conquistados
3Alto Império: a Pax Romana
O Alto Império começou com Caio Otávio, que assumiu o governo aos 36 anos. Ele recebeu o título de Augusto, que quer dizer majestoso, respeitável, extraordinário. Também era chamado de Filho do Divino, ou seja, seu poder foi ligado aos deuses.
Seu governo durou quase quarenta anos e ele fez muitas reformas: tirou do cargo senadores acusados de corrupção, perdoou dívidas dos camponeses, criou um tribunal de pequenas causas para a Justiça ser mais rápida e distribuiu comida e dinheiro ao povo nas crises.
Augusto também dividiu o território em províncias, entregues a homens de confiança: os procônsules e os propretores. Com isso, diminuiu muito as revoltas.
Ele usava a diplomacia (conversa e acordos) com os povos vizinhos para evitar guerras desnecessárias, mas mantinha um grande exército nas fronteiras. A poderosa Legião Romana, maior divisão do exército, continuou conquistando terras até o império chegar à sua maior extensão, no início do século II.
Começou assim uma era de paz e prosperidade chamada Pax Romana (Paz Romana), que durou até o ano 180.
Exemplos
Exemplo de diplomacia: em 53 a.C., o general Crasso invadiu o Império Parta sem autorização do Senado e sofreu uma enorme derrota — muitos romanos viraram prisioneiros, Crasso morreu e os partas tomaram os estandartes romanos.
Décadas depois, Augusto quis esses prisioneiros e estandartes de volta. Em vez de guerra, usou a diplomacia e conseguiu o que queria. Para comemorar, os romanos fizeram a estátua Augusto de Prima Porta, hoje no Museu do Vaticano.
Reformas de Augusto
Área
Medida tomada
Política
Destituiu senadores acusados de corrupção
Economia
Perdoou dívidas dos camponeses com o governo
Justiça
Criou tribunal de pequenas causas (mais agilidade)
Social
Distribuiu alimentos e dinheiro ao povo nas crises
Administração
Dividiu o território em províncias, com procônsules e propretores
Relações externas
Usou a diplomacia, mas manteve grande exército nas fronteiras
3.1ZOOM: a estátua Augusto de Prima Porta
É uma das representações mais antigas de Otávio Augusto. Foi encontrada em 1853, na região de Prima Porta, em Roma — daí o nome.
Ela é feita de mármore e se inspirou no Doríforo, estátua grega do século V a.C. feita por Policleto, escultor que defendia corpos bem proporcionais e poses naturais.
Originalmente, a estátua era toda colorida. Hoje restaram só vestígios das tintas azul, púrpura e dourada.
Cada detalhe da estátua conta uma mensagem política e religiosa: as vitórias de Roma, os deuses e a origem divina do imperador.
Exemplos
Leitura da estátua passo a passo: 1) braço direito erguido = ar de vitorioso; 2) na couraça, um parta devolve o estandarte romano = vitória diplomática de Augusto; 3) esfinges nos ombros = domínio sobre o Egito; 4) aos pés, o deus Eros = Augusto seria descendente de Vênus, deusa do amor.
Símbolos da estátua Augusto de Prima Porta
Detalhe
O que significa
Braço direito erguido
Ar de vitorioso; na mão esquerda havia uma lança (perdida)
Esfinges nos ombros
Dominação do Egito
Parta devolvendo o estandarte
Vitória de Augusto pela diplomacia sobre o Império Parta
Deus Caelus abrindo os céus
Semelhante ao deus grego Urano
Deus Sol na carruagem / Apolo / Diana / Ceres
Proteção dos deuses ao imperador
Eros aos pés
Augusto como descendente de Vênus, deusa do amor
Perna flexionada (como o Doríforo)
Pose natural do corpo, influência grega
3.2Avanços e dificuldades do Alto Império
Durante a Pax Romana, as cidades cresceram e ganharam praças, mercados, templos, casas de banho (termas), circos (com corridas de bigas) e anfiteatros para as lutas de gladiadores.
Foi construída uma grande rede de estradas ligando as cidades. Elas serviam para mover as tropas rapidamente e também estimulavam o comércio. O estilo de vida de Roma se espalhou até para as províncias mais distantes.
Mas tudo isso custava caro. O dinheiro vinha dos impostos cobrados das províncias e era gasto em obras públicas, no exército e na conservação das estradas.
Apesar dos avanços, Roma enfrentou problemas graves: uma epidemia de tifo, um grande incêndio (64 d.C.) e a erupção do vulcão Vesúvio (79 d.C.), que soterrou Pompeia e Herculano. No fim do século II começaram as primeiras invasões dos povos chamados de bárbaros.
Exemplos
Exemplo de gasto do império: parte dos impostos das províncias ia para pagar os soldados que protegiam as fronteiras; outra parte, para construir e consertar estradas.
Avanços x Problemas do Alto Império
Avanços
Problemas
Crescimento das cidades (praças, mercados, templos)
Epidemia de tifo
Termas, circos e anfiteatros
Grande incêndio de Roma (64 d.C.)
Rede de estradas que facilitava tropas e comércio
Erupção do Vesúvio (79 d.C.): Pompeia e Herculano soterradas
Estilo de vida cosmopolita nas províncias
Custos altíssimos e primeiras invasões bárbaras (fim do séc. II)
3.3Moradia em Roma: ínsulas e domus
No início do século I, Roma era a maior cidade do mundo, com cerca de 1 milhão de habitantes (incluindo escravizados). Cresceu sem planejamento e vivia em obras. Augusto dizia que encontrou uma cidade de tijolos e a deixou cheia de mármores.
Mesmo assim, Roma era lotada e suja. A maioria da população morava de aluguel nas ínsulas, prédios de até seis andares, quase sempre sem cozinha e sem banheiro.
Os primeiros andares das ínsulas eram de tijolo; os mais altos, de argila, palha ou madeira. Por serem mal construídas, muitas desabavam, e incêndios eram comuns. Não havia esgoto: os moradores jogavam os dejetos nas ruas ou em esgotos comuns, e a água era buscada em fontes públicas.
Já os ricos moravam nas domus, casas grandes e confortáveis. O espaço principal era o atrium, uma sala ampla com abertura no telhado e um tanque embaixo para recolher água da chuva. Ao redor ficavam os quartos e, no fundo, um jardim.
As famílias se reuniam em casa para cultuar os deuses Lares, que protegiam a casa e a família. Por isso as residências tinham capela e altar, com fogo aceso, oferendas e orações.
Exemplos
Comparação prática: uma família pobre subia vários andares numa ínsula de madeira, sem água nem banheiro; uma família rica vivia numa domus com atrium, jardim e vários cômodos.
Ínsula x Domus
Característica
Ínsula
Domus
Quem morava
População pobre (de aluguel)
Famílias ricas
Tipo de construção
Prédio de até 6 andares
Casa grande e confortável
Materiais
Tijolo embaixo; argila, palha ou madeira nos andares altos
Materiais nobres, bem construída
Água e banheiro
Em geral não tinha; água em fontes públicas
Tinha atrium com tanque para água da chuva
Riscos
Desabamentos e incêndios frequentes
Poucos riscos
Espaços
Cômodos apertados
Atrium, quartos ao redor e jardim no fundo
3.4Lazer no Império Romano
Os romanos adoravam festas e eventos grandiosos. Desde antes do império já existia a política do pão e circo: espetáculos de gladiadores, corridas de bigas, caça a animais, festas religiosas e celebrações populares.
Um momento especial eram os triunfos, festas que comemoravam vitórias militares. O general ou imperador voltava a Roma numa carruagem, desfilando com soldados, tesouros saqueados e inimigos capturados. Havia sacrifícios e festas por dias ou até meses.
Outro lazer importante eram os banhos nas termas (casas de banho). No fim da república havia 160 delas em Roma; no século IV, já passavam de mil, algumas enormes.
As termas eram ponto de encontro diário: milhares de pessoas iam descansar e conversar. Lá havia massagem, depilação, bibliotecas e até concertos, mas a atividade principal era o banho em piscinas de água fria, morna ou quente.
Exemplos
As termas romanas da cidade de Bath, na Inglaterra, existem até hoje e mostram como os romanos levaram esse costume para lugares bem distantes de Roma.
Formas de lazer no Império
Lazer
O que era
Pão e circo
Espetáculos e distribuição de alimentos para agradar o povo
Gladiadores
Lutas nos anfiteatros
Corridas de bigas
Disputas de carruagens nos circos
Triunfos
Desfiles para comemorar vitórias militares
Termas
Banhos públicos, encontro diário, massagem, bibliotecas e concertos
3.5Roma e o Mar Mediterrâneo
O Mar Mediterrâneo era uma região estratégica para Roma. Depois de vencer Cartago, os romanos passaram a chamá-lo de mare nostrum, que significa nosso mar.
Comandar as principais rotas de comércio pelo mar trouxe muita riqueza. Roma pôde reunir recursos, mercadorias e escravizados como nunca antes.
Mas as rotas não serviam só para o comércio: elas permitiram trocas culturais intensas. Pelo Mediterrâneo, os romanos adotaram deuses, modelos de arquitetura e outras influências dos gregos.
Por essas mesmas rotas, ideias e costumes greco-romanos chegaram a povos da Europa, da Ásia e da África. Quando veio a crise do Baixo Império, o controle desse mar ficou fraco e a unidade do império começou a ruir.
Exemplos
Exemplo de troca cultural: os romanos se encantaram com os gregos e passaram a usar seus deuses e seus estilos de construção (colunas, templos).
Importância do Mediterrâneo para Roma
Aspecto
O que o mar trouxe
Econômico
Controle das rotas comerciais, riqueza, mercadorias e escravizados
Cultural
Influência grega (deuses, arquitetura) e difusão greco-romana
Militar/político
Unidade e controle do território; no Baixo Império esse controle enfraqueceu
4O cristianismo
Os judeus viviam na região da Palestina e já haviam sido dominados por outros povos, como os babilônios e os persas. No início do século I, a terra deles se chamava Judeia e estava sob o controle do Império Romano.
Foi nesse tempo e nesse lugar que nasceu Jesus Cristo, um carpinteiro judeu que inspirou a criação da religião cristã.
O que sabemos da vida dele vem principalmente dos evangelhos, quatro livros da Bíblia atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João, discípulos (seguidores) de Jesus.
Segundo os evangelhos, Jesus era o Messias, o filho de Deus que veio pregar o amor a Deus e ao próximo e salvar a humanidade dos pecados. Messias (em hebraico) e Cristo (em grego) significam ungido — na tradição judaica, reis e autoridades religiosas eram ungidos com óleo sagrado.
Muitos judeus, inclusive autoridades religiosas, não aceitavam Jesus como o Messias. Os romanos também não aceitavam que ele fosse divino, pois para eles só o imperador podia ter essa qualidade. Visto como perigoso pelos dois lados, Jesus foi condenado à morte por crucificação, por volta da terceira década do século I.
Exemplos
Significado das palavras: Messias (hebraico) = ungido; Cristo (grego) = ungido. São a mesma ideia em línguas diferentes.
A Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi construída pelo imperador Constantino no século IV em um dos locais onde se acredita que Jesus tenha sido sepultado.
Por que Jesus foi condenado?
Grupo
Motivo da rejeição
Autoridades judaicas
Não reconheciam Jesus como o Messias esperado
Autoridades romanas
Não aceitavam seu caráter divino; para elas só o imperador podia ser divino
4.1Os cristãos e o Império Romano
Os discípulos acreditavam que Jesus se entregou na cruz para salvar os pecadores e que depois ressuscitou, andou entre eles e subiu aos céus. Essa crença deu esperança aos seguidores, que se espalharam por várias regiões para pregar.
A nova religião cresceu rápido dentro do Império Romano, principalmente entre escravizados e pobres. Isso aconteceu porque o cristianismo dizia que todas as pessoas são iguais e prometia vida eterna a todos, ricos ou pobres.
Os cristãos incomodavam as autoridades porque se recusavam a servir no exército e a participar das cerimônias de adoração ao imperador. Por isso passaram a ser perseguidos e foram proibidos de enterrar seus mortos dentro das cidades.
Como alternativa, construíram as catacumbas: corredores e abrigos subterrâneos, fora dos centros urbanos, usados para sepultar os mortos. Suas paredes costumavam ter afrescos religiosos.
A situação mudou no século IV. Em 313, o imperador Constantino assinou o Édito de Milão, garantindo liberdade de culto aos cristãos (édito é o anúncio de uma lei). Em 380, o imperador Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do império e proibiu as práticas religiosas não cristãs.
Exemplos
A Catacumba de Calisto, em Roma, guarda os túmulos dos papas que lideraram a Igreja entre os séculos II e IV.
A pintura A última oração dos mártires cristãos, de Jean-Léon Gérôme, mostra cristãos orando antes de serem devorados por leões num circo romano — uma forma de perseguição.
Linha do tempo do cristianismo em Roma
Data
Acontecimento
Século I
Nascimento e crucificação de Jesus na Judeia; início da pregação dos discípulos
Séculos I a III
Expansão entre escravizados e pobres; perseguições; uso das catacumbas
313 d.C.
Édito de Milão (Constantino): tolerância e liberdade de culto
380 d.C.
Teodósio torna o cristianismo religião oficial do império
Por que o cristianismo cresceu e por que incomodava
Motivo do crescimento
Motivo do conflito com Roma
Pregava a igualdade entre as pessoas
Cristãos se recusavam a servir no exército
Prometia vida eterna a todos, ricos ou pobres
Não participavam das cerimônias de adoração ao imperador
5Baixo Império: tempos de crise
O Império Romano chegou à sua maior extensão no governo do imperador Trajano, no início do século II. Ia da Península Ibérica (a oeste) até a atual Turquia (a leste): cerca de 6,5 milhões de km², com povos de línguas, hábitos e costumes bem diferentes.
Administrar uma área tão grande virou um problemão. Os gastos eram enormes: exército para proteger as fronteiras, obras públicas em todo o território e estradas para ligar regiões distantes.
Além disso, surgiram problemas internos e externos que enfraqueceram o império até a sua desagregação.
Exemplos
Para você ter ideia do tamanho: 6,5 milhões de km² é quase o tamanho de toda a região Norte do Brasil somada a outras regiões — e tudo isso precisava de soldados, estradas e funcionários.
5.1Crise política
O poder estava todo concentrado nas mãos do imperador. Por isso, muita gente queria tomar esse lugar, mesmo que fosse com intrigas, conspirações e assassinatos.
No século III, entre os anos 235 e 284, houve motins, guerras civis e imperadores depostos ou assassinados por opositores.
Nesse período, cada imperador governou em média apenas três anos. Dos 26 imperadores, só um morreu de causas naturais.
Exemplos
Conta simples: 284 − 235 = 49 anos. Nesse tempo passaram 26 imperadores, ou seja, cerca de 3 anos cada um. Isso mostra a enorme instabilidade política.
5.2Crise econômica e o surgimento dos colonos
Com o fim das guerras de conquista, o número de escravizados caiu muito. Como a produção agrícola dos grandes latifúndios dependia da mão de obra escrava, ela foi bastante afetada.
Para resolver, muitos latifúndios foram divididos em pequenas propriedades arrendadas (alugadas). Quem trabalhava nelas ficou conhecido como colonos — entre eles, trabalhadores urbanos empobrecidos que saíram da cidade em busca de emprego no campo.
Os colonos trabalhavam nas terras do proprietário e precisavam entregar a ele parte da produção. Assim, acabavam devendo favores e proteção e ficavam presos à terra, sem poder ir embora.
Esse processo é chamado de ruralização da economia: cada vez mais gente deixava as cidades e ia para o campo. O comércio e o artesanato urbanos diminuíram e o governo passou a arrecadar menos impostos.
Exemplos
Passo a passo da crise: 1) acabam as guerras de conquista → 2) faltam escravizados → 3) cai a produção nos latifúndios → 4) as terras são divididas e arrendadas aos colonos → 5) pessoas saem das cidades → 6) comércio encolhe → 7) o governo arrecada menos impostos.
