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Capítulo 14 – Formação dos reinos medievais (Unidade 4: Ordem na Idade Média)

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Capítulo 14 – Formação dos reinos medievais (Unidade 4: Ordem na Idade Média)

Resumo completo

Capítulo 14 – Formação dos reinos medievais (Unidade 4: Ordem na Idade Média)

Resumo completo

1Abertura: por que estudar a Idade Média?

Imagine uma sociedade sem nenhuma regra. Cada pessoa faria o que quisesse, até usando a força. A convivência ficaria muito difícil, não é?

Depois que o Império Romano do Ocidente caiu, a Europa ficou um tempo sem um governo centralizado, ou seja, sem um líder forte que mandasse em todos e garantisse a ordem.

Aos poucos, muitos povos da Europa e da Ásia encontraram uma identidade comum na fé cristã e criaram regras de convivência a partir dela. Mas atenção: a religião também virou motivo de guerras e serviu de desculpa para atitudes autoritárias.

Nesta unidade você vai conhecer os povos romano-germânicos, o Império Bizantino e o feudalismo. Neste capítulo específico, o foco é como nasceram os reinos medievais e qual foi o papel da Igreja nessa organização.

Exemplos

  • Curiosidade do início do capítulo: em 2018, cientistas europeus criaram um programa de computador que transcreve automaticamente manuscritos medievais. Isso ajuda os pesquisadores, porque os textos da época eram escritos à mão, com letras cheias de enfeites e regras de gramática diferentes das nossas.

Linha do tempo da Unidade 4

AnoAcontecimento
395Divisão do Império Romano em Império do Oriente e Império do Ocidente
476Queda (desagregação) do Império Romano do Ocidente
527-565Justiniano comanda o Império Bizantino
732Batalha de Poitiers: os muçulmanos são contidos na Europa
Século VIIIFormação do feudalismo na Europa
771Carlos (depois chamado Carlos Magno) assume o Reino dos Francos
814Morte de Carlos Magno
1054Cisma do Oriente (divisão da Igreja)
1453Tomada de Constantinopla e fim do Império Bizantino

2Começa a Idade Média

No ano de 476, os hérulos, um povo germânico vindo da Península Escandinava, conquistaram a cidade de Roma e tiraram do trono o último imperador romano.

Esse fato é chamado de queda do Império Romano. Mas os historiadores preferem falar em desagregação, porque o império não acabou por causa de um único fato: ele foi se desmontando aos poucos, por muitos motivos (crises econômicas, sociais, políticas e culturais).

Essas mudanças foram tão grandes que marcaram o fim da Antiguidade e o começo da Idade Média, um período de quase mil anos (de 476 até 1453).

A Idade Média é dividida em duas partes: Alta Idade Média (séculos V a XI) e Baixa Idade Média (séculos XI a XV).

Exemplos

  • Por que 476 é um marco? Porque foi o ano em que o último imperador romano do Ocidente foi deposto. Mas essa data é criticada: o império já vinha enfraquecendo há muito tempo, e a queda não aconteceu de um dia para o outro.
  • Outra crítica à periodização: os marcos usados (Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea) olham só para a história da Europa. América, Ásia e África viviam processos históricos bem diferentes nessas mesmas datas.

Divisões da Idade Média

PeríodoSéculosDatas aproximadas
Alta Idade MédiaV ao XI476 a cerca de 1000
Baixa Idade MédiaXI ao XVcerca de 1000 a 1453

3Os germanos ocupam o território romano

Entre os séculos III e V, vários povos germânicos migraram para dentro do Império Romano: francos, visigodos, ostrogodos, suevos, anglos e saxões, entre outros.

Os romanos chamavam todos eles de bárbaros. Esse nome não queria dizer selvagem: significava que eles não eram do território de Roma e não falavam latim.

A entrada desses povos aconteceu de duas maneiras. Alguns entraram de forma pacífica, fazendo acordos: em troca de viver na sociedade romana, muitos se alistavam no exército e ajudavam a defender as fronteiras. Outros entraram de forma violenta, saqueando e destruindo cidades.

Os germanos vinham de regiões diferentes, mas tinham costumes parecidos: eram politeístas (acreditavam em vários deuses), viviam em tribos, tinham economia agropastoril (agricultura e criação de animais) e sociedades militarizadas. Como não usavam a escrita, passavam o conhecimento de boca em boca. Por isso as leis também eram orais, guardadas na memória, e um tribunal formado pelos que conheciam essas tradições julgava os casos.

Exemplos

  • Exemplo de entrada pacífica: grupos germânicos recebiam permissão para morar em terras romanas e, em troca, serviam como soldados nas fronteiras do império.
  • Exemplo de entrada violenta: ataques e saques às cidades romanas, que assustavam a população e faziam as pessoas fugirem para o campo.

