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Capítulo 15 — O Império Bizantino

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Capítulo 15 — O Império Bizantino

Resumo completo

Capítulo 15 — O Império Bizantino

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1Uma cidade com três nomes: Bizâncio, Constantinopla e Istambul

Existe uma cidade muito especial que fica bem no limite entre a Europa e a Ásia. Hoje ela se chama Istambul e fica na Turquia.

Ela está nas duas margens do Estreito de Bósforo, um canal de água que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara. Por isso ela sempre foi uma passagem obrigatória para quem viajava ou comerciava entre o Oriente e o Ocidente.

Essa cidade já teve três nomes. No século VII a.C., os gregos fundaram ali a cidade de Bizâncio. No século IV, o imperador romano Constantino construiu no mesmo lugar a cidade de Constantinopla, inaugurada em 330. Em 1453, quando os turco-otomanos conquistaram a cidade, ela passou a se chamar Istambul.

Constantinopla foi a capital do Império Romano do Oriente, que também é chamado de Império Bizantino (o nome vem da antiga Bizâncio). Esse império durou mais de mil anos!

Exemplos

  • Se alguém perguntar: 'Que cidade é essa que muda de nome?', você responde: primeiro Bizâncio (gregos), depois Constantinopla (romanos, a partir de 330) e, por fim, Istambul (turco-otomanos, a partir de 1453).

Os nomes da mesma cidade ao longo do tempo

NomeQuem deu o nomeQuando
BizâncioGregosSéculo VII a.C.
ConstantinoplaImperador romano ConstantinoFundada em 330 d.C.
IstambulTurco-otomanosA partir de 1453

2Precedentes: a divisão do Império Romano

A partir do século II a.C., Roma virou um império gigante em volta do Mar Mediterrâneo. Ele ia do Oceano Atlântico até a Ásia Menor e a Mesopotâmia.

Governar um território tão grande era muito difícil. Havia revoltas internas, invasões de povos estrangeiros e brigas pelo poder.

Para tentar resolver isso, em 395 o imperador Teodósio dividiu o império em duas partes e entregou cada uma a um filho. O Império Romano do Ocidente ficou com Honório, e o Império Romano do Oriente ficou com Arcádio, tendo Constantinopla como capital.

Quando Teodósio morreu, a divisão virou permanente: nunca mais um único imperador governou os dois lados.

Exemplos

  • Pense assim: uma loja enorme e difícil de cuidar. O dono a divide em duas lojas menores e dá uma para cada filho. Foi o que Teodósio fez com o Império Romano em 395.

A divisão de 395 d.C.

Parte do impérioGovernanteCapitalO que aconteceu depois
Império Romano do OcidenteHonórioRoma / MilãoSofreu invasões e acabou no século V
Império Romano do OrienteArcádioConstantinoplaSe fortaleceu e durou até 1453

2.1Dois destinos bem diferentes

No século V, o Império Romano do Ocidente sofreu várias invasões e chegou ao fim. Seu território se quebrou em vários reinos, as pessoas saíram das cidades para o campo e o comércio quase desapareceu.

Já o Império Romano do Oriente fez o contrário: virou uma das maiores potências do Mediterrâneo e continuou forte por séculos. Um motivo importante foi o fortalecimento da administração local desde 330, quando Constantinopla foi inaugurada.

O Império Bizantino foi um elo entre o Oriente e o Ocidente. Ele abrigou milhões de pessoas de diferentes etnias e guardou a herança política do antigo Império Romano, até ser dominado pelos turco-otomanos em 1453.

Exemplos

  • Pergunta de prova: Por que o Império do Oriente sobreviveu e o do Ocidente não? Resposta: o Oriente tinha uma administração local forte, uma capital bem localizada e rica (Constantinopla) e muito comércio; o Ocidente sofreu invasões, perdeu o comércio e se fragmentou em reinos.

3Expansão e retração territorial

O Império Bizantino nem sempre teve o mesmo tamanho. Ele cresceu e depois encolheu.

No século VI, o imperador Justiniano tinha um sonho: reconstruir o antigo Império Romano. Para isso, ele fez muitas guerras e conquistou boa parte do norte da África (que estava com os vândalos), a Península Itálica (com os ostrogodos) e o sul da Península Ibérica (com os visigodos).

Com essas conquistas, o império chegou à sua maior extensão e viveu seu período de maior esplendor, ou seja, de maior brilho e riqueza.