Escravizado x Colono
Aspecto
Escravizado
Colono
Condição
Era propriedade do senhor
Era arrendatário (alugava a terra)
Trabalho
Nos grandes latifúndios
Em pequenas propriedades do proprietário
Pagamento
Nenhum
Entregava parte da produção ao proprietário
Liberdade
Não tinha
Ficava preso à terra por dívidas e favores
5.3A divisão do império
Em 284, para tentar governar melhor, o imperador Diocleciano dividiu o território em duas partes: a Oriental, sob seus cuidados, e a Ocidental, entregue ao general Maximiano.
Depois o império foi dividido de novo, dessa vez entre quatro governantes. Esse sistema ficou conhecido como tetrarquia (tetra = quatro), mas não resolveu os problemas.
Veio então um período de guerras civis, que só terminou quando Constantino acabou com a tetrarquia e assumiu o império sozinho. Em 330, ele mudou a capital para o Oriente, para a cidade de Bizâncio. Ele a chamou de Nova Roma, mas ela ficou conhecida como Constantinopla (cidade de Constantino).
A unificação durou 65 anos. Em 395, no governo de Teodósio, o império foi dividido outra vez em duas partes: o Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, e o Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.
Depois da morte de Teodósio, cada parte ficou com um de seus dois filhos, e o império nunca mais foi unificado. A parte ocidental já estava fraca economicamente e sofria invasões dos germanos.
Exemplos
Curiosidade: Constantinopla ficava num ponto estratégico, no encontro da Ásia com a Europa. Esse nome durou até o século XV, quando a cidade foi dominada pelos turco-otomanos e passou a se chamar Istambul (na Turquia).
Divisões do Império Romano
Ano
Quem fez
O que aconteceu
284
Diocleciano
Dividiu o império em Oriental (ele) e Ocidental (Maximiano); depois veio a tetrarquia (4 governantes)
330
Constantino
Acabou com a tetrarquia, governou sozinho e mudou a capital para Bizâncio (Constantinopla)
395
Teodósio
Divisão definitiva: Império Romano do Ocidente (capital Milão) e do Oriente (capital Constantinopla)
6Contatos com os germanos e o fim do Império Romano do Ocidente
Germanos é o nome de um conjunto de povos indo-europeus que falavam línguas de origem comum. Eles viviam em regiões que hoje são a Península Escandinava e a Alemanha.
Entre esses povos estavam os anglo-saxões, godos, ostrogodos, burgúndios, alanos, lombardos, vândalos e francos.
Os romanos chamavam esses povos (e outros que não falavam latim) de bárbaros. Antes, os gregos usavam essa palavra para quem falava línguas que eles não entendiam; os romanos a adotaram de forma ofensiva, para dizer que esses povos não eram civilizados.
Exemplos
Atenção ao significado: bárbaro não quer dizer pessoa má. Era só um apelido pejorativo para quem não falava a língua dos romanos (o latim).
Alguns povos germânicos
Povo
Observação
Anglo-saxões
Ocuparam depois a região da Britânia (Inglaterra)
Visigodos
Ocuparam a Gália e saquearam Roma por volta de 410
Ostrogodos
Povo germânico do leste
Vândalos
Povo germânico; invadiram o império no século V
Francos
Deram origem à população da atual França
Hérulos
Seu rei, Odoacro, derrubou o último imperador romano do Ocidente
6.1Relações entre romanos e germanos
Os contatos entre romanos e germanos são bem antigos e começaram ainda nos tempos da república. Ao longo dos anos, os dois povos se enfrentaram em várias guerras: às vezes os romanos queriam as terras germânicas, às vezes os germanos invadiam o território romano.
Para se proteger, os romanos construíram muralhas e fortificações nas fronteiras.
Muitos germanos capturados nas guerras foram levados a Roma como escravizados e trabalhavam em serviços domésticos ou agrícolas. Outros, querendo a cidadania romana, entravam para o exército.
Nas fronteiras havia também relações amigáveis e trocas comerciais. No século II, os germanos foram até incentivados a entrar no território romano para suprir a falta de mão de obra no campo.
Tudo mudou a partir de 375: os hunos, povo nômade e guerreiro que vivia perto da fronteira da China, avançaram para a Europa e ocuparam territórios germânicos. Pressionados, os germanos passaram a invadir cada vez mais o Império Romano em busca de terras para viver.
Exemplos
Relação boa: comércio nas fronteiras e germanos trabalhando no campo romano. Relação ruim: guerras, germanos escravizados e, depois de 375, invasões em massa.
6.2Roma é dominada
Por volta de 400, os visigodos ocuparam a Gália (atual França) e, dez anos depois, já saqueavam a cidade de Roma. Em 452, os hunos, famosos pela habilidade de seus cavaleiros, invadiram a Península Itálica.
Finalmente, em 476, Rômulo Augusto, o último imperador do Império Romano do Ocidente, foi derrubado por Odoacro, rei dos hérulos, também um povo germânico. O Império Romano do Ocidente caiu.
Ao ocuparem as terras romanas, os germanos se misturaram ainda mais com os romanos. Com o tempo, os dois povos trocaram muitos costumes: houve uma germanização dos romanos e uma romanização dos germanos. Dessa mistura se formou a base de muitos povos europeus de hoje, como alemães, franceses e ingleses.
Como a influência de Roma era gigante e o território era enorme, a desintegração foi lenta. Muitas estruturas romanas continuaram sendo usadas, e só no século IX o comércio romano passou a ter concorrência de outras sociedades.
Enquanto isso, o Império Romano do Oriente (também chamado de Império Bizantino) continuou poderoso e sobreviveu por quase mil anos.
Exemplos
A pintura de Eugène Delacroix (1843-1847) retrata Átila, o Huno, invadindo a Península Itálica.
Uma ilustração do século XIX mostra Rômulo Augusto entregando a coroa a Odoacro, cena que simboliza o fim do Império Romano do Ocidente em 476.
Fatos que levaram à queda do Ocidente
Ano
Acontecimento
375
Hunos avançam sobre os territórios germânicos e pressionam os germanos para dentro do império
c. 400
Visigodos ocupam a Gália
c. 410
Visigodos saqueiam a cidade de Roma
452
Hunos invadem a Península Itálica
476
Odoacro, rei dos hérulos, derruba Rômulo Augusto: fim do Império Romano do Ocidente
Causas da queda do Império Romano do Ocidente
Tipo de causa
Explicação
Política
Disputas pelo poder, guerras civis, imperadores assassinados
Econômica
Fim das conquistas, falta de escravizados, queda da produção e da arrecadação de impostos
Administrativa
Território gigante, caro e difícil de governar; divisões do império
Militar/externa
Invasões germânicas, pressionadas pelos hunos a partir de 375
Social/cultural
Ruralização, esvaziamento das cidades e ascensão do cristianismo
7Ler e descobrir: as rotas comerciais de Roma
O mapa das rotas mostra caminhos terrestres (estradas) e marítimos (pelo mar) usados pelo comércio romano. Cada região fornecia produtos diferentes: metal, vinho, cerâmica, âmbar, grãos, peixe, mármore, óleo e também escravizados.
Um texto da historiadora Marie-Françoise Baslez conta que a rede de estradas criada pelas conquistas foi bem conservada pelos imperadores, que queriam diminuir os efeitos das invasões bárbaras.
Havia até um correio imperial, com cavalos sempre prontos nos abrigos de troca. Um peregrino de Jerusalém contou, no ano 333, que havia um abrigo a cada 18 km. O império também usava rotas pelos rios, com navios-correio chamados cursoria.
E as viagens serviam também para levar a mensagem do cristianismo: no século IV, São Martim, soldado da Panônia (atual Hungria), percorreu o norte da Gália pregando.
Exemplos
Exemplos de produtos por região (segundo o mapa): Hispânia e Bretanha forneciam metal; Gália fornecia vinho; Grécia e Ásia Menor forneciam mármore e óleo; o Egito e a África forneciam grãos.
Importância das rotas: 1) ligavam todo o império; 2) permitiam o deslocamento rápido do exército; 3) facilitavam o comércio; 4) levavam mensagens (correio imperial); 5) espalharam o cristianismo.
Produtos e rotas do Império Romano
Produto
Símbolo no mapa
Exemplo de região
Metal
Círculo amarelo
Hispânia, Bretanha, Mauritânia
Vinho
Losango preto
Gália e Península Itálica
Mármore
Losango branco
Grécia e Ásia Menor
Óleo
Ânfora
Hispânia, Grécia, Egito
Grãos
Espiga
Egito e norte da África
Escravizados
Círculo preto
Várias regiões do império
8Resumo final: o que você precisa saber para a prova
Este capítulo mostrou como Roma passou de república a império, como viveu seu auge e como entrou em crise até cair.
Também explicou o nascimento do cristianismo na Judeia, a perseguição aos cristãos e a transformação dessa religião em oficial do império.
Por fim, apresentou os povos germânicos e as invasões que levaram ao fim do Império Romano do Ocidente em 476.
Exemplos
Dica de memorização de datas: 27 a.C. (Otávio assume) → 180 (fim da Pax Romana) → 284 (Diocleciano divide) → 313 (Édito de Milão) → 330 (Constantinopla) → 380 (cristianismo oficial) → 395 (divisão definitiva) → 476 (queda do Ocidente).
Palavras-chave do capítulo
Termo
Significado
Imperium
Poder de governar e comandar toda a população e os territórios de Roma
Augusto
Título de Otávio; significa majestoso, respeitável, extraordinário
Pax Romana
Era de paz e prosperidade, do governo de Augusto até o ano 180
Legião Romana
Maior divisão do exército romano
Ínsula
Prédio de aluguel onde morava a população pobre
Domus
Casa grande e confortável dos ricos, com atrium e jardim
Termas
Casas de banho públicas, ponto de encontro dos romanos
Triunfo
Desfile de comemoração de vitórias militares
Mare nostrum
Nosso mar: como os romanos chamavam o Mediterrâneo
Evangelhos
Quatro livros da Bíblia sobre a vida de Jesus
Messias / Cristo
Ungido em hebraico e em grego
Catacumbas
Corredores subterrâneos onde os cristãos sepultavam seus mortos
Édito
Anúncio de uma lei
Colonos
Trabalhadores que arrendavam terras e entregavam parte da produção
Tetrarquia
Governo do império dividido entre quatro governantes
Bárbaros
Nome pejorativo dado pelos romanos a quem não falava latim
Personagens importantes
Nome
O que fez
Caio Otávio (Augusto)
Primeiro imperador; iniciou o Alto Império e a Pax Romana
Trajano
Império atinge sua maior extensão (início do século II)
Diocleciano
Dividiu o império em 284 e criou a tetrarquia
Constantino
Édito de Milão (313) e transferência da capital para Constantinopla (330)
Teodósio
Tornou o cristianismo religião oficial (380); divisão definitiva do império (395)
Rômulo Augusto
Último imperador do Ocidente, deposto em 476
Odoacro
Rei dos hérulos que derrubou Rômulo Augusto
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Exercícios
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Todo poder ao imperador e o conceito de império
1Múltipla escolha
Na república romana, o poder era dividido entre Magistraturas, Assembleias e Senado. A partir de 27 a.C., com Otávio no governo, essa divisão foi mudando. Assinale a alternativa que descreve corretamente o que aconteceu com essas instituições durante o Império.
Resposta
Alternativa b) Elas continuaram existindo, mas perderam força: o cônsul virou só um título de honra e o Senado foi reduzido a um conselho municipal.
Resolução passo a passo
Na república, o poder era repartido entre três grupos: as Magistraturas, as Assembleias e o Senado. Ninguém mandava sozinho.
Quando Otávio assumiu o governo, em 27 a.C., ele foi esperto: não acabou com essas instituições. Ele deixou tudo aparentemente igual, mas foi tirando o poder de cada uma delas.
O resultado foi que o cargo de cônsul virou apenas uma honraria (um título bonito, sem mando de verdade) e o Senado ficou parecido com um conselho que só cuidava de assuntos da cidade. Todo o poder de decisão passou para o imperador.
Por isso a letra b está certa. A letra a erra porque nada foi extinto de um dia para o outro; a c erra porque o imperador é que mandava; e a d fala de generais germânicos, que só aparecem séculos depois.
2Dissertativo
Explique, com suas palavras, o que os historiadores querem dizer quando chamam uma sociedade de império. Cite pelo menos duas características desse tipo de organização.
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Resposta
Império é um Estado grande, que domina vários povos e territórios ao mesmo tempo, sob o comando de um poder central (o imperador). Duas características: o poder concentrado nas mãos de uma só pessoa e o domínio sobre povos conquistados, que pagam tributos e recebem as leis, a língua e os costumes do dominador.
Resolução passo a passo
Primeiro, pense no tamanho. Quando os historiadores falam em império, eles estão falando de um território enorme, formado por muitas regiões diferentes que foram conquistadas ou anexadas.
Segundo, pense em quem manda. Num império, o poder é centralizado: existe um governante (ou um pequeno grupo) que decide por todos, como o imperador em Roma.
Terceiro, pense na relação com os povos dominados. Eles perdem a autonomia, pagam tributos (impostos) e costumam receber a língua, as leis e a cultura do povo dominador. Em Roma, isso aconteceu com gauleses, egípcios, hispânicos e muitos outros.
Um exemplo para fechar a resposta: Roma cobrava trigo do Egito, mandava soldados para a Britânia e espalhava o latim por todos os cantos — tudo isso é comportamento de império.
3Dissertativo
A palavra latina imperium mudou de sentido ao longo da história de Roma. Escreva o que ela significava no período monárquico, no período republicano e no período imperial.
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Resposta
Na monarquia, imperium era o poder de mando do rei, que reunia autoridade militar, judicial e religiosa. Na república, era o poder de comando entregue temporariamente aos magistrados (cônsules, pretores, generais), principalmente sobre o exército. No período imperial, passou a significar o poder supremo e permanente do imperador sobre todo o território romano — e também o próprio território dominado.
Resolução passo a passo
Vamos por etapas, seguindo os três períodos da história de Roma.
Monarquia (até 509 a.C.): imperium era o poder de mando do rei. Ele comandava o exército, julgava e cuidava dos rituais religiosos. Era um poder só dele.
República (509 a.C. – 27 a.C.): o imperium não desapareceu, mas foi dividido e passou a ser temporário. Os magistrados eleitos, como os cônsules, recebiam esse poder de comando por um tempo limitado, sobretudo para dirigir as tropas.
Império (a partir de 27 a.C.): o imperium se concentrou de novo em uma só pessoa, o imperador, agora de forma permanente. A palavra passou a nomear também o próprio conjunto de terras dominadas — é daí que vem a palavra império que usamos hoje.
Perceba o movimento: o poder sai das mãos de um (rei), se espalha (república) e volta a se concentrar em um (imperador).
4Verdadeiro ou falso
Leia as afirmações e escreva V para verdadeiro e F para falso.
O Alto Império vai do final do século I a.C. ao século III d.C. e é o período de esplendor de Roma.
O Baixo Império vai do século III d.C. ao século V d.C. e é marcado por crises.
O Império Romano alcançou sua maior extensão no século V d.C.
Em 23 a.C., Caio Otávio deu a si mesmo poderes proconsulares e se declarou autoridade suprema sobre todo o território romano.
Resposta
V – V – F – V
Resolução passo a passo
1ª afirmação (V): o Alto Império vai mesmo do fim do século I a.C. até o século III d.C. É a fase de maior riqueza, expansão e organização de Roma.
2ª afirmação (V): o Baixo Império vai do século III ao século V d.C. e é marcado por crises políticas, econômicas e pelas invasões.
3ª afirmação (F): a maior extensão do império aconteceu no século II d.C., no governo de Trajano, e não no século V. No século V o império já estava encolhendo e se desfazendo.
4ª afirmação (V): em 23 a.C., Caio Otávio recebeu poderes proconsulares e passou a ser a autoridade máxima sobre todas as províncias romanas.
5Calcule
Otávio assumiu o governo em 27 a.C. e recebeu os poderes proconsulares em 23 a.C. Quantos anos se passaram entre esses dois acontecimentos? Mostre a conta.
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Resposta
Passaram-se 4 anos. Conta: 27 − 23 = 4.