Romanos x Povos germânicos

AspectoImpério RomanoPovos germânicos
EconomiaComércio, cidades, trabalho escravo e agriculturaAgropastoril (agricultura e criação de animais)
ReligiãoCristianismo (religião oficial desde 380)Politeísta (vários deuses)
EscritaUsavam a escrita (latim)Não tinham escrita; cultura oral
LegislaçãoLeis escritas (Direito Romano)Leis baseadas em tradições orais, aplicadas por um tribunal de conhecedores
Organização do poderPoder centralizado no imperador, com cidades e provínciasTribos com chefes guerreiros; poder dividido entre eles

4A formação de novos reinos (reinos romano-germânicos)

Depois das invasões do século V, os povos germânicos reorganizaram o que restou do Império Romano e criaram reinos.

Alguns duraram pouquíssimo tempo, como o Reino dos Ostrogodos (493-553, só seis décadas) e o Reino dos Vândalos (429-535). Os dois foram dominados pelo Império Romano do Oriente, também chamado de Império Bizantino.

Outros duraram bem mais. O Reino dos Visigodos se formou na Península Ibérica (onde hoje ficam Portugal e Espanha) e existiu de 472 a 711, quando foi invadido pelos árabes muçulmanos. O mais estável de todos foi o Reino dos Francos.

Muitos desses reinos aproveitaram as estruturas de governo romanas: mantiveram impostos, tribunais e até as instâncias municipais. Ao mesmo tempo, guardaram tradições germânicas, como dividir o poder entre os chefes guerreiros. Essa mistura de romano + germânico deu origem ao nome reinos romano-germânicos.

Exemplos

  • Resposta modelo: Por que romano-germânicos? Porque esses reinos misturaram elementos romanos (impostos, tribunais, administração municipal, latim, cristianismo) com elementos germânicos (tradições orais, poder dividido entre chefes guerreiros, importância da terra).
  • No mapa do século V aparecem, entre outros: francos, visigodos, ostrogodos, suevos, vândalos, bascos, lombardos e o Reino de Borgonha.

Alguns reinos romano-germânicos

ReinoDuraçãoRegião / Fim
Vândalos429 a 535Norte da África; dominado pelo Império Bizantino
Ostrogodos493 a 553Península Itálica; dominado pelo Império Bizantino
Visigodos472 a 711Península Ibérica; invadido pelos árabes muçulmanos
FrancosA partir de 481Gália (atual França); foi o mais estável e duradouro

5A estrutura dos novos reinos

Com a desagregação do Império Romano do Ocidente, os ataques às antigas cidades romanas ficaram cada vez mais comuns. Junto com os surtos de doenças, isso fez muita gente fugir das cidades para o campo.

Esse movimento das pessoas indo morar no campo se chama ruralização. A maioria fugia para as terras dos novos reinos germânicos.

Mas como esses reinos eram organizados? Eles giravam em torno da terra e da força militar.

5.1Diversos grupos sociais

Para os germânicos, o reino era o território que pertencia ao rei. Por isso o rei podia dividir esse território entre os filhos ou doar pedaços de terra para quem lhe prestasse serviços importantes.

Para esse povo, ter terra era símbolo de poder e riqueza.

A maior parte da população era formada por camponeses: pessoas pobres que plantavam, cuidavam dos rebanhos e garantiam comida para si, para a família e também para a nobreza. Eles ainda construíam casas, trabalhavam como ferreiros e faziam tecidos em casa.

Exemplos

  • Exemplo visual citado no livro: uma iluminura de Simon Bening (século XVI) mostra camponeses trabalhando na terra, com foices e ancinhos, cuidando do feno.

5.2Reis, nobres e guerreiros: o poder militar

Os reinos se estruturavam em volta do poder militar. Pessoas que tinham algum recurso, como um pedaço de terra, entravam para as tropas de guerreiros, e o rei era o chefe de todos.

Para manter todo mundo unido em torno dele, o rei fazia campanhas militares o tempo todo. Um dos objetivos era saquear os inimigos. O butim (o conjunto de bens tomados dos derrotados, incluindo prisioneiros que eram escravizados) era repartido entre os soldados, a aristocracia e o próprio rei.

Com as guerras, alguns chefes guerreiros ficaram muito ricos e montaram seus próprios exércitos. Eles ofereciam proteção, soldo (salário) e sustento. Em troca, muitos camponeses guerreiros doavam suas terras a esses chefes, mas continuavam trabalhando nelas: eram livres, porém dependentes dos nobres.

Com o tempo, o poder desses nobres ficou maior até do que o do próprio rei. Foi a partir desses grupos — reis, nobres, guerreiros e camponeses — que séculos depois nasceu o feudalismo.

Exemplos

  • Passo a passo do enriquecimento dos nobres: 1) o rei faz uma campanha militar; 2) o exército saqueia o inimigo; 3) o butim é dividido; 4) alguns chefes guerreiros ficam ricos; 5) eles montam exércitos próprios; 6) camponeses entregam terras em troca de proteção; 7) o poder do nobre cresce e passa o do rei.