Mas isso não durou. Já no século VII o império perdeu boa parte do que tinha conquistado. E no século VIII, depois de novas derrotas, sobraram só a Ásia Menor e a Península Balcânica.

Exemplos

  • Passo a passo da história do território: 1) Século VI — Justiniano conquista norte da África, Itália e sul da Ibéria (tamanho máximo). 2) Século VII — perde grande parte dessas conquistas. 3) Século VIII — fica só com a Ásia Menor e a Península Balcânica.

Conquistas de Justiniano (século VI)

Região conquistadaPovo que dominava antes
Norte da ÁfricaVândalos
Península ItálicaOstrogodos
Sul da Península IbéricaVisigodos

4Poder comercial

O Império Bizantino ficou rico principalmente por causa do comércio. E o segredo foi a localização.

Constantinopla ficava no cruzamento das estradas terrestres que ligavam a Europa à Ásia. Ao mesmo tempo, ficava na passagem marítima que ligava o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro. Por essas águas passavam até produtos vindos da África, depois de atravessarem o Egito.

Comerciantes do mundo todo passavam por lá. Eles podiam ficar no máximo três meses na cidade e tinham que se hospedar em um alojamento oficial chamado mitaton.

Tudo o que entrava e saía era controlado por agentes do império, que cobravam impostos dos comerciantes. Assim o império ganhava dinheiro.

Exemplos

  • Exemplo de um dia no mercado de Constantinopla: um mercador da China vendia seda; outro trazia especiarias do Egito; um grego oferecia vinho; um italiano, azeite; e um russo, peles. Em todas essas vendas, agentes do imperador cobravam impostos.

Produtos que circulavam em Constantinopla

ProdutoOrigem
EspeciariasEgito
SedaChina
VinhoGrécia
AzeitePenínsula Itálica
PelesRússia
Pedras preciosas, perfumes, cerâmicas, ouro, prata e metais (cobre, ferro, estanho, chumbo)Vários lugares

Por que Constantinopla era tão boa para o comércio?

VantagemExplicação
Posição entre dois continentesLigava Europa e Ásia por terra
Posição entre dois maresLigava o Mediterrâneo ao Mar Negro
Portos nas cidades litorâneasRecebiam a maior parte das mercadorias
Controle do EstadoAgentes cobravam impostos e organizavam as trocas

4.1O declínio a partir de 1204

Constantinopla foi um dos maiores centros do comércio mundial até o início do século XIII.

Em 1204, a cidade foi invadida por cavaleiros cristãos. O objetivo inicial deles era conquistar Jerusalém, que estava sob domínio dos muçulmanos. Mas, no meio do caminho, a expedição mudou de planos e atacou Constantinopla.

Durante três dias a cidade foi saqueada (roubada) e sua população foi massacrada. Esse episódio marcou o início do declínio da cidade.

Exemplos

  • Pergunta de prova: Que fato marcou o início do declínio de Constantinopla em 1204? Resposta: a invasão e o saque da cidade por cavaleiros cristãos das Cruzadas, que abandonaram o plano de conquistar Jerusalém e atacaram a capital bizantina.

5Estrutura política e jurídica

O Império Bizantino era uma autocracia absoluta. Autocracia quer dizer que o poder fica todo nas mãos de uma só pessoa. Nesse caso, o imperador, chamado de basileu (que significa rei em grego).

O imperador mandava em tudo: comandava as forças armadas, controlava as leis, decidia os impostos e nomeava ou demitia quem quisesse. Ele tinha apenas um pequeno conselho para ajudar em questões do dia a dia.

A monarquia bizantina era considerada de direito divino. Isso quer dizer que, para o povo, o imperador tinha sido escolhido por Deus para governar.

Por causa disso, os artistas pintavam o imperador e a imperatriz com uma auréola (um círculo de luz em volta da cabeça), dando a eles um caráter sagrado.

Exemplos

  • Como reconhecer um imperador bizantino numa imagem: 1) ele aparece sobre fundo dourado; 2) tem auréola na cabeça; 3) usa coroa e roupas ricas; 4) os pés tocam o chão, mostrando que, apesar de sagrado, ele é humano.