Resolução passo a passo
Atenção a um detalhe importante: as duas datas são antes de Cristo (a.C.). Nos anos a.C., a contagem vai de trás para frente: 27 a.C. vem antes de 23 a.C.
Para achar a diferença, basta subtrair o número menor do número maior: 27 − 23 = 4
Resposta: entre assumir o governo (27 a.C.) e receber os poderes proconsulares (23 a.C.) passaram-se 4 anos.
Dica para conferir: 27 a.C. → 26 → 25 → 24 → 23 a.C. São quatro passos de um ano cada.
Alto Império e a Pax Romana
6Múltipla escolha
O título de Augusto, dado a Caio Otávio, significa majestoso, respeitável, extraordinário. Ele também era chamado de Filho do Divino. O que esses títulos mostram sobre a figura do imperador romano?
Resposta
Alternativa c) Que o imperador se tornou uma figura muito poderosa e teve seu poder associado aos deuses.
Resolução passo a passo
Repare no significado das palavras. Augusto quer dizer majestoso, respeitável, extraordinário — ou seja, alguém acima dos outros.
Agora veja o outro título: Filho do Divino. Ele ligava Otávio a Júlio César, que havia sido transformado em deus depois de morto. Assim, o imperador ficava parecido com uma figura sagrada.
Juntando as duas coisas, fica claro que esses títulos serviam para mostrar que o imperador não era um cidadão comum: seu poder vinha ligado aos deuses, o que aumentava o respeito e o medo que as pessoas sentiam por ele.
Por isso as outras opções estão erradas: ele não era igual aos outros (a), tinha mais poder que os senadores (b) e não era escolhido por voto popular (d).
7Dissertativo
Cite três reformas realizadas por Augusto durante seu governo e explique como elas ajudaram a diminuir a insatisfação da população romana.
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Resposta
Três exemplos: (1) distribuição de terras aos soldados veteranos; (2) distribuição gratuita de alimentos, como o trigo, à população pobre da cidade; (3) grandes obras públicas (templos, estradas, aquedutos, banhos), que embelezaram Roma e geraram trabalho. Ele também combateu a corrupção, afastando senadores acusados de desvios. Essas medidas atendiam a necessidades básicas do povo e mostravam um governante preocupado com todos, reduzindo as revoltas e aumentando o apoio ao imperador.
Resolução passo a passo
Comece lembrando o problema: depois de anos de guerras civis, o povo estava cansado, com fome e desconfiado dos governantes. Augusto precisava conquistar apoio.
Reforma 1 – terras para os veteranos. Soldados que voltavam da guerra sem nada podiam se revoltar. Dando-lhes terras, Augusto garantia a lealdade do exército e evitava conflitos.
Reforma 2 – alimentos para os pobres. Roma tinha muita gente desempregada. A distribuição de trigo matava a fome e acalmava a população da cidade.
Reforma 3 – obras públicas. Templos, aquedutos, estradas e termas deixavam a cidade melhor, davam emprego e mostravam a grandeza do governo. Augusto dizia ter recebido uma Roma de tijolos e deixado uma Roma de mármore.
Somando tudo, mais o combate à corrupção no Senado, o povo passou a ver Augusto como um bom governante — e quem está satisfeito reclama menos.
8Dissertativo
O período conhecido como Pax Romana terminou no ano 180. Explique o que caracterizou esse período e por que ele foi importante para o Império Romano.
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Resposta
A Pax Romana ("Paz Romana") foi um longo período, iniciado com Augusto e encerrado em 180, em que o império viveu relativa paz interna, sem grandes guerras civis. Foi importante porque, com estabilidade, o comércio cresceu, as estradas e cidades se multiplicaram, as artes e a cultura floresceram e o governo pôde organizar melhor as províncias.
Resolução passo a passo
Primeiro, entenda o nome. Pax em latim significa paz. A Pax Romana foi o tempo em que as brigas internas diminuíram e as fronteiras ficaram mais protegidas pelo exército.
Segundo, veja o que muda quando há paz. Sem guerras civis, os comerciantes viajam com segurança, as rotas do Mediterrâneo funcionam e os produtos circulam entre as províncias.
Terceiro, pense nos efeitos. Cidades cresceram, aquedutos e estradas foram construídos, a arte, a literatura e a arquitetura se desenvolveram. O latim e os costumes romanos se espalharam.
Por último, atenção ao "relativa". Não era uma paz perfeita: ainda havia conflitos nas fronteiras e revoltas em províncias. Mas, comparado ao caos anterior, foi um período de estabilidade e prosperidade que terminou em 180.
9Múltipla escolha
Augusto dividiu o vasto território romano em províncias. A quem ele entregou o controle dessas regiões?
Resposta
Alternativa b) A pessoas de sua confiança, os procônsules e os propretores.
Resolução passo a passo
O território romano era gigantesco. Para administrá-lo, Augusto o dividiu em províncias, que eram como grandes regiões administrativas.
Mas ele não podia estar em todos os lugares. Então escolheu homens de sua confiança para governar cada província em seu nome: os procônsules e os propretores.
Esses governadores cobravam impostos, mantinham a ordem, comandavam tropas e respondiam ao imperador. Assim Augusto controlava tudo à distância.
As outras alternativas não fazem sentido: chefes germânicos eram vistos como estrangeiros, gladiadores eram lutadores de espetáculo e bispos cristãos só ganhariam influência muito depois.
10Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso sobre o Alto Império.
Augusto só resolvia conflitos pela guerra e nunca usou a diplomacia.
A Legião Romana era a maior divisão do exército e conquistou novas terras.
O Império Romano chegou à sua máxima extensão no início do século
II)Augusto destituiu senadores acusados de corrupção.
Resposta
F – V – V – V
Resolução passo a passo
1ª (F): Augusto usou sim a diplomacia, isto é, a negociação. O melhor exemplo é o acordo com os partas, feito sem guerra.
2ª (V): a Legião Romana era a maior divisão do exército de Roma e foi responsável por conquistar e defender territórios.
3ª (V): a máxima extensão do império ocorreu no início do século II, no governo de Trajano, com cerca de 6,5 milhões de km².
4ª (V): Augusto afastou do Senado senadores acusados de corrupção, como parte de suas reformas para melhorar a imagem do governo.
11Calcule
Augusto assumiu o governo aos 36 anos e governou por quase quatro décadas. Se ele tivesse governado exatamente 40 anos, com quantos anos de idade estaria ao final do governo? Mostre o cálculo.
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Resposta
Ele estaria com 76 anos. Conta: 36 + 40 = 76.
Resolução passo a passo
O exercício dá a idade em que Augusto assumiu: 36 anos.
Depois pede para imaginar um governo de exatamente 40 anos. Como o tempo passa para todo mundo, basta somar os anos de governo à idade inicial.
36 + 40 = 76
Resposta: ao fim de 40 anos de governo, Augusto estaria com 76 anos de idade.
12Dissertativo
Em 53 a.C., o general Crasso invadiu o Império Parta sem autorização do Senado e Roma sofreu uma grande derrota. Décadas depois, Augusto resolveu o problema de outra forma. Explique o que Augusto queria recuperar e qual caminho ele escolheu para conseguir isso.
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Resposta
Augusto queria recuperar os estandartes (as insígnias militares com a águia romana) e os prisioneiros perdidos por Crasso na derrota de 53 a.C. Em vez de atacar, escolheu o caminho da diplomacia: negociou um acordo de paz com o rei parta e conseguiu de volta os símbolos e os soldados capturados, sem guerra.
Resolução passo a passo
Comece pelo problema. Em 53 a.C., Crasso invadiu o território parta por conta própria e foi derrotado. Os partas ficaram com os estandartes romanos — bandeiras com a águia dourada, que eram o símbolo de honra das legiões — e com muitos prisioneiros.
Para os romanos, perder o estandarte era a maior vergonha possível. Recuperá-lo virou uma questão de honra nacional.
Augusto podia mandar um novo exército, mas isso custaria caro e poderia terminar em outra derrota. Ele escolheu negociar: fez acordos com o rei parta e obteve a devolução dos estandartes e dos prisioneiros em 20 a.C.
Essa vitória sem batalha foi tão celebrada que virou arte: aparece esculpida na couraça da estátua Augusto de Prima Porta.
13Múltipla escolha
A estátua Augusto de Prima Porta está cheia de símbolos. Qual cena esculpida na couraça lembra a vitória diplomática de Augusto sobre os partas?
Resposta
Alternativa b) Um parta devolvendo um estandarte romano com a águia dourada.
Resolução passo a passo
A estátua Augusto de Prima Porta funciona como uma propaganda em pedra: cada figura da couraça conta algo sobre o governo dele.
No centro da couraça aparece um homem vestido como parta entregando um estandarte (a insígnia com a águia) a um representante de Roma.
Essa cena lembra exatamente o acordo diplomático de 20 a.C., quando Augusto recuperou os símbolos perdidos por Crasso — sem precisar de guerra.
As outras figuras citadas (o deus Sol, Eros, a deusa Ceres) até existem na obra ou na arte romana, mas não representam a vitória sobre os partas.
Moradia, lazer e o Mar Mediterrâneo
14Dissertativo
Compare as ínsulas e os domus. Escreva pelo menos três diferenças entre esses dois tipos de moradia e diga quem morava em cada um deles.
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Resposta
As ínsulas eram prédios de vários andares (até seis), apertados, feitos nos andares altos com materiais frágeis (madeira, argila, palha), sem cozinha nem banheiro, com risco de incêndio e desabamento; nelas moravam os plebeus, os pobres e os trabalhadores. Os domus eram casas térreas, amplas e confortáveis, com pátio interno, jardim, água, mosaicos e pinturas; neles moravam as famílias ricas (patrícios e grandes comerciantes), com seus escravizados.
Resolução passo a passo
Vamos comparar por partes.
1) Tamanho e formato. A ínsula era um prédio coletivo de até seis andares, com muitas famílias amontoadas. O domus era uma casa só para uma família, espalhada no térreo, com cômodos ao redor de um pátio.
2) Conforto e materiais. Na ínsula, os andares de cima eram feitos de madeira, argila e palha; não havia cozinha nem banheiro, e a água precisava ser buscada na rua. No domus havia atrium, jardim, mosaicos, pinturas nas paredes e acesso à água.
3) Segurança. As ínsulas pegavam fogo e desabavam com frequência. O domus, construído com materiais melhores, era bem mais seguro.
4) Quem morava.Ínsulas: gente pobre, plebeus, trabalhadores da cidade. Domus: famílias ricas, que ainda contavam com o trabalho de pessoas escravizadas.
15Múltipla escolha
Sobre as ínsulas romanas, assinale a alternativa incorreta.
Resposta
Alternativa d) Tinham água encanada e sistema de esgoto em todos os andares. (Essa é a afirmação INCORRETA.)
Resolução passo a passo
A questão pede a alternativa errada, então precisamos achar a informação falsa.
A letra a está certa: as ínsulas chegavam a seis andares e normalmente não tinham cozinha nem banheiro.
A letra b está certa: quanto mais alto o andar, mais frágeis os materiais — argila, palha e madeira.
A letra c está certa: por causa desses materiais e das lamparinas de óleo, incêndios e desabamentos eram comuns.
A letra d é a falsa: água encanada e esgoto existiam em poucos lugares, como os domus ricos e prédios térreos. Nos andares altos das ínsulas, as pessoas carregavam água e jogavam os dejetos fora. Resposta: d.
16Múltipla escolha
No domus, havia uma sala ampla chamada atrium, com uma abertura no telhado e um tanque embaixo dela. Para que servia essa abertura com o tanque?
Resposta
Alternativa a) Para recolher a água da chuva.
Resolução passo a passo
No domus, o atrium era a sala principal, logo depois da entrada.
No telhado havia uma abertura chamada compluvium, e bem embaixo dela um tanque raso chamado impluvium.
Quando chovia, a água escorria pelo telhado inclinado, passava pela abertura e caía no tanque. Essa água era guardada e usada nas tarefas da casa.
De quebra, a abertura ainda deixava entrar luz e ar, iluminando a casa. As outras alternativas não têm relação com a função desse conjunto.
17Dissertativo
Explique o que eram os triunfos e as termas e mostre por que eles eram importantes no dia a dia dos romanos.
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Resposta
Os triunfos eram grandes desfiles de comemoração das vitórias militares: o general vitorioso entrava em Roma com soldados, prisioneiros e riquezas conquistadas, diante de uma multidão. As termas eram os banhos públicos, com piscinas de água quente, morna e fria, além de jardins, bibliotecas e áreas de exercício. Ambos eram importantes porque ofereciam lazer gratuito ou barato, reuniam pessoas de várias camadas sociais e serviam para mostrar a força e a generosidade do Estado e do imperador, mantendo o povo satisfeito.
Resolução passo a passo
Primeiro, os triunfos. Imagine um desfile enorme: soldados, carroças cheias de tesouros, prisioneiros acorrentados e o general no carro. Tudo isso passava pelas ruas de Roma.
Para que servia? Para celebrar a conquista, agradecer aos deuses e, principalmente, mostrar ao povo o poder de Roma e de seu comandante.
Agora, as termas. Eram banhos públicos gigantes, com piscinas de temperaturas diferentes, salas de massagem, jardins, bibliotecas e espaço para esportes.
Mas o banho era só parte da história: ali as pessoas conversavam, faziam negócios, discutiam política e encontravam amigos. Eram o grande ponto de encontro da cidade.
Juntando os dois, percebemos uma estratégia: oferecer lazer ao povo ajudava o governo a manter a população contente e a fortalecer a imagem do imperador.
18Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso.
No final do Período Republicano existiam 160 balneários em Roma; no século IV já eram mais de mil.
Nas termas só era possível tomar banho, nada mais.
Os romanos chamavam o Mar Mediterrâneo de mare nostrum, que significa nosso mar.
As rotas do Mediterrâneo serviam apenas para o comércio, sem nenhuma troca cultural.
Resposta
V – F – V – F
Resolução passo a passo
1ª (V): no fim do Período Republicano havia cerca de 160 balneários em Roma e, no século IV, mais de mil. O número mostra como o hábito do banho público cresceu.
2ª (F): nas termas as pessoas faziam muito mais do que tomar banho — praticavam exercícios, liam, conversavam e faziam negócios.
3ª (V): os romanos chamavam o Mediterrâneo de mare nostrum, que significa mesmo nosso mar, porque dominavam todas as suas margens.
4ª (F): pelas rotas do Mediterrâneo circulavam produtos, mas também ideias, religiões, línguas e costumes. Houve muita troca cultural.
19Dissertativo
Por que o controle do Mar Mediterrâneo foi tão importante para a prosperidade do Império Romano? Cite um efeito econômico e um efeito cultural desse domínio.
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Resposta
Porque o Mediterrâneo era o grande caminho que ligava todas as províncias: por ele chegavam os alimentos e produtos que abasteciam Roma e viajavam os exércitos. Efeito econômico: o comércio cresceu e a cidade recebeu trigo do Egito, azeite e metais da Hispânia, vinho da Gália, deixando o império rico. Efeito cultural: junto com as mercadorias circulavam ideias, religiões, línguas e costumes — o latim se espalhou e o cristianismo pôde se difundir.
Resolução passo a passo
Pense no mapa: o Mediterrâneo fica bem no meio do império, cercado por terras romanas na Europa, na Ásia e na África. Por isso os romanos o chamavam de mare nostrum.
Naquela época, viajar por água era mais rápido e mais barato do que por terra. Um navio carregava muito mais carga do que dezenas de carroças.
Efeito econômico: Roma, com cerca de 1 milhão de habitantes, dependia do que chegava de fora. O trigo egípcio alimentava a cidade; azeite, vinho, metais e tecidos vinham de outras províncias. O comércio gerava impostos e riqueza.
Efeito cultural: quem viaja leva junto suas crenças e costumes. Assim o latim, a arquitetura, as leis romanas e, mais tarde, o cristianismo se espalharam de uma ponta à outra do império.
Controlar esse mar, portanto, era controlar a comida, o dinheiro e as ideias do império.