Grupos sociais dos reinos germânicos

GrupoO que faziaO que recebia
ReiChefiava as tropas e era dono do reinoParte do butim; fidelidade dos guerreiros
Nobres / chefes guerreirosComandavam exércitos própriosTerras, butim e trabalho dos camponeses
Guerreiros (soldados)Lutavam nas campanhas militaresSoldo (salário), proteção e parte do butim
CamponesesPlantavam, criavam animais, construíam, teciamProteção do nobre; podiam continuar trabalhando na terra

6A Igreja e o latim: unidade social e cultural

Os reinos romano-germânicos eram muitos e diferentes, mas tinham duas coisas que os aproximavam: a Igreja Católica e a língua latina.

Esses dois elementos funcionaram como uma cola cultural: mesmo povos distantes se reconheciam por causa da mesma religião e de línguas parecidas.

Os dois fatores de unidade

FatorComo unia os povos
Igreja CatólicaMesma fé, mesmos ritos, mosteiros espalhados pela Europa, hierarquia com o papa no topo
Língua latinaUsada em documentos oficiais e nos cultos; deu origem às línguas neolatinas

6.1A Igreja Católica

No ano 380, o catolicismo virou a religião oficial do Império Romano. Com o tempo, a Igreja se tornou uma das instituições mais fortes e ricas da Europa.

Por que ela ficou tão rica? Porque muitos nobres doavam para a Igreja, em vida ou em testamento, enormes extensões de terra e outros bens.

A Igreja tinha uma estrutura hierárquica rígida, ou seja, uma organização em níveis de poder, com o papa como líder máximo. Ela também tinha mosteiros até nos lugares mais distantes, o que ajudou a espalhar o cristianismo pelo continente.

A força política da Igreja cresceu ainda mais quando alguns reis se converteram ao cristianismo no fim do século V e início do VI: Clóvis (rei dos francos), Sigismundo (rei dos burgúndios) e Recaredo (rei dos visigodos).

Exemplos

  • Resposta modelo: 'Qual foi o papel da Igreja na identidade cultural da Europa?' Ela difundiu o cristianismo por todo o continente, fez povos diferentes se identificarem com a mesma fé, preservou o latim e os textos antigos e legitimou o poder de reis convertidos.

6.2A figura do papa

A palavra papa significa pai em latim. Ele é o líder máximo do catolicismo e dá a palavra final sobre as questões mais importantes da fé.

Os católicos consideram que o primeiro papa foi Pedro, discípulo de Jesus Cristo, ainda no século I. Depois dele vieram muitos outros, mas não há registros detalhados sobre os mais antigos.

Na Idade Média, dá para perceber o poder do papa em momentos como o batismo e a coroação de reis.

Hoje o papa é líder religioso e também chefe de Estado do Vaticano, sede da Igreja, dentro de Roma, na Itália. O livro cita o papa Francisco, no cargo desde 2013, depois da renúncia de Bento XVI.

Exemplos

  • Papas famosos citados na ilustração do livro: Inocêncio III, Gregório I, Francisco, Leão I e Pedro, o apóstolo.

6.3O latim e as línguas neolatinas

No Império Romano existiam duas formas de latim. O latim culto era falado pelas camadas mais altas da sociedade e seguia regras de gramática. O latim vulgar era o latim do povo, sem essas regras.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, as cidades foram destruídas e a vida cultural das elites acabou. As regiões ficaram isoladas e o latim vulgar predominou.

Com o tempo, esse latim vulgar se misturou à língua dos germânicos de cada região e formou dialetos. Desses dialetos nasceram as línguas neolatinas (ou românicas).

Mesmo assim, o latim sobreviveu de forma restrita: continuou sendo usado nos documentos oficiais dos reinos e pela Igreja Católica, inclusive nas missas. O latim vulgar existiu até por volta do século IX.

Exemplos

  • São línguas neolatinas: português, italiano, francês, espanhol, romeno, catalão e galego. O italiano é a que mais conserva o latim no vocabulário. Cerca de 400 milhões de pessoas têm uma língua neolatina como primeiro idioma.
  • Mesma frase Cuidado com o cão em três línguas neolatinas: Attenti al cane (italiano), Atención perro bizarro (espanhol), Attention chien bizarre (francês).
  • Passo a passo da formação das línguas neolatinas: 1) o Império Romano cai; 2) as regiões ficam isoladas; 3) o latim vulgar predomina; 4) ele se mistura com as línguas germânicas locais; 5) surgem dialetos; 6) os dialetos viram línguas como português, espanhol, francês e italiano.

6.4Para ir além: o trabalho dos monges copistas

A Igreja teve um papel muito importante: preservar o legado escrito da Antiguidade, ou seja, salvar os textos antigos.

Essa tarefa coube aos monges copistas. A partir do século VI, eles passaram a copiar à mão antigos textos de filosofia, medicina e literatura greco-romana que sobreviveram às invasões germânicas. Esse trabalho era feito pelos monges beneditinos, que viviam nos mosteiros da ordem de São Bento.

Para eles, os livros eram objetos sagrados e copiar era um ato espiritual. Os textos eram escritos em pergaminhos e enfeitados com desenhos pequenos e coloridos chamados iluminuras, que mostravam cenas do dia a dia ou imagens religiosas.