Poderes do basileu (imperador bizantino)

ÁreaO que ele fazia
MilitarEra o comandante das forças armadas
LeisControlava a legislação
EconomiaFixava taxas e impostos
CargosNomeava e destituía funcionários
ReligiãoControlava a Igreja e escolhia o patriarca

5.1O Código de Justiniano

O imperador Justiniano governou entre 527 e 565. Ele mandou dez juristas (especialistas em leis) reunirem os principais preceitos do Direito romano em um só lugar.

Esse trabalho ficou pronto em 529 e ficou conhecido como Código de Justiniano. Ele juntava a legislação romana desde o imperador Adriano (século II) até o século VI.

Justiniano também reformou as escolas de Direito e mandou fazer um manual sobre a legislação bizantina. Depois, outras leis foram acrescentadas.

Esse código foi a base do Direito europeu por séculos e ainda hoje é o fundamento de muitas leis do mundo ocidental. Por isso dizemos que ele é um exemplo de permanência histórica: algo do passado que continua existindo até hoje.

Exemplos

  • Pergunta de prova: Por que o Código de Justiniano é um exemplo de permanência histórica? Resposta: porque foi feito no século VI, mas suas ideias continuaram sendo usadas por séculos e ainda são base de muitas leis atuais do mundo ocidental.

Ficha do Código de Justiniano

ItemInformação
Quem mandou fazerImperador Justiniano (governou de 527 a 565)
Quem fezDez juristas
Quando ficou pronto529
O que reuniaLeis romanas desde Adriano (séc. II) até o séc. VI
Importância hojeBase do Direito europeu e de muitas leis ocidentais

5.2Zoom: Constantino e Helena

Constantino tornou-se imperador de Roma em 306, quando o império estava dividido em quatro territórios, cada um com um soberano. Depois de guerras civis, em 324 ele unificou tudo e virou o único imperador romano, até morrer em 337.

Ele é conhecido como o primeiro imperador cristão de Roma. Foi ele quem mandou construir Constantinopla para ser a nova capital. Por isso, muitos o consideram o primeiro imperador do Império Romano do Oriente — mesmo que a divisão definitiva só tenha acontecido em 395, décadas após sua morte.

Em uma pintura do museu Benaki, em Atenas, Constantino aparece ao lado de sua mãe, Helena. Os dois têm auréola (sinal de santidade) e seguram uma cruz dupla, símbolo dos patriarcas bizantinos. Helena se converteu ao cristianismo e, segundo algumas fontes, ajudou muito na conversão do filho.

Exemplos

  • Detalhes da pintura e seus significados: fundo dourado = grandeza e sagrado; auréola = caráter santo; cruz dupla = ligação com os patriarcas; pés no chão = mostra que eram humanos.

6A Igreja Bizantina

No Império Bizantino, o imperador não mandava só na política. Ele também mandava na Igreja.

O maior líder religioso bizantino era o patriarca. Mas o poder do imperador estava acima do patriarca. Essa união entre Igreja e Estado, com o imperador mandando nos dois, é chamada de cesaropapismo (junção de César, o chefe político, com papa, o chefe religioso).

O imperador era chamado para decidir questões sobre dogmas (pontos essenciais da crença) e escolhia quem seria o patriarca de Constantinopla. Houve até um imperador que depôs (tirou do cargo) o patriarca porque ele foi contra seu quarto casamento. E houve imperadores que nomearam os próprios filhos como patriarcas.

O patriarca bizantino chegava a rivalizar com o papa, líder da Igreja de Roma. Às vezes a briga era tão grande que os dois se excomungavam mutuamente — ou seja, cada um expulsava o outro da comunidade de fiéis.

Exemplos

  • Exemplo de cesaropapismo: o imperador decide quem será o patriarca de Constantinopla e ainda opina sobre questões de fé. Ou seja, quem manda na religião é o chefe do governo.

Vocabulário importante

PalavraSignificado
BasileuTítulo do imperador bizantino (rei, em grego)
PatriarcaPrincipal líder da Igreja Bizantina
CesaropapismoSistema em que o imperador manda também na Igreja
DogmaPonto essencial da crença religiosa
ExcomunhãoMaior punição da Igreja: o fiel é excluído da comunidade
ConcílioReunião de líderes religiosos para discutir questões de fé

6.1O Cisma do Oriente (1054)

A tensão entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla cresceu tanto que, em 1054, as duas se separaram para sempre. Esse episódio é chamado de Cisma do Oriente (cisma significa separação).