20Calcule
No início do século I, Roma tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Imagine que 3 em cada 4 pessoas moravam em ínsulas. Quantas pessoas morariam nesses prédios? Mostre o cálculo.
Passo 2 – multiplicar por 3, porque queremos três quartos: 250 000 × 3 = 750 000
Resposta: cerca de 750 000 pessoas morariam em ínsulas. Os outros 250 000 (1 quarto) estariam em domus ou outras moradias — o que mostra que a maioria da população vivia nos prédios pobres e apertados.
O cristianismo e os cristãos no Império Romano
21Múltipla escolha
As palavras Messias (hebraico) e Cristo (grego) têm o mesmo significado. Qual é ele?
Resposta
Alternativa b) Ungido.
Resolução passo a passo
Messias vem do hebraico e Cristo vem do grego, mas as duas palavras traduzem a mesma ideia: ungido.
Ungir era um antigo costume: passava-se óleo sagrado na cabeça de alguém para mostrar que aquela pessoa havia sido escolhida por Deus para uma missão especial, como reis e sacerdotes.
Por isso, quando os seguidores chamavam Jesus de Cristo, estavam dizendo Jesus, o ungido, o escolhido.
As demais opções (guerreiro, imperador, carpinteiro) não correspondem ao significado da palavra.
22Dissertativo
Os evangelhos são os textos que contam de forma mais próxima a vida de Jesus. Explique o que são esses livros e quem teriam sido seus autores.
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Resposta
Os evangelhos são quatro livros que narram a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus. São atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João, discípulos ou seguidores próximos dos apóstolos. Eles foram escritos em grego, décadas depois da morte de Jesus, a partir de relatos que antes eram transmitidos oralmente.
Resolução passo a passo
Comece pelo nome: evangelho quer dizer boa-nova, ou seja, boa notícia. Era a notícia da salvação anunciada por Jesus.
Esses textos formam a parte inicial do Novo Testamento e são a principal fonte sobre a vida de Jesus, já que ele mesmo não deixou nada escrito.
A tradição atribui a autoria a quatro nomes: Mateus, Marcos, Lucas e João. Mateus e João seriam discípulos diretos; Marcos e Lucas, companheiros dos apóstolos.
Um detalhe importante para o historiador: eles foram escritos décadas depois dos acontecimentos, com base em histórias contadas de boca em boca. Por isso, contam a fé dos primeiros cristãos, e não uma reportagem feita na hora.
23Múltipla escolha
Por que os romanos não aceitavam o caráter divino de Jesus?
Resposta
Alternativa b) Porque, para eles, apenas o imperador poderia ter essa qualidade.
Resolução passo a passo
Em Roma, o imperador era tratado como figura sagrada e recebia culto: as pessoas deviam fazer oferendas em sua honra.
Quando os cristãos diziam que Jesus era o filho de Deus e se recusavam a adorar o imperador, isso soava como desobediência e até traição ao Estado.
Ou seja, o problema não era religioso apenas: era político. Aceitar outro ser divino acima do imperador enfraquecia a autoridade dele.
As outras alternativas estão erradas: os romanos tinham muitos deuses (a), Jesus não era general parta (c) e não foi escolhido pelo Senado (d).
24Dissertativo
O cristianismo conquistou muitos seguidores entre os escravizados e as pessoas mais pobres do Império. Cite um motivo que explica essa rápida expansão e diga como as autoridades romanas reagiram a ela.
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Resposta
O cristianismo cresceu rápido entre pobres e escravizados porque pregava a igualdade entre todos diante de Deus, o amor ao próximo e a promessa de salvação e de uma vida melhor após a morte — uma esperança para quem sofria. As autoridades romanas reagiram com perseguição: proibiram o culto, prenderam, torturaram e mataram cristãos, que passaram a se reunir escondidos, como nas catacumbas.
Resolução passo a passo
Primeiro, pense em quem eram essas pessoas: escravizados e pobres viviam sem direitos, sem esperança de melhorar de vida.
Agora veja a mensagem cristã: diante de Deus, todos são iguais, ricos e pobres, livres e escravizados. Quem sofre agora terá consolo. Para quem estava no fundo da sociedade, isso era muito atraente.
Outro ponto importante: as comunidades cristãs ajudavam seus membros, dividindo comida e cuidando dos doentes. Isso criava acolhimento.
E a reação de Roma? Como os cristãos se recusavam a cultuar o imperador, foram vistos como inimigos do Estado. Vieram as perseguições, com prisões e execuções, até que o cenário mudou com o Edito de Milão, em 313.
25Dissertativo
Explique o que eram as catacumbas e por que os cristãos passaram a usá-las.
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Resposta
As catacumbas eram galerias subterrâneas cavadas fora dos muros das cidades, usadas para enterrar os mortos. Os cristãos passaram a usá-las como cemitério e também como lugar secreto de reunião e culto, porque, durante as perseguições, não podiam praticar sua religião abertamente.
Resolução passo a passo
Imagine túneis estreitos cavados na rocha macia, com nichos nas paredes onde os corpos eram colocados. Isso era uma catacumba.
Por que ficavam fora da cidade? Porque a lei romana proibia enterros dentro dos muros, por questão de higiene.
Os cristãos, que acreditavam na ressurreição, faziam questão de enterrar seus mortos (em vez de cremá-los, como muitos romanos). Então usavam bastante esses espaços.
Durante as perseguições, as catacumbas ganharam outra função: eram lugares escondidos, onde os fiéis podiam rezar, celebrar e honrar os mártires longe dos olhos das autoridades. Nas paredes, eles deixaram pinturas e símbolos, como o peixe e o pastor.
26Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso sobre a relação entre cristãos e o Estado romano.
Os cristãos incomodavam as autoridades porque se recusavam a servir no exército e a adorar o imperador.
Em 313, o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, que garantiu liberdade de culto aos cristãos.
Em 380, o imperador Teodósio declarou o cristianismo religião oficial do Império Romano.
O cristianismo foi aceito pelos romanos desde o primeiro momento em que surgiu.
Resposta
V – V – V – F
Resolução passo a passo
1ª (V): os cristãos recusavam o culto ao imperador e muitos se negavam a servir no exército, o que era visto como desobediência ao Estado.
2ª (V): em 313, Constantino assinou o Edito de Milão, que garantiu liberdade de culto aos cristãos e encerrou as perseguições oficiais.
3ª (V): em 380, Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano.
4ª (F): o cristianismo não foi aceito desde o início. Antes de 313, os cristãos foram perseguidos por quase três séculos.
27Calcule
Jesus foi condenado à morte por volta da terceira década do século I. Quantos anos se passaram, aproximadamente, entre a morte de Jesus (por volta do ano 30) e o Edito de Milão (313)? E até o cristianismo virar religião oficial (380)? Mostre as contas.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Até o Edito de Milão: 313 − 30 = 283 anos. Até o cristianismo virar religião oficial: 380 − 30 = 350 anos.
Resolução passo a passo
Aqui todas as datas são depois de Cristo (d.C.), então a contagem é normal: basta subtrair a data mais antiga da mais recente.
Cálculo 1 – da morte de Jesus ao Edito de Milão: 313 − 30 = 283 anos
Cálculo 2 – da morte de Jesus até o cristianismo virar religião oficial: 380 − 30 = 350 anos
Uma reflexão final: foram quase três séculos de perseguição até a liberdade de culto e três séculos e meio até a religião oficial. Isso mostra que a transformação do cristianismo em religião do império foi lenta.
Baixo Império: crises e divisão do império
28Múltipla escolha
O Império Romano atingiu sua maior extensão no governo de um imperador, no início do século II, chegando a cerca de 6,5 milhões de quilômetros quadrados. Quem foi esse imperador?
Resposta
Alternativa b) Trajano.
Resolução passo a passo
O império não parou de crescer com Augusto. Ele continuou se expandindo durante o Alto Império.
O ponto máximo aconteceu no início do século II, no governo de Trajano, que conquistou a Dácia (atual Romênia) e terras no Oriente.
Nesse momento, o território chegou a cerca de 6,5 milhões de km², banhando três continentes.
As outras opções não servem: Augusto é do século I a.C., Diocleciano governou na crise do século III e Teodósio dividiu o império em 395.
29Dissertativo
Entre 235 e 284, Roma viveu uma grave crise política. Explique como era o cenário político nesse período, citando dados sobre os imperadores dessa época.
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Resposta
Foi um período de anarquia militar: em cerca de 50 anos (235–284), o império teve dezenas de imperadores, a maioria aclamada pelas legiões e não escolhida pelo Senado. Os governos duravam poucos meses ou poucos anos, e quase todos os imperadores morreram assassinados ou em combate. A disputa entre generais gerou guerras civis, enfraqueceu as fronteiras e agravou a crise econômica.
Resolução passo a passo
Primeiro, olhe para os números: entre 235 e 284 são quase 50 anos, e nesse tempo passaram pelo trono cerca de duas dezenas de imperadores reconhecidos — sem contar muitos outros proclamados em províncias.
Agora, quem os escolhia? Não era mais o Senado, e sim o exército. Cada legião aclamava seu general como imperador, na esperança de receber recompensas.
O resultado era previsível: governos curtíssimos, golpes e assassinatos. Poucos imperadores morreram de causas naturais.
As consequências foram graves: guerras civis internas, fronteiras desprotegidas (facilitando invasões), aumento de impostos para pagar os soldados e desvalorização das moedas. Por isso esse período é chamado de crise do século III.
30Dissertativo
Quem eram os colonos que surgiram na área rural de Roma a partir do século III? Explique como viviam e por que ficavam presos à terra.
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Resposta
Os colonos eram trabalhadores livres e pobres que recebiam um pedaço de terra de um grande proprietário para cultivar, entregando em troca parte da colheita ou pagando aluguel. Viviam no campo, junto com a família, produzindo o próprio sustento. Ficavam presos à terra porque se endividavam com o dono e porque as leis romanas passaram a proibir que abandonassem a propriedade onde trabalhavam.
Resolução passo a passo
Comece pela causa. Com o fim das guerras de conquista, chegavam poucos escravizados novos. Os grandes latifúndios ficaram sem mão de obra suficiente.
A solução dos proprietários foi dividir as terras em lotes e entregá-los a pessoas livres empobrecidas: os colonos.
Como funcionava? O colono cultivava o lote, ficava com uma parte da produção para viver e entregava a outra parte ao dono. Era um acordo, não escravidão.
Mas, na prática, ele acabava preso à terra: as colheitas ruins geravam dívidas e, a partir do século IV, leis proibiram que os colonos deixassem a propriedade. Os filhos herdavam essa condição.
Esse modelo é muito parecido com o que existiria depois na Idade Média, com os servos dos feudos.
31Múltipla escolha
O fim das guerras de conquista provocou uma reação em cadeia na economia romana. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Resposta
Alternativa b) Menos guerras → menos escravizados → queda da produção nos latifúndios → divisão das terras e surgimento dos colonos.
Resolução passo a passo
Vamos montar a corrente de causas e efeitos.
1) Roma para de conquistar novos territórios. Menos guerras.
2) Como os escravizados vinham principalmente dos prisioneiros de guerra, a entrada de mão de obra escrava diminui muito.
3) Sem trabalhadores suficientes, a produção nos grandes latifúndios cai.
4) Para não deixar a terra parada, os proprietários dividem as propriedades em lotes e os entregam a trabalhadores livres pobres: nascem os colonos.
A letra b reproduz exatamente essa sequência. As outras invertem as causas ou inventam efeitos que não aconteceram.
32Dissertativo
Explique o que foi a tetrarquia criada a partir do governo de Diocleciano e diga se ela resolveu os problemas do império.
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Resposta
A tetrarquia (governo de quatro) foi o sistema criado por Diocleciano em que o império passou a ser governado por quatro pessoas: dois Augustos (um no Oriente e outro no Ocidente) e dois Césares, auxiliares e futuros sucessores. O objetivo era administrar melhor o território e defender as fronteiras. Ela trouxe alívio por um tempo, mas não resolveu os problemas: assim que Diocleciano deixou o poder, os quatro governantes começaram a disputar o trono, e novas guerras civis estouraram, até Constantino reunificar o império.
Resolução passo a passo
Primeiro, o problema: o império era imenso, as fronteiras eram atacadas e um só governante não dava conta.
A ideia de Diocleciano (a partir de 284) foi dividir a administração. O território foi repartido em parte Oriental e parte Ocidental, cada uma com um Augusto no comando.
Cada Augusto ganhou um ajudante, o César, que deveria sucedê-lo. Quatro governantes ao todo — por isso tetra (quatro) + arquia (governo).
Funcionou? Em parte. A defesa das fronteiras melhorou e a administração ficou mais ágil por alguns anos.
Mas não durou. Sem Diocleciano, a ambição falou mais alto: os tetrarcas guerrearam entre si. Constantino venceu a disputa, acabou com a tetrarquia e reunificou o império em 324 — embora a divisão voltasse de vez em 395.
33Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso.
Em 284, Diocleciano dividiu o território romano em duas partes: Oriental e Ocidental.
Constantino pôs fim à tetrarquia e, em 330, transferiu a capital para Bizâncio, que ficou conhecida como Constantinopla.
Em 395, sob Teodósio, o império estava dividido em Império Romano do Ocidente (capital em Milão) e do Oriente (capital em Constantinopla).
Depois da morte de Teodósio, o Império Romano foi unificado de novo e permaneceu assim por séculos.
Resposta
V – V – V – F
Resolução passo a passo
1ª (V): em 284, Diocleciano dividiu a administração do território em duas partes, Oriental e Ocidental.
2ª (V): Constantino encerrou a tetrarquia e, em 330, transferiu a capital para a cidade de Bizâncio, rebatizada de Constantinopla.
3ª (V): em 395, com a morte de Teodósio, o império ficou dividido entre o Império Romano do Ocidente (capital em Milão) e o do Oriente (capital em Constantinopla).
4ª (F): depois de Teodósio o império nunca mais foi reunificado. A divisão de 395 foi definitiva.
34Calcule
A unificação do império feita por Constantino durou 65 anos e terminou em 395. Em que ano ela começou? Depois, calcule quantos anos se passaram entre a divisão de Diocleciano (284) e a divisão definitiva (395). Mostre as contas.
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Resposta
A unificação começou em 330 (395 − 65 = 330). Entre a divisão de Diocleciano (284) e a divisão definitiva (395) passaram-se 111 anos (395 − 284 = 111).
Resolução passo a passo
Parte 1 – descobrir o ano de início. Sabemos que a unificação terminou em 395 e durou 65 anos. Se durou 65 anos e acabou em 395, ela começou 65 anos antes: 395 − 65 = 330
Observe que 330 é justamente o ano em que Constantino transferiu a capital para Constantinopla. As contas batem com a história!
Parte 2 – tempo entre as duas divisões. A primeira divisão administrativa foi em 284 e a definitiva em 395: 395 − 284 = 111 anos
Resposta final: início em 330 e 111 anos entre uma divisão e outra.
Germanos, invasões e a queda do Império Romano do Ocidente
35Dissertativo
Os romanos chamavam de bárbaros os povos que não falavam latim. Explique de onde vem esse termo e por que ele era usado de forma pejorativa (ofensiva).
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Resposta
O termo bárbaro vem do grego bárbaros, usado para quem não falava grego: para os gregos, a fala desses estrangeiros soava como bar-bar-bar, sons sem sentido. Os romanos adotaram a palavra para os povos que não falavam latim nem seguiam os costumes romanos. Era pejorativa porque dava a entender que esses povos eram atrasados, incultos e violentos, inferiores aos romanos — o que não era verdade, pois tinham leis, religião, arte e organização próprias.
Resolução passo a passo
Passo 1 – a origem da palavra. Ela nasceu entre os gregos. Ao ouvirem línguas que não entendiam, achavam que o som era um bar-bar-bar repetido. Daí bárbaros = estrangeiro, aquele que não fala a nossa língua.
Passo 2 – os romanos herdam o termo. Passaram a chamar de bárbaros os povos de fora do império, que não falavam latim.
Passo 3 – por que é ofensivo? Porque, com o tempo, a palavra deixou de significar apenas estrangeiro e passou a significar grosseiro, selvagem, sem civilização.