Exemplos

  • Como quase não existia imprensa na Idade Média, cada livro era copiado letra por letra, à mão. Fazer um único livro podia levar meses ou até anos.

7O Reino Franco

Os francos eram um povo que vivia na margem inferior do Rio Reno, em terras que hoje pertencem à Bélgica e aos Países Baixos. Por volta do século III, eles se instalaram na Gália (atual França), que na época era do Império Romano. Lá viviam em tribos com pouco contato entre si.

Em 481, essas tribos se uniram em um único reino. Quem liderou essa união foi o rei Clóvis, considerado por muitos o fundador da atual França.

Em 496, Clóvis se converteu ao cristianismo, e isso fortaleceu muito o poder dele. O Reino Franco virou o primeiro reino germânico sob influência do papa, e a Igreja passou a legitimar o poder de Clóvis, isto é, a afirmar que ele era rei não só diante dos homens, mas também diante de Deus.

Com o apoio da Igreja, Clóvis conquistou muitos territórios. Em troca, os francos espalhavam a fé cristã, ajudando a Igreja a crescer pela Europa. Depois da morte de Clóvis, em 511, o reino entrou em crises e só se recuperou dois séculos depois, quando Carlos, da dinastia dos carolíngios, assumiu o reino em 771.

Exemplos

  • Resposta modelo: Qual foi o papel de Clóvis? Ele uniu as tribos francas em um só reino (481), converteu-se ao cristianismo (496), ganhou o apoio da Igreja e ampliou o território por meio de conquistas.
  • Nota importante: em 732, na Batalha de Poitiers, os carolíngios comandaram o exército franco e impediram que os muçulmanos (que já dominavam o norte da África e a Península Ibérica) invadissem o reino. Por isso ficaram conhecidos como os grandes defensores do mundo cristão.
  • Documento de apoio (Le Goff): 'Clóvis é considerado, desde a Idade Média, o verdadeiro fundador da França.' Em 1965, o presidente De Gaulle disse: 'Para mim, a história da França começa com Clóvis [...] o elemento decisivo é que Clóvis foi o primeiro rei a ser batizado cristão.'

Linha do tempo do Reino Franco

AnoAcontecimento
Século IIIOs francos se instalam na Gália (atual França)
481Clóvis une as tribos e funda o Reino Franco
496Clóvis se converte ao cristianismo
511Morte de Clóvis; começam as crises
732Batalha de Poitiers: carolíngios contêm os muçulmanos
771Carlos (Carlos Magno) assume o Reino Franco

8O Império Carolíngio (800-887)

Na noite de Natal do ano 800, o papa Leão III coroou o rei Carlos como imperador dos romanos, tratando-o como representante de Deus na Terra.

Com esse gesto, o papa queria duas coisas: restaurar a glória do antigo Império Romano do Ocidente e fortalecer o poder da Igreja com o apoio do imperador. Carlos passou a ser chamado de Carlos Magno (magnus significa grande em latim).

A partir daí, o Reino dos Francos virou o Império Carolíngio. Carlos Magno centralizou muito o poder e chegou a controlar a própria Igreja: nomeava bispos e abades, que quase viraram funcionários do governo, e queria que o culto religioso fosse igual em todo o império.

Para governar um território tão grande, ele criou uma estrutura administrativa: dividiu o império em territórios menores e entregou cada um a pessoas de confiança.

Exemplos

  • Resposta modelo: 'Como era a relação entre Carlos Magno e a Igreja?' Era de troca e de proximidade: o papa o coroou imperador e legitimou seu poder; em troca, Carlos Magno protegia a Igreja, espalhava o cristianismo nas terras conquistadas e nomeava bispos e abades, controlando a Igreja.

Cargos criados por Carlos Magno

CargoTerritório que administravaDetalhe / símbolo
CondeCondado (o império foi dividido em cerca de 300)Coroa com 16 pérolas
DuqueDucado (união de vários condados)Coroa com oito flores de ouro; representava o rei e suas decisões valiam como as do rei
MarquêsMarcas (áreas de fronteira)Coroa com quatro flores de ouro e três pérolas entre elas; escolhido entre a nobreza local
Missi dominiciVisitavam os condadosGeralmente dois (um clérigo e um leigo); fiscalizavam bispos, abades e condes e ouviam queixas do povo

8.1O Renascimento Carolíngio

Carlos Magno queria um clero (os religiosos) e uma nobreza mais bem preparados. Por isso mandou criar escolas em todo o império, o que gerou uma grande renovação intelectual chamada Renascimento Carolíngio.

Foram criadas as escolas palatinas, para instruir os jovens da nobreza, e as escolas episcopais, para formar padres. O ensino não era só de Bíblia: incluía Gramática, Astronomia, Matemática, Música e leitura de textos da Antiguidade greco-romana.

Essa renovação chegou também à Arquitetura e à Arte. E trouxe a minúscula carolíngia, uma escrita com letras minúsculas que influenciou todo o Período Medieval e facilitou muito a leitura.