No começo, bizantinos e romanos acreditavam em quase as mesmas coisas. Mas as diferenças foram aparecendo. A maior delas era sobre quem tinha a autoridade máxima do cristianismo.

Para os romanos, essa autoridade era o papa, chefe da Igreja de Roma. Eles também eram contra o cesaropapismo. Já os bizantinos respeitavam o papa, mas não aceitavam que ele mandasse em todas as igrejas — para eles, só Jesus Cristo teve essa autoridade.

No século XI, os romanos deram ao papa e à Igreja poderes temporais (poder político, sobre coisas do mundo) para enfrentar reis e imperadores. Os bizantinos não concordaram.

Resultado: a Igreja se dividiu em Igreja Ortodoxa Grega, no Oriente, liderada pelo patriarca, e Igreja Católica Apostólica Romana, no Ocidente, liderada pelo papa. As duas existem até hoje.

Exemplos

  • Duas razões para o Cisma (resposta de prova): 1) os bizantinos não aceitavam o papa como autoridade máxima de todas as igrejas; 2) os romanos eram contra o cesaropapismo e ainda deram poderes políticos (temporais) ao papa no século XI, o que os bizantinos rejeitavam.

Comparando as duas Igrejas depois de 1054

AspectoIgreja Ortodoxa GregaIgreja Católica Apostólica Romana
RegiãoOrienteOcidente
LíderPatriarcaPapa
Autoridade máxima do cristianismoSomente Jesus CristoO papa
CesaropapismoAceitavaEra contra
Sede principalConstantinoplaRoma

Linha do tempo dos conflitos religiosos

AnoAcontecimento
1054Cisma do Oriente: separação definitiva das duas Igrejas
1204Cruzados cristãos invadem e saqueiam Constantinopla, inclusive Santa Sofia
1438Concílio tenta reunificar as Igrejas, mas os ortodoxos não aceitam

7Guardião da cultura grega

Um dos aspectos mais importantes do Império Bizantino foi o culto ao passado: ele guardou e espalhou o saber clássico, principalmente o da cultura grega.

O idioma oficial do império era o grego, e não o latim. Os bizantinos se preocuparam muito em preservar o conhecimento dos antigos filósofos, escritores e cientistas gregos.

Em Constantinopla nasceu uma tradição de estudo da cultura grega que durou séculos. A Universidade de Constantinopla foi fundada em 425 pelo imperador Teodósio II e ficou ativa até o século XV.

No século IX, a universidade foi renovada e o estudo dos textos clássicos aumentou. Os bizantinos passaram a copiar cada vez mais manuscritos da Grécia Antiga. No século X, produziram uma coletânea de leis gregas inspirada no Código de Justiniano. No século XI, o imperador Constantino IX Monomachos criou cursos de Direito e Filosofia na universidade.

Segundo o historiador Mikaël Nichanian, quem quisesse ocupar um cargo alto no governo ou na Igreja precisava conhecer muito bem as disciplinas dos antigos gregos.

Esse trabalho de cópia e estudo salvou muitos textos gregos, que chegaram até os dias de hoje. Por isso, o período do século IX ao XI é chamado de renascimento cultural bizantino. Isso não quer dizer que antes não havia cultura: os bizantinos produziam arte, religião e conhecimento desde o começo do império.

Exemplos

  • Pergunta de prova: Como os bizantinos ajudaram a preservar a cultura grega? Resposta: adotaram o grego como língua oficial, mantiveram a Universidade de Constantinopla, copiaram manuscritos da Grécia Antiga e exigiam o estudo das disciplinas gregas de quem queria cargos importantes.

Disciplinas gregas estudadas pelos bizantinos

Disciplinas
Gramática
Retórica
Lógica
Aritmética
Astronomia
Geometria
Música

Marcos da cultura bizantina

ÉpocaAcontecimento
425Fundação da Universidade de Constantinopla por Teodósio II
Século IXRenovação da universidade e cópia intensa de manuscritos gregos
Século XColetânea de leis gregas inspirada no Código de Justiniano
Século XIConstantino IX cria cursos de Direito e Filosofia
Séculos IX a XIRenascimento cultural bizantino

7.1A arte bizantina: mosaicos e a Basílica de Santa Sofia

O mosaico foi uma das técnicas mais características da arte bizantina. É um desenho feito com muitos pedacinhos coloridos (de pedra, vidro ou cerâmica) juntados como um quebra-cabeça. Eles ficavam principalmente nas paredes e abóbadas (tetos curvos) das igrejas.

