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Capítulo 16 – O mundo feudal

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Capítulo 16 – O mundo feudal

Resumo completo

Capítulo 16 – O mundo feudal

Resumo completo

1Abertura: o cavaleiro medieval de verdade

Quando pensamos em cavaleiro medieval, logo imaginamos filmes, jogos e histórias com dragões e castelos encantados. Mas o cavaleiro existiu de verdade na Idade Média.

Neste capítulo você vai descobrir como esses guerreiros eram treinados, quais valores seguiam e que lugar ocupavam na sociedade.

Você também vai conhecer os outros grupos daquela época: os senhores feudais, que mandavam nas terras, e os camponeses, que trabalhavam nelas.

Exemplos

  • Exemplo de ficção: o personagem de Dom Quixote, que se imagina cavaleiro e sai em aventuras — bem diferente do cavaleiro real, que lutava em guerras pelo seu senhor.

2Origens e características do feudalismo

Com o fim do Império Romano, no século V, alguns reinos germânicos se formaram, mas quase todos duraram pouco. O poder acabou dividido entre os reis e os senhores de terra da Europa Ocidental.

Essa nova forma de organizar a política, a economia e a sociedade recebeu o nome de feudalismo. Ele nasceu da mistura de elementos romanos e germânicos, começou a se formar no Reino Franco por volta do século VIII e se firmou entre os séculos XI e XIII, principalmente nas terras da França e da Alemanha de hoje.

Guarde as quatro marcas principais do feudalismo: sociedade muito hierarquizada (cada um no seu degrau, sem poder subir), pessoas ligadas umas às outras por suserania e vassalagem, agricultura como atividade principal e poder político dividido entre o rei e os senhores feudais.

Exemplos

  • Exemplo de hierarquia rígida: um filho de camponês nascia camponês e, quase sempre, morria camponês. Não havia como "subir de degrau".
  • Exemplo de poder fragmentado: o rei mandava no reino no papel, mas quem cobrava impostos e julgava as pessoas do lugar era o senhor feudal dono daquelas terras.

As 4 características do feudalismo

AspectoComo era
SocialSociedade rigidamente hierarquizada: alto clero, reis e nobres no topo; camponeses na base
Relações pessoaisLaços de dependência: suserania e vassalagem, difundidos desde Carlos Magno (rei dos francos, 768–814)
EconômicoAgricultura como principal atividade produtiva; feudos autossuficientes
PolíticoPoder fragmentado entre o rei e os senhores feudais

A pirâmide social feudal (do topo para a base)

PosiçãoQuem eraO que fazia
1º (topo)Alto clero (Igreja)Rezava e orientava a vida religiosa
Reis e nobres (grandes senhores de terra e cavaleiros)Governavam, lutavam, protegiam e conquistavam territórios
3º (base)Camponeses (cerca de 80% da população)Trabalhavam a terra, presos ao domínio do senhor feudal

As três ordens da sociedade feudal

OrdemGrupoFrase que a resume
Os que rezamCleroCuidava da fé e da salvação das almas
Os que lutamNobreza (incluindo cavaleiros)Defendia o território com as armas
Os que trabalhamCamponesesProduzia o alimento de todos

2.1Para ir além: como tudo começou (Perry Anderson)

O historiador Perry Anderson explica que a palavra feudum (feudo) passou a ser usada nas últimas décadas do século IX, quando bandos de vikings e magiares atacavam a Europa Ocidental.

Para se proteger, os nobres encheram a França de castelos e fortificações. Esses castelos eram, ao mesmo tempo, proteção e prisão para os camponeses: protegiam dos invasores, mas prendiam as pessoas ao poder do senhor local.

Assim, os camponeses foram caindo numa servidão generalizada, e o sistema feudal se espalhou pela Europa nos duzentos anos seguintes.

Exemplos

  • Magiar: povo que invadiu a Europa Central no século IX e deu origem ao povo húngaro (da Hungria).

3A feudalização e o feudo

A feudalização foi o processo que criou os feudos. Ela nasceu das guerras constantes dos primeiros séculos da Idade Média.

Reis e nobres queriam mais terras e precisavam de guerreiros para seus exércitos. Para atrair esses guerreiros, davam a eles o direito de usar parte de suas terras. Esse direito de uso se chamava feudo.

Os feudos eram as principais unidades produtoras do sistema e eram autossuficientes: produziam quase tudo o que as pessoas precisavam, como trigo, cevada, aveia, centeio, ervilha, feijão, verduras e frutas. O feno também era muito valorizado, pois alimentava os animais no inverno rigoroso.

Exemplos

  • Passo a passo da feudalização: 1) Um rei quer conquistar novas terras. 2) Ele precisa de guerreiros, mas não tem dinheiro para pagá-los. 3) Então cede o direito de uso de uma parte de suas terras (o feudo). 4) O guerreiro aceita, jura fidelidade e passa a lutar por ele.