Com a morte de Carlos Magno, em 814, o império começou a se desfazer. Houve brigas entre os herdeiros e invasões dos normandos (vikings). Pelo Tratado de Verdun, de 843, o território foi dividido em três reinos governados pelos netos de Carlos Magno.

Exemplos

  • Documento De litteris colendis (786): Carlos Magno escreve a um abade dizendo que bispados e mosteiros devem ser zelosos na cultura das letras. Ele percebeu, pelas cartas recebidas, que os monges escreviam com erros e temia que quem escreve mal também compreenda mal as Sagradas Escrituras — pois 'os erros do pensamento são mais perigosos que os erros das palavras'. Esse documento se liga ao Renascimento Carolíngio porque mostra o incentivo do imperador à educação dos religiosos.
  • Obra citada: a Catedral de Aachen (Aquisgrão), na Alemanha, erguida por Carlos Magno por volta de 790; desde 1978 é patrimônio mundial da UNESCO.

Tratado de Verdun (843)

ReinoQuem governava
Reino de CarlosNeto de Carlos Magno (parte oeste, região de Paris/Bordéus)
Reino de LotárioNeto de Carlos Magno (faixa central, de Verdun até Roma)
Reino de LuísNeto de Carlos Magno (parte leste, região de Hamburgo/Salzburgo)

9Sacro Império Romano-Germânico

O Sacro Império foi outro reino poderoso da Idade Média. Ele nasceu da união de vários territórios europeus, com a ideia de restabelecer a glória do antigo Império Romano do Ocidente. A palavra sacro significa sagrado.

Alguns historiadores dizem que o governo de Carlos Magno já foi o começo desse império, porque sua coroação foi a primeira tentativa de construir um império medieval católico.

No fim do século IX, porém, a dinastia carolíngia perdeu força e começaram as disputas pelo poder. Vários reinados curtos se sucederam até o título de imperador ser extinto em 924, marcando o fim do Império Carolíngio.

Só em 962 um novo império se formou, e esse duraria mais de 800 anos. Naquele ano, Otão I, rei da Germânia, foi coroado imperador pelo papa João XII, depois de unificar vários territórios no norte da atual Itália. Ele dizia estar continuando o legado de Carlos Magno.

Com o tempo o império cresceu e seus governantes ligaram cada vez mais o título à Roma Antiga. O filho de Otão, Otão II, declarou-se imperador romano. Depois o reino foi chamado de Sacro Império, Sacro Império Romano e, finalmente, Sacro Império Romano-Germânico, em 1512.

Exemplos

  • No auge, o Sacro Império incluía territórios que hoje são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, República Checa, República Eslovaca, Eslovênia, leste da França, norte da Itália e oeste da Polônia.

Do Império Carolíngio ao Sacro Império

AnoAcontecimento
800Coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III
814Morte de Carlos Magno; começa a desagregação
843Tratado de Verdun divide o império em três reinos
924Título de imperador é extinto: fim do Império Carolíngio
962Otão I é coroado imperador pelo papa João XII
1512O reino passa a se chamar Sacro Império Romano-Germânico

9.1Cesaropapismo

Uma marca do Sacro Império era a ligação entre o poder do imperador e a religião. Era comum o papa coroar o imperador.

Com o tempo, porém, os nobres começaram a se meter em assuntos que antes eram só da Igreja. Esse tipo de interferência recebeu o nome de cesaropapismo: quando o poder político (o Estado) manda no poder religioso (a Igreja).

Essa mistura causou muitos conflitos. O mais famoso deles foi a Querela das Investiduras.

9.2Querela das Investiduras

A palavra querela vem do latim e significa questão, discussão, conflito. Investidura era o nome dado à ação de nomear pessoas do clero para cargos religiosos importantes, como o de bispo.

Naquela época, cobrar o dízimo e ocupar cargos administrativos da Igreja dava muito dinheiro. Por isso os nobres passaram a interferir: os reis escolhiam os bispos e os senhores feudais indicavam os curas, padres ou párocos (os responsáveis por uma igreja local). Até o papa ficou sob as ordens dos nobres italianos.

Vendo que a autoridade máxima da Igreja estava perdendo poder, grupos católicos iniciaram um movimento de reforma para conquistar mais autonomia para o clero. Os principais responsáveis foram os monges da Abadia de Cluny. Esse movimento bateu de frente com os interesses do Sacro Império e ficou conhecido como Querela das Investiduras.

Em 1058, o papa Nicolau II criou o Colégio dos Cardeais, para eleger os futuros papas. Em 1073, Gregório VII, monge de Cluny, foi eleito papa e proibiu que qualquer rei concedesse cargos religiosos.

O rei do Sacro Império, Henrique IV, tentou depor o papa, mas acabou excomungado (expulso da Igreja). Como a sociedade era muito religiosa, ele perdeu o apoio dos nobres e vários principados se declararam independentes. Depois conseguiu o perdão, mas mesmo assim organizou tropas para derrubar o papa.