A Basílica de Santa Sofia, em Constantinopla, foi erguida no século VI e é o maior símbolo da arte bizantina, com colunas de mármore, mosaicos coloridos e ícones (imagens sagradas).

Em 1204, durante as Cruzadas, ela foi saqueada pelos cristãos do Ocidente. Depois, com a invasão dos turco-otomanos em 1453, Santa Sofia foi convertida em mesquita (templo muçulmano) e ganhou quatro minaretes, torres usadas para chamar os fiéis à oração.

Um mosaico famoso de Santa Sofia, feito no século XI, mostra Jesus Cristo no centro, o imperador Constantino IX Monomachos à esquerda e a imperatriz Zoe à direita. Isso mostra que, para os bizantinos, o poder político e o poder religioso andavam juntos: o imperador aparece ao lado de Cristo, como se tivesse sido escolhido por Deus.

Exemplos

  • Analisando o mosaico de Santa Sofia: Cristo no centro = autoridade máxima; imperador e imperatriz ao lado dele = poder vindo de Deus; todos com auréola = caráter sagrado. Conclusão: no Império Bizantino, política e religião estavam unidas (cesaropapismo).

7.2A Questão Iconoclasta (século VIII)

No século VIII houve um grande conflito entre cristãos bizantinos: a Questão Iconoclasta. A palavra iconoclasta vem do grego e significa aquele que destrói imagens.

De um lado estavam os que defendiam o uso de imagens de santos nos cultos. Do outro, os que eram contra e diziam que cultuar imagens era condenado pela Bíblia.

O imperador Leão III chegou a proibir o culto às imagens. Com isso, entrou em conflito com os monges, que produziam esses objetos e ganhavam dinheiro com a venda deles.

Dois documentos mostram os dois lados. O Documento 1, de 754, feito pela Igreja Bizantina, diz que pintar santos é blasfêmia (ofensa à religião) e cita a Bíblia: 'Não farás nenhuma imagem esculpida'. Já o Documento 2, do Segundo Concílio de Niceia (787), sob o comando da imperatriz Irene, diz o contrário: as imagens devem ser consagradas e estimadas, pois 'aquele que adora uma imagem adora o que nela está representado'.

Exemplos

  • Comparando os dois documentos passo a passo: 1) Documento 1 (754) — CONTRA as imagens, chama de blasfêmia. 2) Documento 2 (787) — A FAVOR das imagens, diz que quem adora a imagem adora quem ela representa. 3) Conclusão: em pouco mais de 30 anos a posição oficial mudou completamente.

Os dois lados da Questão Iconoclasta

DocumentoAnoPosiçãoArgumento
Documento 1 (Igreja Bizantina)754Contra as imagensPintar santos é blasfêmia; a Bíblia diz 'Não farás nenhuma imagem esculpida'
Documento 2 (2º Concílio de Niceia, imperatriz Irene)787A favor das imagensQuem adora a imagem adora quem está representado nela

8Enquanto isso… A Dinastia Song na China

Enquanto o Império Bizantino vivia seu renascimento cultural, do outro lado do mundo a China era governada pela Dinastia Song, entre 960 e 1279.

Quando os Song chegaram ao poder, a China estava dividida em vários reinos. Eles reunificaram tudo sob um único governo.

Nesses trezentos anos, os chineses criaram o dinheiro de papel, fizeram novas armas (inclusive uma que usava pólvora para lançar flechas) e inventaram uma forma de impressão com tipos móveis de argila cozida, o que facilitou muito a produção de livros.

A Dinastia Song acabou quando a China foi invadida e dominada pelos mongóis, pastores vindos das estepes da Ásia Central, liderados por Kublai Khan.

Exemplos

  • Comparação de datas: por volta do ano 1000, os bizantinos copiavam manuscritos à mão em Constantinopla, enquanto os chineses já imprimiam livros com tipos móveis de argila.

Invenções da Dinastia Song (960–1279)

InvençãoPara que servia
Dinheiro de papelFacilitar o comércio
Arma com pólvoraLançar flechas na guerra
Tipos móveis de argila cozidaImprimir livros com facilidade

9Resumo final e linha do tempo

Neste capítulo você estudou as origens e as características do Império Bizantino, a importância do comércio, a política e o direito, o papel da Igreja Bizantina e o Cisma do Oriente, além da cultura bizantina e da preservação da herança grega.