Nota: os dois sentidos da palavra "feudo"

SentidoExplicação
Sentido originalDireito de posse ou uso de qualquer bem ou atividade cedido por um rei ou nobre (ex.: cobrar impostos, administrar um castelo, aplicar a justiça)
Sentido mais usadoComo a terra era o bem mais valorizado, "feudo" ficou ligado sobretudo à posse da terra

Divisão do feudo em três partes

ParteDe quem era o usoPara que servia
Terras comunaisUso coletivo (senhor feudal e servos)Florestas, bosques e pastos; caça do senhor; lenha, mel, frutas e raízes
Manso servilUso dos camponesesDe onde tiravam o sustento da família; parte da produção ia para o senhor como tributo
Manso senhorialUso exclusivo do senhor feudalOs servos cultivavam essas terras na corveia e entregavam TODA a produção ao senhor

4Suserania e vassalagem

A entrega de um feudo acontecia numa cerimônia de juramento de fidelidade chamada cerimônia de investidura. Nela, o senhor entregava ao novo protegido um objeto que simbolizava a cessão da terra.

Quem tinha o domínio das terras e as cedia era o suserano. Quem recebia o direito de usar a terra era o vassalo. O vassalo prometia fidelidade militar e política, pagava tributos e, em caso de guerra, ajudava com as despesas do exército. Em troca, recebia proteção e o uso da terra.

Ao receber o feudo, o vassalo também virava senhor feudal e podia repassar pedaços de sua terra a outras pessoas. Isso é a subenfeudação. Por isso, um mesmo homem podia ser vassalo de um senhor maior e suserano de senhores menores — e até vassalo de mais de um suserano ao mesmo tempo.

Exemplos

  • Exemplo em cadeia: 1) O rei cede terras ao conde → o rei é suserano, o conde é vassalo. 2) O conde cede parte dessas terras a um cavaleiro → agora o conde é suserano do cavaleiro. 3) Resultado: o conde é, ao mesmo tempo, vassalo do rei e suserano do cavaleiro.
  • Exemplo histórico da imagem do livro: o juramento de fidelidade de vassalos a Jaime I, rei de Aragão, no século XIII.

Suserano x Vassalo

Quem éO que ofereceO que recebe
SuseranoA terra (o feudo) e proteçãoFidelidade militar e política, tributos e ajuda na guerra
VassaloFidelidade, serviços, tributos e apoio militarO direito de usar a terra e a proteção do suserano

5Vestígios históricos: o que sabemos sobre cada grupo

No topo da sociedade ficavam os altos representantes da Igreja Católica, seguidos de reis e nobres. Eles eram minoria: cerca de 80% da população era formada por camponeses pobres.

Mesmo assim, sabemos muito mais sobre a elite do que sobre os camponeses. Isso acontece porque quase todos os documentos escritos da época falam do grupo privilegiado, e quem escrevia fazia parte dele.

A maioria dos camponeses era analfabeta. Por isso os historiadores estudam outros vestígios: ilustrações e achados arqueológicos, como ferramentas de trabalho, roupas e objetos de uso pessoal.

Exemplos

  • Exemplo de vestígio: uma enxada enferrujada encontrada por arqueólogos mostra como era o trabalho no campo, mesmo sem nenhum texto escrito por camponeses.

6O senhor feudal e o castelo

A primeira preocupação de quem virava senhor feudal era construir um castelo. Ele era a casa da família, dos oficiais e dos criados — e também uma fortaleza.

O castelo mostrava poder: quanto mais imponente, maior o prestígio do dono. Por isso era erguido em lugares altos e de difícil acesso, cercado por muralhas e fossos, para dificultar invasões.

Em geral, era a esposa do senhor feudal que cuidava do trabalho no castelo: garantia comida e roupas e dirigia os funcionários. Quando o marido viajava ou ia à guerra, ela assumia toda a administração.

O senhor tinha a missão de manter a paz em seus domínios. Todos que viviam no feudo obedeciam às suas regras e pagavam seus impostos, e era ele quem aplicava a justiça: as punições iam de multas pesadas a mutilações e até à morte.

Exemplos

  • Exemplo real: o Castelo de Eltz, na Alemanha (Renânia-Palatinado), fica a 280 metros de altitude, perto do Rio Mosela. É um dos poucos castelos da Europa que nunca foi tomado nem destruído.
  • Exemplo de origem das cidades: os camponeses construíam casas em volta do castelo; com o tempo, esses agrupamentos viraram centros urbanos. Em caso de ataque, o senhor deixava que se refugiassem dentro das muralhas.

6.1Zoom: por dentro do castelo

Os castelos são construções típicas do Período Medieval. Os primeiros surgiram por volta do ano 1000 e eram de madeira; só no século XII virou comum construí-los de pedra.

Eles eram autossuficientes: dentro das muralhas havia espaços para tudo o que era necessário para viver e resistir a um cerco.

Por volta do século XV, quando o poder na Europa se unificou em torno do rei, os castelos deixaram de ser construídos — pois não simbolizavam mais o poder dos senhores.