Os conflitos só terminaram em 1122, com a Concordata de Worms, um documento que delimitou os poderes da Igreja e dos monarcas: os nobres podiam até indicar bispos, mas só o papa daria a eles a autoridade sagrada.

Exemplos

  • Resposta modelo: 'O que motivou a Querela das Investiduras?' A disputa pelo direito de nomear bispos e outros cargos da Igreja, que eram muito lucrativos. Grupos envolvidos: de um lado o papa e os monges reformadores da Abadia de Cluny; do outro, os reis e nobres do Sacro Império Romano-Germânico.
  • A Concordata de Worms foi assinada na Catedral de Worms (Alemanha), em 1122, pelo rei Henrique V e pelo papa Calisto II.

Etapas da Querela das Investiduras

AnoAcontecimento
1058Papa Nicolau II cria o Colégio dos Cardeais para eleger os papas
1073Gregório VII é eleito papa e proíbe reis de concederem cargos religiosos
Depois de 1073Henrique IV tenta depor o papa e é excomungado; perde apoio dos nobres
1122Concordata de Worms: só o papa dá a autoridade sagrada aos bispos

10+Atitude: em que ano estamos? (a história do calendário)

Responder em que ano estamos depende da cultura em que a pessoa vive. Egípcios, chineses, maias e gregos criaram calendários próprios, influenciados pela religião e pela cultura. Nosso calendário é herança romana.

Em 46 a.C., o ditador romano Caio Júlio César percebeu erros no calendário e criou o calendário juliano, baseado nos movimentos da Lua e do Sol. Ele já tinha anos de 365 dias e anos bissextos.

Mas César não conhecia o cristianismo — Jesus ainda nem havia nascido. Quem passou a contar os anos a partir do nascimento de Jesus foi Dionísio, um monge do século VI (Idade Média). Calculando a data da Páscoa, ele mudou o critério de contagem. A Igreja Católica adotou essa forma, que aos poucos se espalhou pelo mundo.

O calendário que usamos hoje, o calendário gregoriano, só foi criado em 1582, pelo papa Gregório XIII. Descobriu-se que o calendário juliano estava atrasado por um erro na quantidade de anos bissextos. Para corrigir, foi preciso pular dez dias: o dia 4 de outubro de 1582 foi seguido imediatamente pelo dia 15 de outubro.

Exemplos

  • Atividade proposta: em grupos, pesquisar outro calendário respondendo: qual é a história dele? Quem o criou e por quê? Quem o adota hoje? Em que ano estamos nele? Qual é o marco inicial da contagem dos anos?

Os calendários

CalendárioQuando surgiuQuem criouNovidade
Juliano46 a.C.Caio Júlio CésarAnos de 365 dias e anos bissextos, baseados na Lua e no Sol
Contagem a partir de CristoSéculo VIMonge DionísioContar os anos a partir do nascimento de Jesus (a.C. e d.C.)
Gregoriano1582Papa Gregório XIIICorreção do erro dos bissextos; pulou-se de 4 para 15 de outubro

11Revisão: o que você estudou neste capítulo

Vamos recapitular tudo o que apareceu no capítulo, para você revisar antes da prova.

Primeiro: as características dos povos germânicos e como nasceram os reinos romano-germânicos, que misturavam heranças romanas e germânicas.

Segundo: a importância da Igreja Católica e do latim como elementos de unidade social e cultural da Europa medieval.

Terceiro: o Reino Franco (Clóvis), o Império Carolíngio (Carlos Magno) e o Renascimento Carolíngio.

Quarto: a formação do Sacro Império Romano-Germânico e a Querela das Investiduras.

Exemplos

  • Questão de vestibular (UFRN): a Alta Idade Média foi marcada principalmente pela religião cristã, que favoreceu a mescla dos elementos culturais romanos e germânicos. Resposta: alternativa b.
  • Questão (FUVEST): o patrimônio greco-romano não desapareceu com a Antiguidade porque a Igreja serviu de conduto para sua sobrevivência (lembre dos monges copistas). Resposta: alternativa d.
  • Questão (UEPB): a presença dos bárbaros no Império Romano foi gradual, começou antes das invasões, com eles trabalhando na agricultura e no exército. Resposta: alternativa b.
  • Questão (PUC-PR): o grupo germano organizador do reino de Clóvis e Carlos Magno foi o dos francos. Resposta: alternativa d.
  • Questão (UTFPR): os funcionários que fiscalizavam o cumprimento das ordens de Carlos Magno eram os missi dominici. Resposta: alternativa c.