Passo 4 – o olhar do historiador. Hoje sabemos que os povos germânicos tinham organização social, leis próprias, religião, técnicas de metalurgia e arte. Chamá-los de bárbaros é repetir o preconceito de quem escreveu a história: os próprios romanos.
36Múltipla escolha
Assinale a alternativa que traz apenas povos germânicos citados no capítulo.
Resposta
Alternativa a) Ostrogodos, vândalos, francos e anglo-saxões.
Resolução passo a passo
A questão pede uma lista com apenas povos germânicos.
Na letra a, todos são germânicos: ostrogodos, vândalos, francos e anglo-saxões (além de visigodos, lombardos e hérulos, citados no capítulo).
Na letra b aparecem hunos (povo nômade vindo da Ásia), partas, persas e cartagineses — nenhum é germânico.
Na letra c, só os godos são germânicos; gregos, egípcios e etruscos não são.
Na letra d, lombardos são germânicos, mas hunos, judeus e babilônios não. Resposta: a.
37Dissertativo
Os contatos entre romanos e germanos nem sempre foram guerras. Cite duas formas pacíficas de contato entre esses povos antes das grandes invasões.
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Resposta
Duas formas pacíficas: (1) o comércio nas regiões de fronteira, com troca de produtos como peles, âmbar, armas, vinho e cerâmica; (2) o alistamento de germanos no exército romano, como soldados e até comandantes. Também houve acordos em que grupos germânicos foram autorizados a morar em terras do império, cultivando a terra e defendendo as fronteiras.
Resolução passo a passo
É comum imaginar que romanos e germanos só se encontravam em batalhas, mas não é verdade. Eles eram vizinhos havia séculos.
Forma 1 – comércio. Nas fronteiras do Reno e do Danúbio existiam pontos de troca. Os germanos vendiam peles, âmbar e gado; compravam vinho, armas, objetos de metal e cerâmica romana.
Forma 2 – exército. Roma precisava de soldados e contratava guerreiros germanos. Muitos chegaram a ocupar altos postos militares e viviam dentro do império.
Forma 3 – acordos de povoamento. Roma permitia que grupos inteiros se instalassem em terras do império, em troca de proteger as fronteiras e cultivar o solo.
Esses contatos explicam por que os dois povos foram se misturando muito antes das grandes invasões.
38Múltipla escolha
A partir de 375, a entrada de germanos em terras romanas cresceu muito. Qual foi o motivo principal desse aumento?
Resposta
Alternativa b) Os hunos, povo nômade e guerreiro, ocuparam territórios germânicos e pressionaram esses povos a buscar novas terras.
Resolução passo a passo
Pense numa fila de dominós. Por volta de 375, os hunos, vindos das estepes da Ásia, avançaram sobre a Europa.
Eles eram cavaleiros muito rápidos e temidos. Ao ocupar as terras dos godos e de outros povos germânicos, empurraram essas populações para o oeste.
Fugindo dos hunos, esses povos pediram para entrar no território romano — e muitos entraram à força. Foi o começo das chamadas invasões (ou migrações) germânicas.
As outras alternativas são inventadas: não houve convite geral (a), nem erupção vulcânica (c), nem pagamento de Teodósio (d).
39Múltipla escolha
Em 476, o último imperador do Império Romano do Ocidente foi derrubado do poder. Quem era esse imperador e quem o derrubou?
Resposta
Alternativa c) Rômulo Augusto foi derrubado por Odoacro, rei dos hérulos.
Resolução passo a passo
Em 476, quem estava no trono do Império Romano do Ocidente era um jovem imperador chamado Rômulo Augusto (ou Rômulo Augústulo, o "pequeno Augusto").
Ele foi deposto por Odoacro, chefe dos hérulos, um povo germânico que servia no exército romano.
Esse episódio é usado pelos historiadores como marco simbólico do fim do Império Romano do Ocidente e do início da Idade Média.
As outras alternativas misturam personagens de épocas diferentes e estão erradas.
40Dissertativo
Muitos historiadores falam em uma germanização dos romanos e em uma romanização dos povos germânicos. Explique o que essa afirmação quer dizer.
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Resposta
Quer dizer que romanos e germanos se influenciaram mutuamente. Os germanos passaram a adotar elementos romanos — a língua latina, o cristianismo, as leis escritas, a agricultura e a moeda (romanização). Ao mesmo tempo, os romanos incorporaram costumes germânicos — palavras, nomes, formas de guerrear, tipos de vestuário e a presença de chefes e soldados germânicos no governo e no exército (germanização). Dessa mistura nasceu a Europa medieval.
Resolução passo a passo
A frase parece complicada, mas a ideia é simples: quando dois povos convivem por muito tempo, os dois mudam.
Romanização dos germanos: ao se instalarem no império, muitos germanos aprenderam o latim, se converteram ao cristianismo, passaram a usar leis escritas, moedas e técnicas agrícolas romanas. Os reinos que eles criaram copiaram bastante a administração romana.
Germanização dos romanos: ao mesmo tempo, o exército romano se encheu de soldados e chefes germanos, e os romanos adotaram palavras, nomes próprios, roupas e costumes desses povos.
O resultado dessa mistura aparece até hoje: as línguas europeias, o direito, os nomes de países como França (dos francos) e Inglaterra (dos anglos) nasceram desse encontro.
Por isso os historiadores dizem que 476 não foi só uma destruição: foi também uma fusão cultural.
41Dissertativo
O ano de 476 marca, simbolicamente, a queda do Império Romano do Ocidente. Cite e explique três fatores que ajudam a entender o enfraquecimento desse império.
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Resposta
Três fatores possíveis: (1) crise do trabalho escravo — com o fim das conquistas, faltou mão de obra, a produção caiu e a economia enfraqueceu; (2) crise política e militar — a anarquia do século III, com imperadores trocados o tempo todo pelo exército, gerou guerras civis e deixou as fronteiras desprotegidas; (3) invasões germânicas — a partir de 375, pressionados pelos hunos, vários povos entraram no império e ocuparam províncias inteiras. Também contam o alto custo de manter o exército e a burocracia (impostos altíssimos), a divisão do império em 395 e as mudanças culturais trazidas pela ascensão do cristianismo.
Resolução passo a passo
Uma regra de ouro da História: acontecimentos grandes quase nunca têm uma causa só. Vamos separar os fatores.
Fator 1 – economia. Sem novas guerras, chegavam poucos escravizados. A produção dos latifúndios caiu, o comércio diminuiu e as cidades encolheram. Muita gente voltou para o campo (ruralização).
Fator 2 – política e exército. Entre 235 e 284, as legiões faziam e desfaziam imperadores. Guerras civis consumiam recursos e tiravam soldados das fronteiras.
Fator 3 – invasões. Empurrados pelos hunos, visigodos, vândalos, ostrogodos e outros povos entraram no território romano. Roma foi saqueada em 410 e províncias inteiras se perderam.
Fatores extras: impostos altíssimos para sustentar exército e burocracia, a divisão definitiva de 395, que enfraqueceu o Ocidente, e a ascensão do cristianismo, que mudou os valores e transferiu parte da autoridade para a Igreja.
Todos esses fatores juntos explicam por que, em 476, bastou um empurrão de Odoacro para o Império do Ocidente cair.
42Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso.
Por volta de 400, os visigodos ocuparam a Gália e, dez anos depois, saquearam Roma.
Em 452, os hunos invadiram a Península Itálica.
Com a queda de 476, todas as estruturas romanas desapareceram de uma só vez.
O Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, sobreviveu por quase mil anos a mais.
Resposta
V – V – F – V
Resolução passo a passo
1ª (V): por volta de 400 os visigodos ocuparam a Gália e, cerca de dez anos depois, em 410, saquearam a própria cidade de Roma.
2ª (V): em 452, os hunos, liderados por Átila, invadiram a Península Itálica.
3ª (F): nada desapareceu de uma só vez. O latim, o direito romano, as estradas, a arquitetura e a Igreja continuaram existindo e influenciaram toda a Idade Média.
4ª (V): o Império Romano do Oriente, chamado Império Bizantino, sobreviveu quase mil anos a mais, até 1453.
43Dissertativo
Observe o mapa Império Romano – Divisão entre Oriente e Ocidente (395 d.C.). Qual era a capital de cada parte do império e em que continentes se espalhava o território romano nessa época?
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Resposta
Em 395, o Império Romano do Ocidente tinha a capital em Milão (depois transferida para Ravena) e o Império Romano do Oriente tinha a capital em Constantinopla. O território romano se espalhava por três continentes: Europa, Ásia e África, todos em volta do Mar Mediterrâneo.
Resolução passo a passo
Passo 1 – localize a linha divisória no mapa. Ela corta a região dos Bálcãs, separando a parte ocidental da oriental.
Passo 2 – identifique as capitais. À esquerda (Ocidente), a capital marcada é Milão, na Península Itálica. À direita (Oriente), Constantinopla, junto ao estreito que liga Europa e Ásia.
Passo 3 – observe os continentes. O império abrangia a Europa (Itália, Gália, Hispânia, Britânia, Bálcãs), a Ásia (Ásia Menor, Síria, Palestina) e o norte da África (Egito e província da África).
Passo 4 – note o detalhe central: o Mar Mediterrâneo fica no meio de tudo. Era o mare nostrum, o caminho que unia as três partes do império.
44Calcule
O Império Romano do Ocidente caiu em 476. Se o Império Romano do Oriente sobreviveu por quase mil anos depois disso, em que século, aproximadamente, ele chegou ao fim? Mostre o raciocínio.
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Resposta
Por volta do ano 1476, ou seja, no século XV. (Na história real, Constantinopla caiu em 1453, também no século XV.) Conta: 476 + 1000 = 1476.
Resolução passo a passo
Passo 1 – somar. O Império do Ocidente caiu em 476. Se o Oriente durou quase mil anos a mais: 476 + 1000 = 1476
Passo 2 – descobrir o século. Para achar o século de um ano, pegamos os dois primeiros algarismos e somamos 1 (quando o ano não termina em 00): 14 + 1 = 15. Logo, 1476 está no século XV.
Passo 3 – comparar com a história. O Império Bizantino terminou de fato em 1453, quando os turcos otomanos tomaram Constantinopla. 1453 também pertence ao século XV.
Então nossa estimativa pela conta bate com o acontecimento real: fim no século XV.
Ler e descobrir: rotas comerciais e documentos históricos
45Dissertativo
Observando o mapa Roma – Principais rotas comerciais, escolha três regiões do império e indique um produto que cada uma delas fornecia a Roma.
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Resposta
Exemplos possíveis: Egito → trigo (o principal alimento de Roma); Hispânia → azeite, vinho e metais, como prata e ouro; Gália → vinho e cereais. Outras respostas aceitáveis: Britânia → estanho e lã; Grécia → mármore e vinho; norte da África → trigo, azeite e animais selvagens; Ásia Menor e Oriente → tecidos, especiarias e seda.
Resolução passo a passo
Passo 1 – escolha regiões que aparecem no mapa, ligadas a Roma por setas de rotas marítimas ou terrestres.
Passo 2 – associe cada região ao produto indicado pela legenda.
Egito: era chamado de "celeiro de Roma". De lá vinha o trigo que alimentava a população da capital.
Hispânia (atuais Espanha e Portugal): enviava azeite, vinho e, sobretudo, metais extraídos das minas, como prata e cobre.
Gália (atual França): fornecia vinho, cereais e produtos de cerâmica.
Passo 3 – conclua: Roma quase não produzia o que consumia. Ela dependia das províncias, e por isso as rotas comerciais eram vitais.
46Múltipla escolha
De acordo com o texto da historiadora Marie-Françoise Baslez, as estradas romanas serviam a vários usos. Assinale a alternativa que apresenta um uso citado no texto.
Resposta
Alternativa a) Levar a mensagem do cristianismo a outras regiões, como fez São Martim no século IV.
Resolução passo a passo
No texto, a historiadora Marie-Françoise Baslez mostra que as estradas romanas tinham muitos usos: comércio, deslocamento do exército, correio imperial, viagens de peregrinos e também a divulgação de ideias e religiões.
Ela cita o exemplo de São Martim, que no século IV percorreu estradas para pregar o cristianismo em regiões do campo.
Por isso a letra a é a correta: é um uso citado diretamente no texto.
As outras alternativas contrariam o documento: as estradas não escondiam ninguém (b), gladiadores não eram levados às termas (c) e as estradas facilitavam, e não impediam, o comércio (d).
47Dissertativo
Com base no mapa e no texto, explique por que as rotas terrestres e marítimas eram tão importantes para o Império Romano. Cite pelo menos duas funções dessas rotas.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
As rotas eram a "rede de ligação" do império. Funções principais: (1) abastecer Roma e as cidades, levando trigo, azeite, vinho, metais e tecidos de uma província a outra; (2) deslocar o exército rapidamente para defender fronteiras e conter revoltas; (3) transmitir informações, por meio do correio imperial e das ordens do imperador; (4) espalhar a cultura, a língua latina e as religiões, entre elas o cristianismo.
Resolução passo a passo
Pense no império como um corpo enorme. As estradas e as rotas marítimas eram as veias por onde tudo circulava.
Função econômica: sem elas, o trigo do Egito não chegaria a Roma, nem o azeite da Hispânia às outras províncias. O comércio movimentava riquezas e impostos.
Função militar e política: as legiões marchavam pelas estradas pavimentadas, chegando rápido às fronteiras. Mensageiros do correio imperial levavam ordens usando abrigos com troca de cavalos.
Função cultural: por essas mesmas rotas viajavam viajantes, peregrinos e pregadores. Assim o latim, os costumes romanos e depois o cristianismo se espalharam pelo mundo mediterrâneo.
Conclusão: controlar as rotas era controlar a comida, a defesa, a informação e as ideias do império.
48Calcule
Um peregrino contou, em 333, que havia um abrigo de troca de cavalos a cada 18 km. Quantos abrigos ele encontraria em um trecho de 180 km? Mostre a conta.
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Resposta
Encontraria 10 abrigos. Conta: 180 ÷ 18 = 10.
Resolução passo a passo
O enunciado diz que havia um abrigo de troca de cavalos a cada 18 km.
Para saber quantos abrigos existem em 180 km, precisamos descobrir quantas vezes 18 cabe dentro de 180. Isso é uma divisão: 180 ÷ 18 = 10
Conferindo pela multiplicação: 18 × 10 = 180. Está certo.
Resposta: 10 abrigos. Isso mostra como as estradas romanas eram bem organizadas — o viajante trocava de cavalo com frequência e viajava muito mais rápido.
49Dissertativo
Leia novamente o texto de Tácito sobre o prefeito Pedanius Secundus, morto por um escravizado. Por que 400 escravizados foram condenados à morte ao mesmo tempo e como a população reagiu a essa decisão?
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Resposta
Porque existia uma lei romana antiga segundo a qual, quando um senhor era assassinado por um escravizado, todos os escravizados que moravam na mesma casa deveriam ser executados — mesmo os inocentes. Como na casa de Pedanius Secundus viviam cerca de 400 pessoas escravizadas, todas foram condenadas. A população de Roma protestou, ficou revoltada com a injustiça de matar mulheres, idosos e crianças que nada tinham feito, e chegou a se juntar nas ruas com pedras e tochas para impedir a execução, que só ocorreu com a proteção de soldados.
Resolução passo a passo
Passo 1 – entenda a lei. Em Roma havia uma norma cruel: o assassinato de um senhor por um escravizado era punido com a morte de todos os escravizados daquela casa. A ideia era assustar e impedir novas mortes de senhores.
Passo 2 – aplique ao caso. O prefeito Pedanius Secundus foi morto por um de seus escravizados. Como ele era muito rico, tinha cerca de 400 pessoas escravizadas em casa. Pela lei, todas deveriam morrer.
Passo 3 – veja a reação do povo. Tácito conta que a multidão se revoltou: era evidente que a maioria não tinha culpa alguma, incluindo crianças e velhos. Houve protestos e tumulto nas ruas.
Passo 4 – o desfecho. O Senado debateu e decidiu manter a execução. Para realizá-la, foi preciso colocar soldados ao longo do caminho, contendo a população.