Guarde as ideias-chave: o Império Bizantino nasceu da divisão do Império Romano em 395, teve Constantinopla como capital, durou mais de mil anos e foi uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.

Seu fim veio em 1453, com a conquista pelos turco-otomanos. Mas seu legado continua: o Código de Justiniano nas leis, a Igreja Ortodoxa na religião e os textos gregos que chegaram até nós.

Exemplos

  • Dica de estudo: decore quatro datas-chave — 330 (fundação de Constantinopla), 395 (divisão do Império Romano), 1054 (Cisma do Oriente) e 1453 (queda de Constantinopla).

Linha do tempo do Império Bizantino

DataAcontecimento
Séc. VII a.C.Gregos fundam a cidade de Bizâncio
306–337Governo de Constantino, primeiro imperador cristão de Roma
330Inauguração de Constantinopla
395Teodósio divide o Império Romano em Ocidente e Oriente
425Fundação da Universidade de Constantinopla (Teodósio II)
Séc. VFim do Império Romano do Ocidente
527–565Governo de Justiniano: maior expansão e Código de Justiniano (529)
Séc. VIIIQuestão Iconoclasta e grande perda de território
Séc. IX–XIRenascimento cultural bizantino
1054Cisma do Oriente
1204Cruzados saqueiam Constantinopla; início do declínio
1453Turco-otomanos conquistam Constantinopla; fim do Império Bizantino

Respostas rápidas para as questões de vestibular do capítulo

QuestãoTemaResposta
1 (ESPM)Quem construiu e quem alterou Santa Sofiad) Bizantinos – turco-otomanos
2 (UEG)Religião oficial bizantinac) catolicismo ortodoxo, sob a liderança do patriarca
3 (PUC-PR)Características do impérioa) Maior esplendor sob Justiniano, que codificou as leis romanas
4 (FGV)Motivo da sobrevivência do impérioa) capacidade política de manter o controle, com monarquia absoluta e teocrática
5 (UFRGS)Grande Cisma do Oriented) confronto entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla
6 (UPE)Legado cultural bizantinoe) A Catedral de Santa Sofia sintetiza a tradição artística bizantina com ícones e mosaicos
7 (UPE)Arquitetura de Santa Sofiac) grande riqueza, com mosaicos coloridos e colunas de mármore

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Capítulo 15 — O Império Bizantino

Resumo rápido

Capítulo 15 — O Império Bizantino

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1Bizâncio, Constantinopla e Istambul: a mesma cidade

No século VII a.C., os gregos fundaram a cidade de Bizâncio, às margens do Estreito de Bósforo, entre a Europa e a Ásia.

No século IV, o imperador romano Constantino mandou construir ali uma nova cidade: Constantinopla, inaugurada em 330. Ela virou a capital do Império Romano do Oriente.

Em 1453, os turco-otomanos conquistaram a cidade, que passou a se chamar Istambul (hoje, na Turquia).

2A divisão do Império Romano

Roma ficou tão grande que era muito difícil governar. Havia revoltas, invasões e brigas pelo poder.

Por isso, em 395, o imperador Teodósio dividiu o império em dois e entregou cada parte a um filho: o Império Romano do Ocidente (com Honório) e o Império Romano do Oriente (com Arcádio), cuja capital era Constantinopla.

O Ocidente caiu no século V, depois de muitas invasões. Já o Oriente resistiu e ficou conhecido como Império Bizantino, durando cerca de mil anos, até 1453.

3Expansão e retração territorial

No século VI, o imperador Justiniano sonhava em reconstruir o antigo Império Romano. Ele conquistou o norte da África, a Península Itálica e o sul da Península Ibérica.

Foi o momento de maior extensão e esplendor do império.

Mas essas terras não duraram. No século VII o império já tinha perdido muito, e no século VIII sobrou só a Ásia Menor e a Península Balcânica.

4Poder comercial

Constantinopla ficava num ponto privilegiado: no cruzamento das rotas por terra entre Europa e Ásia e na passagem do mar que liga o Mediterrâneo ao Mar Negro.

Por isso virou um grande centro de comércio, ligando o Oriente ao Ocidente. Mercadores de vários lugares podiam ficar na cidade no máximo três meses, hospedados num alojamento oficial chamado mitaton.