Palavras-chave do capítulo

TermoSignificado curto
DesagregaçãoO império romano foi se desmontando aos poucos, não caiu por um único motivo
BárbarosNome dado pelos romanos a quem não era do império e não falava latim
Reinos romano-germânicosReinos que misturaram estruturas romanas com tradições germânicas
RuralizaçãoFuga das pessoas das cidades para o campo
ButimBens saqueados dos derrotados em uma guerra
FeudalismoOrganização política e social nascida da relação entre reis, nobres, guerreiros e camponeses
Línguas neolatinasLínguas nascidas do latim vulgar misturado às línguas germânicas
IluminurasDesenhos coloridos em miniatura que enfeitavam os manuscritos
Missi dominiciAgentes imperiais que fiscalizavam os condados de Carlos Magno
CesaropapismoQuando o poder político (Estado) manda no poder religioso (Igreja)
InvestiduraAto de nomear alguém para um cargo religioso importante
Concordata de Worms (1122)Acordo que delimitou os poderes do papa e dos monarcas

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Capítulo 14 – Formação dos reinos medievais (Unidade 4: Ordem na Idade Média)

Resumo rápido

Capítulo 14 – Formação dos reinos medievais (Unidade 4: Ordem na Idade Média)

Resumo rápido

1Começa a Idade Média

Em 476, os hérulos (um povo germânico) tomaram a cidade de Roma e tiraram do poder o último imperador. Esse fato é chamado de "queda do Império Romano do Ocidente", mas os historiadores preferem falar em desagregação, porque o império não caiu por um motivo só.

Esse ano marca o fim da Antiguidade e o começo da Idade Média, período que durou quase mil anos (de 476 a 1453).

A Idade Média se divide em Alta Idade Média (séculos V a XI) e Baixa Idade Média (séculos XI a XV). Muitos historiadores criticam essa divisão, porque ela usa só fatos da Europa e esquece a história da América, da Ásia e da África.

2Os germanos ocupam o território romano

Entre os séculos III e V, vários povos germânicos migraram para dentro do Império Romano: francos, visigodos, ostrogodos, suevos, anglos, saxões e outros. Os romanos os chamavam de bárbaros, porque não viviam em terras de Roma e não falavam latim.

Alguns entraram de forma pacífica, com acordos: em troca de viver ali, serviam no exército romano. Outros entraram atacando e saqueando as cidades.

Esses povos tinham costumes parecidos: eram politeístas (acreditavam em vários deuses), viviam em tribos, tinham economia agropastoril e sociedades militarizadas. Como não usavam escrita, as leis eram tradições orais, julgadas por um tribunal de pessoas que conheciam esses costumes.

3A formação de novos reinos

Depois das invasões do século V, os germanos organizaram reinos no antigo território romano. Alguns duraram pouco, como o Reino dos Ostrogodos (493-553) e o dos Vândalos (429-535), dominados pelo Império Bizantino.

Outros duraram mais, como o Reino dos Visigodos, na Península Ibérica (472-711), e o Reino dos Francos, o mais estável de todos.

Esses reinos misturaram coisas romanas (impostos, tribunais, administração das cidades) com tradições germânicas (poder dividido entre chefes guerreiros). Por isso são chamados de reinos romano-germânicos.

4A estrutura dos novos reinos

Com o fim do Império Romano do Ocidente, as cidades sofriam ataques e doenças. As pessoas fugiram para o campo: isso se chama ruralização.

Para os germanos, o reino era a terra do rei, e ter terra significava poder e riqueza. Por isso o rei dividia terras entre filhos e entre quem lhe prestava bons serviços.

4.1Grupos sociais e poder militar

A maior parte da população era de camponeses: gente pobre que plantava, cuidava dos animais, construía casas e produzia tecidos.

Os reinos giravam em torno do poder militar. O rei era o chefe dos guerreiros e promovia campanhas para manter todos unidos. O butim (bens saqueados dos derrotados) era dividido entre soldados, nobres e o rei; os prisioneiros viravam escravizados.

Muitos chefes guerreiros ficaram ricos e montaram exércitos próprios. Camponeses doavam suas terras a esses nobres em troca de proteção, mas continuavam trabalhando nelas: ficavam livres, porém dependentes. Desses grupos (reis, nobres, guerreiros e camponeses) nasceria mais tarde o feudalismo.

5A Igreja e o latim: unidade social e cultural

Mesmo separados, os reinos romano-germânicos tinham dois elementos em comum: a Igreja Católica e a língua latina.

Em 380 o catolicismo virou religião oficial do Império Romano. A Igreja ficou rica com doações de terras dos nobres e tinha uma hierarquia rígida, com o papa como líder máximo e mosteiros espalhados pela Europa. Reis como Clóvis (francos), Sigismundo (burgúndios) e Recaredo (visigodos) se converteram, o que aumentou o poder político da Igreja.

O latim também unia. O latim culto era das camadas altas; o latim vulgar, do povo. Misturado às línguas germânicas de cada região, o latim vulgar deu origem às línguas neolatinas (português, espanhol, italiano, francês, romeno, catalão, galego). O latim culto continuou nos documentos oficiais e nos cultos da Igreja.

Exemplo

  • A mesma frase em três línguas neolatinas: Attenti al cane (italiano), Atención perro (espanhol), Attention chien (francês) – todas querem dizer "Cuidado com o cão".

5.1Os monges copistas

A partir do século VI, os monges copistas (principalmente os beneditinos, da ordem de São Bento) copiavam à mão textos antigos de filosofia, medicina e literatura greco-romana.