Esse episódio mostra dois pontos: a dureza da escravidão em Roma e o medo que a elite tinha de revoltas.
50Múltipla escolha
No texto de Tácito, o Senado decidiu manter a execução mesmo com o povo protestando. Qual explicação abaixo é a mais coerente com o que você estudou sobre Roma?
Resposta
Alternativa b) A maioria dos senadores queria manter os costumes antigos e usar o medo para impedir novas revoltas de escravizados.
Resolução passo a passo
Pense em quem eram os senadores: os grandes proprietários, donos de muitos escravizados. Eles próprios se sentiam ameaçados.
O argumento defendido no Senado foi o da tradição e do exemplo: se a punição não fosse aplicada a todos, os senhores ficariam sem segurança dentro de suas casas.
Ou seja, a execução tinha uma função clara: espalhar o medo para que nenhum escravizado pensasse em se rebelar.
As demais alternativas não se sustentam: os cristãos ainda eram perseguidos e não influenciavam o Senado (a), os escravizados não eram estrangeiros ricos (c) e o imperador tinha, sim, grande poder no período (d).
51Dissertativo
Com base no que você estudou sobre Roma, explique qual era a provável origem dos escravizados que viviam na casa do prefeito.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Provavelmente eram prisioneiros de guerra trazidos das regiões conquistadas por Roma — gauleses, hispânicos, gregos, sírios, egípcios, africanos e germanos — além de seus descendentes, já nascidos escravizados dentro da casa. Alguns podiam ainda ter sido comprados em mercados de escravizados ou escravizados por dívidas e pirataria.
Resolução passo a passo
Passo 1 – lembre de onde vinha a mão de obra escrava em Roma. A principal fonte eram as guerras de conquista: os povos derrotados eram capturados e vendidos.
Passo 2 – aplique ao caso do prefeito. Ele vivia em Roma, capital de um império que dominava três continentes. Logo, sua casa reunia pessoas de origens muito diferentes: gregos, sírios, egípcios, gauleses, africanos, germanos.
Passo 3 – acrescente outras origens. Também eram escravizados os filhos de mulheres escravizadas, que já nasciam nessa condição, além de pessoas capturadas por piratas ou escravizadas por dívidas.
Passo 4 – conclua: na casa de um homem rico como Pedanius Secundus havia um verdadeiro mosaico de povos, com línguas e culturas diversas, todos submetidos ao mesmo senhor.
Explore seus conhecimentos: revisão geral
52Múltipla escolha
A importância de Otávio Augusto na história de Roma está ligada principalmente ao fato de ele ter
Resposta
Alternativa b) organizado um governo centralizado nas mãos do imperador, mantendo, na aparência, as instituições da república.
Resolução passo a passo
A grande jogada de Otávio Augusto foi política. Ele não aboliu o Senado nem os cargos republicanos: deixou tudo aparentemente no lugar.
Na prática, porém, acumulou funções e títulos (comando do exército, poderes proconsulares, autoridade religiosa) e passou a decidir sozinho. É o que chamamos de centralização do poder.
Por isso ele é considerado o primeiro imperador romano, inaugurando o Império em 27 a.C.
As outras alternativas pertencem a outras pessoas e épocas: as Guerras Púnicas foram na república (a), Teodósio oficializou o cristianismo (c) e Diocleciano criou a tetrarquia (d).
53Múltipla escolha
Manter um império enorme custava muito caro. Assinale a alternativa que apresenta exemplos reais desses custos no Império Romano.
Resposta
Alternativa c) As despesas com o exército, a realização de obras públicas e a manutenção das estradas.
Resolução passo a passo
A pergunta é sobre os custos do Estado, ou seja, o que o governo romano precisava pagar.
O maior gasto era o exército: soldados nas fronteiras recebiam soldo, armas, alimentação e, ao se aposentar, terras.
Depois vinham as obras públicas — aquedutos, termas, templos, anfiteatros — e a conservação das milhares de quilômetros de estradas, essenciais para o comércio e para o deslocamento das tropas.
Para pagar tudo isso, Roma aumentava impostos, o que gerava revolta nas províncias e contribuiu para a crise. As outras alternativas não falam de despesas do Estado nem existiam naquela época.
54Múltipla escolha
Sobre a crise do Império Romano a partir do século III, assinale a alternativa correta.
Resposta
Alternativa a) O elevado custo para manter a estrutura do império e o exército abalava as finanças romanas.
Resolução passo a passo
Vamos analisar cada opção.
A letra a está correta: manter um território imenso, com exército, funcionários e obras, custava muito. Com o fim das conquistas, entrava menos riqueza e sobrava menos dinheiro — as finanças entraram em crise.
A opção sobre excesso de escravizados está errada: a partir do século III houve falta, e não excesso, de mão de obra escrava.
A disputa entre patrícios e plebeus pela cidadania aconteceu séculos antes, no início da república.
As Guerras Púnicas ocorreram entre 264 e 146 a.C., também no período republicano, e não no século III d.C. Resposta: a.
55Múltipla escolha
Sobre a queda do Império Romano do Ocidente, é correto afirmar que ela
Resposta
Alternativa b) resultou da união de vários fatores, como a crise do sistema escravista, as invasões germânicas, a desordem militar e as mudanças provocadas pela ascensão do cristianismo.
Resolução passo a passo
Uma queda tão grande nunca tem explicação única. Por isso, desconfie sempre de alternativas que dizem uma única causa.
A letra b reúne os principais fatores estudados: a crise do trabalho escravo, que derrubou a produção; as invasões germânicas a partir de 375; a anarquia militar, com imperadores derrubados o tempo todo; e as transformações culturais trazidas pelo cristianismo.
A letra a erra ao reduzir tudo à força militar germânica — Roma já estava fragilizada por dentro.
A letra c erra na cronologia (as guerras contra Cartago são de séculos antes) e a letra d cita Carlos Magno, que viveu no século VIII, mais de 300 anos depois de 476.
56Múltipla escolha
Segundo o texto de Ariès e Duby sobre os prazeres da vida urbana em Roma, os banhos públicos e os espetáculos eram frequentados por homens livres, escravizados, mulheres, crianças e até estrangeiros. O que isso revela sobre esses espaços?
Resposta
Alternativa a) Que eram espaços luxuosos oferecidos pelo Estado, que promoviam o lazer e a convivência entre diferentes camadas sociais.
Resolução passo a passo
O texto de Ariès e Duby destaca quem frequentava os banhos públicos e os espetáculos: homens livres, escravizados, mulheres, crianças e estrangeiros.
Essa mistura de pessoas mostra que esses lugares eram abertos e populares, com entrada barata ou gratuita.
Eram também luxuosos, construídos e mantidos pelo Estado ou por ricos que queriam prestígio — mármores, piscinas, estátuas e jardins.
Logo, funcionavam como grandes espaços de lazer e convivência, onde camadas sociais diferentes se cruzavam. Por isso a letra a é a correta, e as outras (locais pobres, exclusivos ou restritos) contrariam o documento.
57Dissertativo
Monte uma linha do tempo com os seguintes acontecimentos, do mais antigo para o mais recente, escrevendo o ano de cada um: Edito de Milão; início do governo de Otávio; queda do Império Romano do Ocidente; divisão do império por Diocleciano; cristianismo vira religião oficial; transferência da capital para Constantinopla.
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Resposta
Linha do tempo (do mais antigo para o mais recente): 1) 27 a.C. – início do governo de Otávio; 2) 284 – divisão do império por Diocleciano; 3) 313 – Edito de Milão; 4) 330 – transferência da capital para Constantinopla; 5) 380 – cristianismo vira religião oficial; 6) 476 – queda do Império Romano do Ocidente.
Resolução passo a passo
Passo 1 – anote a data de cada acontecimento: • Início do governo de Otávio → 27 a.C. • Divisão feita por Diocleciano → 284 d.C. • Edito de Milão (Constantino) → 313 d.C. • Capital transferida para Constantinopla → 330 d.C. • Cristianismo como religião oficial (Teodósio) → 380 d.C. • Queda do Império Romano do Ocidente → 476 d.C.
Passo 2 – lembre da regra das datas: tudo que é a.C. vem antes do que é d.C.. Então 27 a.C. abre a linha do tempo.
Passo 3 – ordene os anos d.C. do menor para o maior: 284 → 313 → 330 → 380 → 476.
Passo 4 – monte a linha: 27 a.C. → 284 → 313 → 330 → 380 → 476
Repare na história que ela conta: Roma começa o império com Otávio, entra em crise e se divide, aceita e depois oficializa o cristianismo, e finalmente vê cair sua parte ocidental.
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Capítulo 13 – Império Romano e ascensão do cristianismo
Resumo rápido
Capítulo 13 – Império Romano e ascensão do cristianismo
Resumo rápido
1Todo poder ao imperador
Na república, Roma dividia o poder entre Magistraturas, Assembleias e Senado, para que ninguém mandasse sozinho.
Em 27 a.C., Caio Otávio assumiu o governo e começou a mudar tudo. As instituições continuaram existindo, mas perderam força: o cônsul virou só um título de honra e o Senado, no século III, virou um simples conselho da cidade de Roma.
Assim nasceu o Império Romano, com o poder concentrado nas mãos de uma pessoa só.
1.1Os dois períodos do Império
O Alto Império vai do fim do século I a.C. ao século III d.C. É a fase de brilho e de grandes conquistas: no início do século II o império chega ao seu tamanho máximo.
O Baixo Império vai do século III ao século V d.C. É a fase de crises que termina na desintegração do império.
1.2O que é um império?
Império é uma civilização que conquista um grande território e coloca povos diferentes sob um único governante.
A palavra vem do latim imperium. Na monarquia significava o poder do rei de exigir obediência; na república, o poder dos magistrados.
Em 23 a.C., Otávio deu a si mesmo o imperium proconsulare, ou seja, declarou-se autoridade suprema sobre todo o território romano. Virou o primeiro imperador.
2Alto Império: a Pax Romana
Otávio recebeu o título de Augusto (que significa majestoso, respeitável) e também era chamado de Filho do Divino: seu poder foi ligado aos deuses.
Ele governou quase 40 anos e fez muitas reformas: tirou senadores corruptos, perdoou dívidas de camponeses, criou um tribunal rápido, distribuiu comida e dinheiro nas crises e dividiu o território em províncias, entregues a homens de sua confiança (procônsules e propretores).
Augusto usou a diplomacia para evitar guerras, mas também expandiu o território com a poderosa Legião Romana. Começou então a Pax Romana, um longo período de paz e prosperidade que durou até o ano 180.
Exemplo
Em vez de guerrear, Augusto negociou com os partas e conseguiu de volta os prisioneiros e os estandartes romanos perdidos em 53 a.C. A vitória foi comemorada na estátua Augusto de Prima Porta.
2.1Avanços e dificuldades
As cidades cresceram e ganharam praças, mercados, templos, termas (casas de banho), circos e anfiteatros. Uma rede de estradas ligou as cidades, ajudando o exército e o comércio.
Mas tudo isso custava caro: o dinheiro vinha dos impostos cobrados das províncias. Roma também sofreu com epidemia de tifo, um grande incêndio (64 d.C.), a erupção do Vesúvio (79 d.C.) e, no fim do século II, as primeiras invasões dos chamados bárbaros.
3Moradia em Roma
No início do século I, Roma era a maior cidade do mundo, com cerca de 1 milhão de habitantes. Cresceu sem planejamento e era suja e lotada.
A maioria pobre morava de aluguel nas ínsulas, prédios de até seis andares, sem cozinha nem banheiro. Os andares de cima eram de argila, palha ou madeira: desabavam e pegavam fogo com facilidade. Não havia esgoto nem água encanada.
Os ricos moravam nas domus, casas grandes e confortáveis. No centro ficava o atrium, uma sala com abertura no teto e um tanque para juntar água da chuva.
4Lazer e o Mar Mediterrâneo
Roma vivia a política do pão e circo: lutas de gladiadores, corridas de bigas e festas religiosas. Os triunfos eram desfiles para comemorar vitórias militares, com soldados, tesouros e prisioneiros.
As termas eram o ponto de encontro diário: banhos frios, mornos e quentes, massagens, bibliotecas e concertos.
Os romanos chamavam o Mediterrâneo de mare nostrum ("nosso mar"). Controlar essas rotas trouxe riqueza, escravizados e mercadorias, além de trocas culturais — foi por ali que a cultura grega influenciou Roma.
5O cristianismo
No século I, a região onde viviam os judeus chamava-se Judeia e estava sob domínio romano. Ali nasceu Jesus Cristo, carpinteiro judeu que inspirou a religião cristã.
Sua vida é contada nos evangelhos, quatro livros da Bíblia escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Segundo eles, Jesus era o Messias (em hebraico) ou Cristo (em grego), palavras que significam ungido — o enviado de Deus.
Muitos judeus não o reconheceram como Messias, e os romanos não aceitavam seu caráter divino, pois para eles só o imperador podia ser divino. Jesus foi condenado à morte por crucificação. Seus discípulos afirmaram que ele ressuscitou e subiu aos céus, e espalharam seus ensinamentos.
5.1Os cristãos e o Império Romano
O cristianismo cresceu rápido entre escravizados e pobres, porque pregava a igualdade entre as pessoas e prometia vida eterna a todos.
Os cristãos incomodavam Roma: recusavam-se a servir no exército e a adorar o imperador. Por isso foram perseguidos e proibidos de enterrar seus mortos dentro das cidades — daí construírem as catacumbas, corredores subterrâneos para sepultamento.
Em 313, o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, garantindo liberdade de culto. Em 380, Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do império.
6Baixo Império: tempos de crise
O império chegou ao tamanho máximo com o imperador Trajano, no início do século II: cerca de 6,5 milhões de km², da Península Ibérica até a atual Turquia. Governar tudo isso ficou caríssimo (exército, obras públicas e estradas).
Crise política: entre 235 e 284 houve motins, guerras civis e assassinatos. Cada imperador governou, em média, só três anos; dos 26 imperadores, apenas um morreu de causas naturais.
Crise econômica: com o fim das guerras de conquista, faltaram escravizados e a produção agrícola caiu.
6.1Os colonos e a ruralização
Os grandes latifúndios foram divididos em pequenas propriedades arrendadas aos colonos: trabalhadores que cultivavam a terra do dono e entregavam parte da colheita.
Em troca, recebiam proteção, mas ficavam devendo favores e não podiam abandonar a terra.
Esse movimento de volta ao campo se chama ruralização. Com menos gente nas cidades, o comércio caiu e o governo arrecadou menos impostos.
6.2A divisão do império
Em 284, o imperador Diocleciano dividiu o território em parte Oriental (com ele) e Ocidental (com o general Maximiano). Depois o poder foi repartido entre quatro governantes: a tetrarquia.
Não deu certo. Constantino acabou com a tetrarquia e, em 330, mudou a capital para Bizâncio, que passou a se chamar Constantinopla (hoje Istambul).
Em 395, com Teodósio, o império se dividiu de vez: Império Romano do Ocidente (capital Milão) e Império Romano do Oriente (capital Constantinopla). Nunca mais foi unificado.
7Os germanos e a queda de Roma
Germanos eram povos indo-europeus com línguas de origem comum, vindos da região da Escandinávia e da Alemanha: godos, ostrogodos, vândalos, francos, anglo-saxões, entre outros. Os romanos os chamavam de bárbaros, palavra usada de forma ofensiva para quem não falava latim.
Romanos e germanos guerreavam, mas também comerciavam; muitos germanos viraram escravizados ou soldados romanos.
A partir de 375, os hunos (povo nômade vindo do Oriente) empurraram os germanos para dentro do território romano em busca de terras.
7.1Roma é dominada
Por volta de 400, os visigodos ocuparam a Gália e, dez anos depois, saquearam Roma. Em 452, os hunos invadiram a Península Itálica.
Em 476, Rômulo Augusto, o último imperador do Ocidente, foi derrubado por Odoacro, rei dos hérulos. Essa data marca simbolicamente a queda do Império Romano do Ocidente.