Todo produto que entrava e saía era controlado por agentes que cobravam impostos.

Exemplo

  • Produtos vendidos em Constantinopla: especiarias do Egito, seda da China, vinho da Grécia, azeite da Itália e peles da Rússia.

5O saque de 1204

A cidade começou a decair em 1204, quando cavaleiros cristãos das Cruzadas, que iam conquistar Jerusalém, mudaram de ideia e atacaram Constantinopla.

Durante três dias a cidade foi saqueada e a população, massacrada. Até a Igreja de Santa Sofia foi roubada.

6Estrutura política e jurídica

O império era uma autocracia absoluta: todo o poder ficava nas mãos de uma só pessoa, o imperador, chamado de basileu (que quer dizer rei em grego).

Ele comandava o exército, fazia as leis, definia os impostos e nomeava ou demitia quem quisesse.

A monarquia era de direito divino: o povo acreditava que Deus tinha escolhido o imperador. Por isso os artistas o pintavam com uma auréola (círculo de luz) na cabeça.

6.1O Código de Justiniano

Justiniano governou de 527 a 565. Ele mandou dez juristas reunirem as principais leis do Direito romano.

Esse trabalho ficou pronto em 529 e ficou conhecido como Código de Justiniano. Ele juntava a legislação romana desde o imperador Adriano (século II) até o século VI.

Esse código foi a base do Direito europeu por séculos e ainda hoje inspira muitas leis do mundo ocidental. É um exemplo de permanência histórica.

7A Igreja Bizantina

O líder máximo da Igreja Bizantina era o patriarca. Mas quem mandava de verdade era o imperador: ele escolhia o patriarca e até decidia questões de fé.

Essa união entre Igreja e Estado, com o imperador acima do chefe religioso, chama-se cesaropapismo.

O patriarca de Constantinopla rivalizava com o papa, líder da Igreja de Roma. Às vezes os dois chegaram a se excomungar (excluir o outro da comunidade cristã).

7.1Cisma do Oriente (1054)

As diferenças foram crescendo. Para os romanos, a maior autoridade cristã era o papa; os bizantinos o respeitavam, mas não aceitavam seu poder sobre todas as igrejas — para eles, só Jesus teve essa autoridade. Os romanos também eram contra o cesaropapismo.

Em 1054 aconteceu o Cisma do Oriente (cisma significa separação): o cristianismo se dividiu em Igreja Ortodoxa Grega, no Oriente, liderada pelo patriarca, e Igreja Católica Apostólica Romana, no Ocidente, liderada pelo papa.

As duas Igrejas existem até hoje.

8Guardião da cultura grega

O idioma oficial do império era o grego, e não o latim. Os bizantinos se preocuparam em guardar o conhecimento dos antigos filósofos, escritores e cientistas gregos.

A Universidade de Constantinopla foi fundada em 425 por Teodósio II e funcionou até o século XV. Lá se copiavam manuscritos da Grécia Antiga.

O período do século IX ao XI é chamado de renascimento cultural bizantino. Graças a esse trabalho, muitos textos gregos chegaram até hoje.

Exemplo

  • Para ocupar um cargo importante no governo ou na Igreja era preciso conhecer matérias gregas como Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Astronomia, Geometria e Música.

9Arte bizantina e a Questão Iconoclasta

A arte bizantina ficou famosa pelos mosaicos (desenhos feitos com pedacinhos coloridos) e pelos ícones (imagens sagradas), usados nas paredes e cúpulas das igrejas. O maior símbolo é a Basílica de Santa Sofia, depois transformada em mesquita pelos turco-otomanos.

No século VIII houve a Questão Iconoclasta (iconoclasta = "aquele que destrói imagens"). De um lado estavam os que defendiam o uso de imagens de santos nos cultos; do outro, os que diziam que isso era proibido pela Bíblia.

O imperador Leão III chegou a proibir o culto às imagens, entrando em conflito com os monges, que fabricavam e vendiam esses objetos.

10Resumo das datas-chave

330 – inauguração de Constantinopla. 395 – Teodósio divide o Império Romano. 476 – fim do Império Romano do Ocidente.

527-565 – governo de Justiniano (maior extensão) e 529 – Código de Justiniano. 1054 – Cisma do Oriente.

1204 – saque de Constantinopla pelos cruzados. 1453 – conquista pelos turco-otomanos e fim do Império Bizantino.

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