Eles escreviam em pergaminhos e enfeitavam as páginas com pequenos desenhos chamados iluminuras. Assim, a Igreja ajudou a preservar o conhecimento da Antiguidade.

6O Reino Franco

Os francos viviam perto do Rio Reno e, no século III, se instalaram na Gália (atual França). Em 481, o rei Clóvis uniu as tribos em um só reino.

Em 496, Clóvis se converteu ao cristianismo. O Reino Franco virou o primeiro reino germânico apoiado pelo papa, e a Igreja passou a legitimar seu poder (dizer que ele era rei também perante Deus). Com esse apoio, Clóvis conquistou muitos territórios e espalhou a fé cristã.

Depois da morte de Clóvis (511), o reino entrou em crise. Só se firmou de novo em 771, quando Carlos, da dinastia dos carolíngios, assumiu. Ele dava terras aos chefes guerreiros e recebia em troca juramentos de fidelidade.

Exemplo

  • Em 732, na Batalha de Poitiers, os carolíngios detiveram o avanço muçulmano na Europa e passaram a ser vistos como defensores do mundo cristão.

7O Império Carolíngio (800-887)

No Natal do ano 800, o papa Leão III coroou Carlos como imperador dos romanos. Ele ficou conhecido como Carlos Magno (magnus = "grande" em latim). O Reino Franco virou Império Carolíngio.

Carlos Magno centralizou o poder e controlava até a Igreja: nomeava bispos e abades e queria o mesmo culto religioso em todo o império.

7.1Administração: condes, duques e marqueses

Carlos Magno dividiu o império em cerca de 300 condados, cada um governado por um conde. Vários condados juntos formavam um ducado, chefiado por um duque, representante do rei.

Nas fronteiras havia as marcas, administradas pelos marqueses. Os missi dominici eram agentes do imperador (em geral dois, um clérigo e um leigo) que visitavam os condados para fiscalizar autoridades e ouvir queixas do povo.

7.2O Renascimento Carolíngio

Carlos Magno criou escolas para formar nobres e padres mais preparados: as escolas palatinas (para jovens da nobreza) e as escolas episcopais (para futuros padres).

Além da Bíblia, ensinavam Gramática, Astronomia, Matemática e Música, e liam textos da Antiguidade greco-romana. Essa renovação chegou à arquitetura e à arte e criou a minúscula carolíngia, um jeito de escrever com letras minúsculas usado por todo o período medieval.

Com a morte de Carlos Magno, em 814, o império começou a se desfazer, por brigas entre herdeiros e invasões dos normandos (vikings). Pelo Tratado de Verdun (843), o território foi dividido em três reinos entre seus netos.

8Sacro Império Romano-Germânico

O título de imperador acabou em 924, marcando o fim do Império Carolíngio. Em 962, Otão I, rei da Germânia, foi coroado imperador pelo papa João XII e dizia continuar o legado de Carlos Magno.

Esse império durou mais de 800 anos. Foi chamado de Sacro Império, depois Sacro Império Romano e, em 1512, Sacro Império Romano-Germânico. No auge, incluía terras da atual Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Chéquia, Eslováquia, Eslovênia, leste da França, norte da Itália e oeste da Polônia.

"Sacro" quer dizer sagrado: o imperador era coroado pelo papa. Com o tempo, os nobres passaram a se meter em assuntos da Igreja, o que se chama cesaropapismo (o poder político mandando no religioso).

8.1Querela das Investiduras

Querela significa conflito; investidura era o ato de nomear alguém do clero para um cargo importante, como o de bispo. Esses cargos davam dinheiro (dízimo) e poder, então reis e senhores feudais queriam escolher bispos e padres.

Os monges da Abadia de Cluny lideraram uma reforma para barrar essa interferência. Em 1058, o papa Nicolau II criou o Colégio dos Cardeais para eleger os papas; em 1073, o papa Gregório VII proibiu reis de dar cargos religiosos.

O rei Henrique IV tentou depor o papa e foi excomungado, perdendo o apoio dos nobres. O conflito só terminou em 1122, com a Concordata de Worms: os nobres podiam indicar bispos, mas só o papa dava a eles a autoridade sagrada.

9Curiosidade: em que ano estamos?

Nosso calendário é herança romana. Em 46 a.C., Júlio César criou o calendário juliano, com anos de 365 dias e anos bissextos.

No século VI, o monge Dionísio passou a contar os anos a partir do nascimento de Jesus (antes e depois de Cristo). Em 1582, o papa Gregório XIII corrigiu o atraso do calendário juliano e criou o calendário gregoriano, o mais usado hoje.

10Linha do tempo essencial

395 – divisão do Império Romano em Ocidente e Oriente.

476 – queda do Império Romano do Ocidente (início da Idade Média).

732 – Batalha de Poitiers. 771 – Carlos assume o Reino Franco. 800 – coroação de Carlos Magno. 814 – morte de Carlos Magno.

1054 – Cisma do Oriente. 1122 – Concordata de Worms. 1453 – tomada de Constantinopla e fim do Império Bizantino.

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