Romanos e germanos se misturaram: houve uma germanização dos romanos e uma romanização dos germanos, formando a base de povos europeus de hoje. O Império Romano do Oriente (Bizantino) sobreviveu por quase mil anos.
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Exercícios
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Todo poder ao imperador e o conceito de império
1Múltipla escolha
Na república romana, o poder era dividido entre Magistraturas, Assembleias e Senado. A partir de 27 a.C., com Otávio no governo, essa divisão foi mudando. Assinale a alternativa que descreve corretamente o que aconteceu com essas instituições durante o Império.
Resposta
Alternativa b) Elas continuaram existindo, mas perderam força: o cônsul virou só um título de honra e o Senado foi reduzido a um conselho municipal.
Resolução passo a passo
Na república, o poder era repartido entre três grupos: as Magistraturas, as Assembleias e o Senado. Ninguém mandava sozinho.
Quando Otávio assumiu o governo, em 27 a.C., ele foi esperto: não acabou com essas instituições. Ele deixou tudo aparentemente igual, mas foi tirando o poder de cada uma delas.
O resultado foi que o cargo de cônsul virou apenas uma honraria (um título bonito, sem mando de verdade) e o Senado ficou parecido com um conselho que só cuidava de assuntos da cidade. Todo o poder de decisão passou para o imperador.
Por isso a letra b está certa. A letra a erra porque nada foi extinto de um dia para o outro; a c erra porque o imperador é que mandava; e a d fala de generais germânicos, que só aparecem séculos depois.
2Dissertativo
Explique, com suas palavras, o que os historiadores querem dizer quando chamam uma sociedade de império. Cite pelo menos duas características desse tipo de organização.
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Resposta
Império é um Estado grande, que domina vários povos e territórios ao mesmo tempo, sob o comando de um poder central (o imperador). Duas características: o poder concentrado nas mãos de uma só pessoa e o domínio sobre povos conquistados, que pagam tributos e recebem as leis, a língua e os costumes do dominador.
Resolução passo a passo
Primeiro, pense no tamanho. Quando os historiadores falam em império, eles estão falando de um território enorme, formado por muitas regiões diferentes que foram conquistadas ou anexadas.
Segundo, pense em quem manda. Num império, o poder é centralizado: existe um governante (ou um pequeno grupo) que decide por todos, como o imperador em Roma.
Terceiro, pense na relação com os povos dominados. Eles perdem a autonomia, pagam tributos (impostos) e costumam receber a língua, as leis e a cultura do povo dominador. Em Roma, isso aconteceu com gauleses, egípcios, hispânicos e muitos outros.
Um exemplo para fechar a resposta: Roma cobrava trigo do Egito, mandava soldados para a Britânia e espalhava o latim por todos os cantos — tudo isso é comportamento de império.
3Dissertativo
A palavra latina imperium mudou de sentido ao longo da história de Roma. Escreva o que ela significava no período monárquico, no período republicano e no período imperial.
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Resposta
Na monarquia, imperium era o poder de mando do rei, que reunia autoridade militar, judicial e religiosa. Na república, era o poder de comando entregue temporariamente aos magistrados (cônsules, pretores, generais), principalmente sobre o exército. No período imperial, passou a significar o poder supremo e permanente do imperador sobre todo o território romano — e também o próprio território dominado.
Resolução passo a passo
Vamos por etapas, seguindo os três períodos da história de Roma.
Monarquia (até 509 a.C.): imperium era o poder de mando do rei. Ele comandava o exército, julgava e cuidava dos rituais religiosos. Era um poder só dele.
República (509 a.C. – 27 a.C.): o imperium não desapareceu, mas foi dividido e passou a ser temporário. Os magistrados eleitos, como os cônsules, recebiam esse poder de comando por um tempo limitado, sobretudo para dirigir as tropas.
Império (a partir de 27 a.C.): o imperium se concentrou de novo em uma só pessoa, o imperador, agora de forma permanente. A palavra passou a nomear também o próprio conjunto de terras dominadas — é daí que vem a palavra império que usamos hoje.
Perceba o movimento: o poder sai das mãos de um (rei), se espalha (república) e volta a se concentrar em um (imperador).
4Verdadeiro ou falso
Leia as afirmações e escreva V para verdadeiro e F para falso.
O Alto Império vai do final do século I a.C. ao século III d.C. e é o período de esplendor de Roma.
O Baixo Império vai do século III d.C. ao século V d.C. e é marcado por crises.
O Império Romano alcançou sua maior extensão no século V d.C.
Em 23 a.C., Caio Otávio deu a si mesmo poderes proconsulares e se declarou autoridade suprema sobre todo o território romano.
Resposta
V – V – F – V
Resolução passo a passo
1ª afirmação (V): o Alto Império vai mesmo do fim do século I a.C. até o século III d.C. É a fase de maior riqueza, expansão e organização de Roma.
2ª afirmação (V): o Baixo Império vai do século III ao século V d.C. e é marcado por crises políticas, econômicas e pelas invasões.
3ª afirmação (F): a maior extensão do império aconteceu no século II d.C., no governo de Trajano, e não no século V. No século V o império já estava encolhendo e se desfazendo.
4ª afirmação (V): em 23 a.C., Caio Otávio recebeu poderes proconsulares e passou a ser a autoridade máxima sobre todas as províncias romanas.
Alto Império e a Pax Romana
5Múltipla escolha
O título de Augusto, dado a Caio Otávio, significa majestoso, respeitável, extraordinário. Ele também era chamado de Filho do Divino. O que esses títulos mostram sobre a figura do imperador romano?
Resposta
Alternativa c) Que o imperador se tornou uma figura muito poderosa e teve seu poder associado aos deuses.
Resolução passo a passo
Repare no significado das palavras. Augusto quer dizer majestoso, respeitável, extraordinário — ou seja, alguém acima dos outros.
Agora veja o outro título: Filho do Divino. Ele ligava Otávio a Júlio César, que havia sido transformado em deus depois de morto. Assim, o imperador ficava parecido com uma figura sagrada.
Juntando as duas coisas, fica claro que esses títulos serviam para mostrar que o imperador não era um cidadão comum: seu poder vinha ligado aos deuses, o que aumentava o respeito e o medo que as pessoas sentiam por ele.
Por isso as outras opções estão erradas: ele não era igual aos outros (a), tinha mais poder que os senadores (b) e não era escolhido por voto popular (d).
6Dissertativo
Cite três reformas realizadas por Augusto durante seu governo e explique como elas ajudaram a diminuir a insatisfação da população romana.
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Resposta
Três exemplos: (1) distribuição de terras aos soldados veteranos; (2) distribuição gratuita de alimentos, como o trigo, à população pobre da cidade; (3) grandes obras públicas (templos, estradas, aquedutos, banhos), que embelezaram Roma e geraram trabalho. Ele também combateu a corrupção, afastando senadores acusados de desvios. Essas medidas atendiam a necessidades básicas do povo e mostravam um governante preocupado com todos, reduzindo as revoltas e aumentando o apoio ao imperador.
Resolução passo a passo
Comece lembrando o problema: depois de anos de guerras civis, o povo estava cansado, com fome e desconfiado dos governantes. Augusto precisava conquistar apoio.
Reforma 1 – terras para os veteranos. Soldados que voltavam da guerra sem nada podiam se revoltar. Dando-lhes terras, Augusto garantia a lealdade do exército e evitava conflitos.
Reforma 2 – alimentos para os pobres. Roma tinha muita gente desempregada. A distribuição de trigo matava a fome e acalmava a população da cidade.
Reforma 3 – obras públicas. Templos, aquedutos, estradas e termas deixavam a cidade melhor, davam emprego e mostravam a grandeza do governo. Augusto dizia ter recebido uma Roma de tijolos e deixado uma Roma de mármore.
Somando tudo, mais o combate à corrupção no Senado, o povo passou a ver Augusto como um bom governante — e quem está satisfeito reclama menos.
7Dissertativo
O período conhecido como Pax Romana terminou no ano 180. Explique o que caracterizou esse período e por que ele foi importante para o Império Romano.
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Resposta
A Pax Romana ("Paz Romana") foi um longo período, iniciado com Augusto e encerrado em 180, em que o império viveu relativa paz interna, sem grandes guerras civis. Foi importante porque, com estabilidade, o comércio cresceu, as estradas e cidades se multiplicaram, as artes e a cultura floresceram e o governo pôde organizar melhor as províncias.
Resolução passo a passo
Primeiro, entenda o nome. Pax em latim significa paz. A Pax Romana foi o tempo em que as brigas internas diminuíram e as fronteiras ficaram mais protegidas pelo exército.
Segundo, veja o que muda quando há paz. Sem guerras civis, os comerciantes viajam com segurança, as rotas do Mediterrâneo funcionam e os produtos circulam entre as províncias.
Terceiro, pense nos efeitos. Cidades cresceram, aquedutos e estradas foram construídos, a arte, a literatura e a arquitetura se desenvolveram. O latim e os costumes romanos se espalharam.
Por último, atenção ao "relativa". Não era uma paz perfeita: ainda havia conflitos nas fronteiras e revoltas em províncias. Mas, comparado ao caos anterior, foi um período de estabilidade e prosperidade que terminou em 180.
8Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso sobre o Alto Império.
Augusto só resolvia conflitos pela guerra e nunca usou a diplomacia.
A Legião Romana era a maior divisão do exército e conquistou novas terras.
O Império Romano chegou à sua máxima extensão no início do século
II)Augusto destituiu senadores acusados de corrupção.
Resposta
F – V – V – V
Resolução passo a passo
1ª (F): Augusto usou sim a diplomacia, isto é, a negociação. O melhor exemplo é o acordo com os partas, feito sem guerra.
2ª (V): a Legião Romana era a maior divisão do exército de Roma e foi responsável por conquistar e defender territórios.
3ª (V): a máxima extensão do império ocorreu no início do século II, no governo de Trajano, com cerca de 6,5 milhões de km².
4ª (V): Augusto afastou do Senado senadores acusados de corrupção, como parte de suas reformas para melhorar a imagem do governo.
9Dissertativo
Em 53 a.C., o general Crasso invadiu o Império Parta sem autorização do Senado e Roma sofreu uma grande derrota. Décadas depois, Augusto resolveu o problema de outra forma. Explique o que Augusto queria recuperar e qual caminho ele escolheu para conseguir isso.
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Resposta
Augusto queria recuperar os estandartes (as insígnias militares com a águia romana) e os prisioneiros perdidos por Crasso na derrota de 53 a.C. Em vez de atacar, escolheu o caminho da diplomacia: negociou um acordo de paz com o rei parta e conseguiu de volta os símbolos e os soldados capturados, sem guerra.
Resolução passo a passo
Comece pelo problema. Em 53 a.C., Crasso invadiu o território parta por conta própria e foi derrotado. Os partas ficaram com os estandartes romanos — bandeiras com a águia dourada, que eram o símbolo de honra das legiões — e com muitos prisioneiros.
Para os romanos, perder o estandarte era a maior vergonha possível. Recuperá-lo virou uma questão de honra nacional.
Augusto podia mandar um novo exército, mas isso custaria caro e poderia terminar em outra derrota. Ele escolheu negociar: fez acordos com o rei parta e obteve a devolução dos estandartes e dos prisioneiros em 20 a.C.
Essa vitória sem batalha foi tão celebrada que virou arte: aparece esculpida na couraça da estátua Augusto de Prima Porta.
Moradia, lazer e o Mar Mediterrâneo
10Dissertativo
Compare as ínsulas e os domus. Escreva pelo menos três diferenças entre esses dois tipos de moradia e diga quem morava em cada um deles.
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Resposta
As ínsulas eram prédios de vários andares (até seis), apertados, feitos nos andares altos com materiais frágeis (madeira, argila, palha), sem cozinha nem banheiro, com risco de incêndio e desabamento; nelas moravam os plebeus, os pobres e os trabalhadores. Os domus eram casas térreas, amplas e confortáveis, com pátio interno, jardim, água, mosaicos e pinturas; neles moravam as famílias ricas (patrícios e grandes comerciantes), com seus escravizados.
Resolução passo a passo
Vamos comparar por partes.
1) Tamanho e formato. A ínsula era um prédio coletivo de até seis andares, com muitas famílias amontoadas. O domus era uma casa só para uma família, espalhada no térreo, com cômodos ao redor de um pátio.
2) Conforto e materiais. Na ínsula, os andares de cima eram feitos de madeira, argila e palha; não havia cozinha nem banheiro, e a água precisava ser buscada na rua. No domus havia atrium, jardim, mosaicos, pinturas nas paredes e acesso à água.
3) Segurança. As ínsulas pegavam fogo e desabavam com frequência. O domus, construído com materiais melhores, era bem mais seguro.
4) Quem morava.Ínsulas: gente pobre, plebeus, trabalhadores da cidade. Domus: famílias ricas, que ainda contavam com o trabalho de pessoas escravizadas.
11Múltipla escolha
Sobre as ínsulas romanas, assinale a alternativa incorreta.
Resposta
Alternativa d) Tinham água encanada e sistema de esgoto em todos os andares. (Essa é a afirmação INCORRETA.)
Resolução passo a passo
A questão pede a alternativa errada, então precisamos achar a informação falsa.
A letra a está certa: as ínsulas chegavam a seis andares e normalmente não tinham cozinha nem banheiro.
A letra b está certa: quanto mais alto o andar, mais frágeis os materiais — argila, palha e madeira.
A letra c está certa: por causa desses materiais e das lamparinas de óleo, incêndios e desabamentos eram comuns.
A letra d é a falsa: água encanada e esgoto existiam em poucos lugares, como os domus ricos e prédios térreos. Nos andares altos das ínsulas, as pessoas carregavam água e jogavam os dejetos fora. Resposta: d.
12Dissertativo
Explique o que eram os triunfos e as termas e mostre por que eles eram importantes no dia a dia dos romanos.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Os triunfos eram grandes desfiles de comemoração das vitórias militares: o general vitorioso entrava em Roma com soldados, prisioneiros e riquezas conquistadas, diante de uma multidão. As termas eram os banhos públicos, com piscinas de água quente, morna e fria, além de jardins, bibliotecas e áreas de exercício. Ambos eram importantes porque ofereciam lazer gratuito ou barato, reuniam pessoas de várias camadas sociais e serviam para mostrar a força e a generosidade do Estado e do imperador, mantendo o povo satisfeito.
Resolução passo a passo
Primeiro, os triunfos. Imagine um desfile enorme: soldados, carroças cheias de tesouros, prisioneiros acorrentados e o general no carro. Tudo isso passava pelas ruas de Roma.
Para que servia? Para celebrar a conquista, agradecer aos deuses e, principalmente, mostrar ao povo o poder de Roma e de seu comandante.
Agora, as termas. Eram banhos públicos gigantes, com piscinas de temperaturas diferentes, salas de massagem, jardins, bibliotecas e espaço para esportes.
Mas o banho era só parte da história: ali as pessoas conversavam, faziam negócios, discutiam política e encontravam amigos. Eram o grande ponto de encontro da cidade.
Juntando os dois, percebemos uma estratégia: oferecer lazer ao povo ajudava o governo a manter a população contente e a fortalecer a imagem do imperador.
13Dissertativo
Por que o controle do Mar Mediterrâneo foi tão importante para a prosperidade do Império Romano? Cite um efeito econômico e um efeito cultural desse domínio.
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Resposta
Porque o Mediterrâneo era o grande caminho que ligava todas as províncias: por ele chegavam os alimentos e produtos que abasteciam Roma e viajavam os exércitos. Efeito econômico: o comércio cresceu e a cidade recebeu trigo do Egito, azeite e metais da Hispânia, vinho da Gália, deixando o império rico. Efeito cultural: junto com as mercadorias circulavam ideias, religiões, línguas e costumes — o latim se espalhou e o cristianismo pôde se difundir.
Resolução passo a passo
Pense no mapa: o Mediterrâneo fica bem no meio do império, cercado por terras romanas na Europa, na Ásia e na África. Por isso os romanos o chamavam de mare nostrum.
Naquela época, viajar por água era mais rápido e mais barato do que por terra. Um navio carregava muito mais carga do que dezenas de carroças.
Efeito econômico: Roma, com cerca de 1 milhão de habitantes, dependia do que chegava de fora. O trigo egípcio alimentava a cidade; azeite, vinho, metais e tecidos vinham de outras províncias. O comércio gerava impostos e riqueza.
Efeito cultural: quem viaja leva junto suas crenças e costumes. Assim o latim, a arquitetura, as leis romanas e, mais tarde, o cristianismo se espalharam de uma ponta à outra do império.
Controlar esse mar, portanto, era controlar a comida, o dinheiro e as ideias do império.
14Calcule
No início do século I, Roma tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Imagine que 3 em cada 4 pessoas moravam em ínsulas. Quantas pessoas morariam nesses prédios? Mostre o cálculo.
Passo 2 – multiplicar por 3, porque queremos três quartos: 250 000 × 3 = 750 000
Resposta: cerca de 750 000 pessoas morariam em ínsulas. Os outros 250 000 (1 quarto) estariam em domus ou outras moradias — o que mostra que a maioria da população vivia nos prédios pobres e apertados.
O cristianismo e os cristãos no Império Romano
15Múltipla escolha
As palavras Messias (hebraico) e Cristo (grego) têm o mesmo significado. Qual é ele?
Resposta
Alternativa b) Ungido.
Resolução passo a passo
Messias vem do hebraico e Cristo vem do grego, mas as duas palavras traduzem a mesma ideia: ungido.
Ungir era um antigo costume: passava-se óleo sagrado na cabeça de alguém para mostrar que aquela pessoa havia sido escolhida por Deus para uma missão especial, como reis e sacerdotes.
Por isso, quando os seguidores chamavam Jesus de Cristo, estavam dizendo Jesus, o ungido, o escolhido.
As demais opções (guerreiro, imperador, carpinteiro) não correspondem ao significado da palavra.
16Múltipla escolha
Por que os romanos não aceitavam o caráter divino de Jesus?
Resposta
Alternativa b) Porque, para eles, apenas o imperador poderia ter essa qualidade.
Resolução passo a passo
Em Roma, o imperador era tratado como figura sagrada e recebia culto: as pessoas deviam fazer oferendas em sua honra.
Quando os cristãos diziam que Jesus era o filho de Deus e se recusavam a adorar o imperador, isso soava como desobediência e até traição ao Estado.
Ou seja, o problema não era religioso apenas: era político. Aceitar outro ser divino acima do imperador enfraquecia a autoridade dele.
As outras alternativas estão erradas: os romanos tinham muitos deuses (a), Jesus não era general parta (c) e não foi escolhido pelo Senado (d).
17Dissertativo
O cristianismo conquistou muitos seguidores entre os escravizados e as pessoas mais pobres do Império. Cite um motivo que explica essa rápida expansão e diga como as autoridades romanas reagiram a ela.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
O cristianismo cresceu rápido entre pobres e escravizados porque pregava a igualdade entre todos diante de Deus, o amor ao próximo e a promessa de salvação e de uma vida melhor após a morte — uma esperança para quem sofria. As autoridades romanas reagiram com perseguição: proibiram o culto, prenderam, torturaram e mataram cristãos, que passaram a se reunir escondidos, como nas catacumbas.
Resolução passo a passo
Primeiro, pense em quem eram essas pessoas: escravizados e pobres viviam sem direitos, sem esperança de melhorar de vida.
Agora veja a mensagem cristã: diante de Deus, todos são iguais, ricos e pobres, livres e escravizados. Quem sofre agora terá consolo. Para quem estava no fundo da sociedade, isso era muito atraente.
Outro ponto importante: as comunidades cristãs ajudavam seus membros, dividindo comida e cuidando dos doentes. Isso criava acolhimento.
E a reação de Roma? Como os cristãos se recusavam a cultuar o imperador, foram vistos como inimigos do Estado. Vieram as perseguições, com prisões e execuções, até que o cenário mudou com o Edito de Milão, em 313.
18Verdadeiro ou falso
Escreva V para verdadeiro e F para falso sobre a relação entre cristãos e o Estado romano.
Os cristãos incomodavam as autoridades porque se recusavam a servir no exército e a adorar o imperador.
Em 313, o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, que garantiu liberdade de culto aos cristãos.
Em 380, o imperador Teodósio declarou o cristianismo religião oficial do Império Romano.
O cristianismo foi aceito pelos romanos desde o primeiro momento em que surgiu.
Resposta
V – V – V – F
Resolução passo a passo
1ª (V): os cristãos recusavam o culto ao imperador e muitos se negavam a servir no exército, o que era visto como desobediência ao Estado.
2ª (V): em 313, Constantino assinou o Edito de Milão, que garantiu liberdade de culto aos cristãos e encerrou as perseguições oficiais.
3ª (V): em 380, Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano.
4ª (F): o cristianismo não foi aceito desde o início. Antes de 313, os cristãos foram perseguidos por quase três séculos.
Baixo Império: crises e divisão do império
19Múltipla escolha
O Império Romano atingiu sua maior extensão no governo de um imperador, no início do século II, chegando a cerca de 6,5 milhões de quilômetros quadrados. Quem foi esse imperador?
Resposta
Alternativa b) Trajano.
Resolução passo a passo
O império não parou de crescer com Augusto. Ele continuou se expandindo durante o Alto Império.
O ponto máximo aconteceu no início do século II, no governo de Trajano, que conquistou a Dácia (atual Romênia) e terras no Oriente.
Nesse momento, o território chegou a cerca de 6,5 milhões de km², banhando três continentes.
As outras opções não servem: Augusto é do século I a.C., Diocleciano governou na crise do século III e Teodósio dividiu o império em 395.
20Dissertativo
Quem eram os colonos que surgiram na área rural de Roma a partir do século III? Explique como viviam e por que ficavam presos à terra.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Os colonos eram trabalhadores livres e pobres que recebiam um pedaço de terra de um grande proprietário para cultivar, entregando em troca parte da colheita ou pagando aluguel. Viviam no campo, junto com a família, produzindo o próprio sustento. Ficavam presos à terra porque se endividavam com o dono e porque as leis romanas passaram a proibir que abandonassem a propriedade onde trabalhavam.
Resolução passo a passo
Comece pela causa. Com o fim das guerras de conquista, chegavam poucos escravizados novos. Os grandes latifúndios ficaram sem mão de obra suficiente.
A solução dos proprietários foi dividir as terras em lotes e entregá-los a pessoas livres empobrecidas: os colonos.
Como funcionava? O colono cultivava o lote, ficava com uma parte da produção para viver e entregava a outra parte ao dono. Era um acordo, não escravidão.
Mas, na prática, ele acabava preso à terra: as colheitas ruins geravam dívidas e, a partir do século IV, leis proibiram que os colonos deixassem a propriedade. Os filhos herdavam essa condição.
Esse modelo é muito parecido com o que existiria depois na Idade Média, com os servos dos feudos.
21Múltipla escolha
O fim das guerras de conquista provocou uma reação em cadeia na economia romana. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Resposta
Alternativa b) Menos guerras → menos escravizados → queda da produção nos latifúndios → divisão das terras e surgimento dos colonos.
Resolução passo a passo
Vamos montar a corrente de causas e efeitos.
1) Roma para de conquistar novos territórios. Menos guerras.
2) Como os escravizados vinham principalmente dos prisioneiros de guerra, a entrada de mão de obra escrava diminui muito.
3) Sem trabalhadores suficientes, a produção nos grandes latifúndios cai.
4) Para não deixar a terra parada, os proprietários dividem as propriedades em lotes e os entregam a trabalhadores livres pobres: nascem os colonos.
A letra b reproduz exatamente essa sequência. As outras invertem as causas ou inventam efeitos que não aconteceram.
22Dissertativo
Explique o que foi a tetrarquia criada a partir do governo de Diocleciano e diga se ela resolveu os problemas do império.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
A tetrarquia (governo de quatro) foi o sistema criado por Diocleciano em que o império passou a ser governado por quatro pessoas: dois Augustos (um no Oriente e outro no Ocidente) e dois Césares, auxiliares e futuros sucessores. O objetivo era administrar melhor o território e defender as fronteiras. Ela trouxe alívio por um tempo, mas não resolveu os problemas: assim que Diocleciano deixou o poder, os quatro governantes começaram a disputar o trono, e novas guerras civis estouraram, até Constantino reunificar o império.
Resolução passo a passo
Primeiro, o problema: o império era imenso, as fronteiras eram atacadas e um só governante não dava conta.
A ideia de Diocleciano (a partir de 284) foi dividir a administração. O território foi repartido em parte Oriental e parte Ocidental, cada uma com um Augusto no comando.
Cada Augusto ganhou um ajudante, o César, que deveria sucedê-lo. Quatro governantes ao todo — por isso tetra (quatro) + arquia (governo).
Funcionou? Em parte. A defesa das fronteiras melhorou e a administração ficou mais ágil por alguns anos.
Mas não durou. Sem Diocleciano, a ambição falou mais alto: os tetrarcas guerrearam entre si. Constantino venceu a disputa, acabou com a tetrarquia e reunificou o império em 324 — embora a divisão voltasse de vez em 395.
Germanos, invasões e a queda do Império Romano do Ocidente
23Múltipla escolha
Assinale a alternativa que traz apenas povos germânicos citados no capítulo.
Resposta
Alternativa a) Ostrogodos, vândalos, francos e anglo-saxões.
Resolução passo a passo
A questão pede uma lista com apenas povos germânicos.
Na letra a, todos são germânicos: ostrogodos, vândalos, francos e anglo-saxões (além de visigodos, lombardos e hérulos, citados no capítulo).
Na letra b aparecem hunos (povo nômade vindo da Ásia), partas, persas e cartagineses — nenhum é germânico.
Na letra c, só os godos são germânicos; gregos, egípcios e etruscos não são.
Na letra d, lombardos são germânicos, mas hunos, judeus e babilônios não. Resposta: a.
24Múltipla escolha
A partir de 375, a entrada de germanos em terras romanas cresceu muito. Qual foi o motivo principal desse aumento?
Resposta
Alternativa b) Os hunos, povo nômade e guerreiro, ocuparam territórios germânicos e pressionaram esses povos a buscar novas terras.
Resolução passo a passo
Pense numa fila de dominós. Por volta de 375, os hunos, vindos das estepes da Ásia, avançaram sobre a Europa.
Eles eram cavaleiros muito rápidos e temidos. Ao ocupar as terras dos godos e de outros povos germânicos, empurraram essas populações para o oeste.
Fugindo dos hunos, esses povos pediram para entrar no território romano — e muitos entraram à força. Foi o começo das chamadas invasões (ou migrações) germânicas.
As outras alternativas são inventadas: não houve convite geral (a), nem erupção vulcânica (c), nem pagamento de Teodósio (d).
25Dissertativo
O ano de 476 marca, simbolicamente, a queda do Império Romano do Ocidente. Cite e explique três fatores que ajudam a entender o enfraquecimento desse império.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Três fatores possíveis: (1) crise do trabalho escravo — com o fim das conquistas, faltou mão de obra, a produção caiu e a economia enfraqueceu; (2) crise política e militar — a anarquia do século III, com imperadores trocados o tempo todo pelo exército, gerou guerras civis e deixou as fronteiras desprotegidas; (3) invasões germânicas — a partir de 375, pressionados pelos hunos, vários povos entraram no império e ocuparam províncias inteiras. Também contam o alto custo de manter o exército e a burocracia (impostos altíssimos), a divisão do império em 395 e as mudanças culturais trazidas pela ascensão do cristianismo.
Resolução passo a passo
Uma regra de ouro da História: acontecimentos grandes quase nunca têm uma causa só. Vamos separar os fatores.
Fator 1 – economia. Sem novas guerras, chegavam poucos escravizados. A produção dos latifúndios caiu, o comércio diminuiu e as cidades encolheram. Muita gente voltou para o campo (ruralização).
Fator 2 – política e exército. Entre 235 e 284, as legiões faziam e desfaziam imperadores. Guerras civis consumiam recursos e tiravam soldados das fronteiras.
Fator 3 – invasões. Empurrados pelos hunos, visigodos, vândalos, ostrogodos e outros povos entraram no território romano. Roma foi saqueada em 410 e províncias inteiras se perderam.
Fatores extras: impostos altíssimos para sustentar exército e burocracia, a divisão definitiva de 395, que enfraqueceu o Ocidente, e a ascensão do cristianismo, que mudou os valores e transferiu parte da autoridade para a Igreja.
Todos esses fatores juntos explicam por que, em 476, bastou um empurrão de Odoacro para o Império do Ocidente cair.
Ler e descobrir: rotas comerciais e documentos históricos
26Múltipla escolha
De acordo com o texto da historiadora Marie-Françoise Baslez, as estradas romanas serviam a vários usos. Assinale a alternativa que apresenta um uso citado no texto.
Resposta
Alternativa a) Levar a mensagem do cristianismo a outras regiões, como fez São Martim no século IV.
Resolução passo a passo
No texto, a historiadora Marie-Françoise Baslez mostra que as estradas romanas tinham muitos usos: comércio, deslocamento do exército, correio imperial, viagens de peregrinos e também a divulgação de ideias e religiões.
Ela cita o exemplo de São Martim, que no século IV percorreu estradas para pregar o cristianismo em regiões do campo.
Por isso a letra a é a correta: é um uso citado diretamente no texto.
As outras alternativas contrariam o documento: as estradas não escondiam ninguém (b), gladiadores não eram levados às termas (c) e as estradas facilitavam, e não impediam, o comércio (d).
27Múltipla escolha
No texto de Tácito, o Senado decidiu manter a execução mesmo com o povo protestando. Qual explicação abaixo é a mais coerente com o que você estudou sobre Roma?
Resposta
Alternativa b) A maioria dos senadores queria manter os costumes antigos e usar o medo para impedir novas revoltas de escravizados.
Resolução passo a passo
Pense em quem eram os senadores: os grandes proprietários, donos de muitos escravizados. Eles próprios se sentiam ameaçados.
O argumento defendido no Senado foi o da tradição e do exemplo: se a punição não fosse aplicada a todos, os senhores ficariam sem segurança dentro de suas casas.
Ou seja, a execução tinha uma função clara: espalhar o medo para que nenhum escravizado pensasse em se rebelar.
As demais alternativas não se sustentam: os cristãos ainda eram perseguidos e não influenciavam o Senado (a), os escravizados não eram estrangeiros ricos (c) e o imperador tinha, sim, grande poder no período (d).
Explore seus conhecimentos: revisão geral
28Dissertativo
Monte uma linha do tempo com os seguintes acontecimentos, do mais antigo para o mais recente, escrevendo o ano de cada um: Edito de Milão; início do governo de Otávio; queda do Império Romano do Ocidente; divisão do império por Diocleciano; cristianismo vira religião oficial; transferência da capital para Constantinopla.
A sua resposta fica salva neste iPad.
Resposta
Linha do tempo (do mais antigo para o mais recente): 1) 27 a.C. – início do governo de Otávio; 2) 284 – divisão do império por Diocleciano; 3) 313 – Edito de Milão; 4) 330 – transferência da capital para Constantinopla; 5) 380 – cristianismo vira religião oficial; 6) 476 – queda do Império Romano do Ocidente.
Resolução passo a passo
Passo 1 – anote a data de cada acontecimento: • Início do governo de Otávio → 27 a.C. • Divisão feita por Diocleciano → 284 d.C. • Edito de Milão (Constantino) → 313 d.C. • Capital transferida para Constantinopla → 330 d.C. • Cristianismo como religião oficial (Teodósio) → 380 d.C. • Queda do Império Romano do Ocidente → 476 d.C.
Passo 2 – lembre da regra das datas: tudo que é a.C. vem antes do que é d.C.. Então 27 a.C. abre a linha do tempo.
Passo 3 – ordene os anos d.C. do menor para o maior: 284 → 313 → 330 → 380 → 476.
Passo 4 – monte a linha: 27 a.C. → 284 → 313 → 330 → 380 → 476
Repare na história que ela conta: Roma começa o império com Otávio, entra em crise e se divide, aceita e depois oficializa o cristianismo, e finalmente vê cair sua parte ocidental.
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