Exemplos

  • Curiosidade: as latrinas (banheiros simples) eram de uso comunitário e os resíduos caíam no fosso cheio de água que contornava o castelo.

Espaços do castelo e suas funções

EspaçoPara que servia
Torre de homenagemTorre principal e símbolo do poder; precisava ficar bem protegida
Sala do tronoPrincipal cômodo; o senhor dava ordens e recebia hóspedes importantes
Sala do tesouroGuardava as riquezas; ficava na parte inferior da torre principal
CapelaOnde se celebravam os ofícios religiosos
Forno de pãoProduzia o pão que alimentava os moradores
ForjaFabricava ferramentas e armas de ferro
CisternaGarantia o abastecimento de água
Muralhas e torres de vigilânciaImpediam invasões e serviam para defesa e artilharia
Ponte levadiçaÚnico acesso ao interior, ladeada por duas torres altas
MasmorrasCompartimento subterrâneo para onde iam os prisioneiros
LatrinasBanheiros comunitários; resíduos jogados no fosso

7O cavaleiro medieval

Os senhores feudais mantinham por perto homens de armas: os cavaleiros. Eles participavam de campanhas militares para conquistar territórios e saquear os povos derrotados.

No começo, muitos cavaleiros eram camponeses. Entrar no exército era uma chance de ascensão social para os mais humildes. Mas, no século XII, com a sociedade cada vez mais militarizada, a cavalaria ganhou prestígio e se ligou à nobreza. A partir daí, pobres não puderam mais virar cavaleiros.

Isso aconteceu também porque o combatente precisava ter cavalo e equipamento próprio: cota de malha, elmo, escudo, espada e lança — tudo isso podia pesar até 30 quilos.

O treino começava cedo. O aprendiz começava como escudeiro de um cavaleiro mais velho, quase sempre um parente (como um tio). Ele polia as armas, cuidava dos cavalos, servia o cavaleiro à mesa e o ajudava nos combates; treinava e participava de torneios que imitavam batalhas reais.

Exemplos

  • Valores (princípios éticos) do cavaleiro: culto à coragem e ao heroísmo, respeito à palavra dada, bravura e a regra de poupar a vida de um homem desarmado ou caído no chão.
  • Detalhe importante: a sobrevivência do cavaleiro dependia do cavalo. Se perdesse a montaria no meio da batalha, a morte era quase certa.

O cavaleiro antes e depois do século XII

PeríodoQuem podia ser cavaleiroSignificado social
Antes do século XIIMuitas vezes camponesesChance de ascensão social para os humildes
A partir do século XIISomente quem tinha cavalo e equipamento (nobres)A cavalaria ganha prestígio e se associa à nobreza

As virtudes do cavaleiro na iluminura de 1260

Parte do equipamentoVirtude representada
CapaceteEsperança na alegria futura
Cota de malhaCaridade, amor
Escudo
EspadaPalavra de Deus
LançaPerseverança
Bandeira ou estandarteDesejo do reino celeste
RédeasDiscrição
SelaReligião cristã
Pano de selaHumildade
CalcanharDisciplina
CavaloBoa vontade
EstriboPropósito de realizar boas ações
FerradurasPrazer, consenso, boas obras e hábito

7.1Enquanto isso... o poder dos samurais (Japão)

Os samurais eram guerreiros importantes do Japão. Suas origens vêm do século VIII, quando atuavam como coletores de impostos para o imperador, enfrentando quem se recusava a pagar.

No século X, o poder do imperador começou a diminuir e passou aos donos de terra. Os samurais viraram os principais guerreiros dos chefes de clã, que disputavam territórios entre si — e lutavam esperando receber terras em troca.

No século XVI, com o Japão unificado, o ofício de samurai virou título hereditário (passado de pai para filho). Eles formaram uma espécie de nobreza militar e passaram também a atuar como gestores na administração pública.

Exemplos

  • Semelhança com o cavaleiro europeu: os dois eram guerreiros a serviço de um senhor de terras e recebiam terras (ou o uso delas) como recompensa.

Cavaleiro medieval x Samurai

AspectoCavaleiro (Europa)Samurai (Japão)
OrigemHomens de armas dos senhores feudaisColetores de impostos do imperador (século VIII)
A quem serviaAo senhor feudal / suseranoAo imperador e, depois, aos chefes de clã
RecompensaFeudo, proteção e prestígioPromessa de receber terras
EvoluçãoLigou-se à nobreza no século XIIVirou título hereditário no século XVI

8Casamento na nobreza feudal

As grandes famílias da nobreza, chamadas de linhagens, eram donas de enormes extensões de terra. A maior preocupação delas era não perder nem dividir esse patrimônio.

Por isso, o casamento virou uma estratégia: servia para manter e até ampliar os domínios da família. Os noivos representavam interesses econômicos e políticos, e os sentimentos deles quase não contavam. Muitos casamentos eram arranjados quando os filhos ainda eram crianças.

Uma opção comum era casar com alguém de outra família nobre, fortalecendo as duas linhagens. Outra era o casamento entre parentes, como primos, para manter o poder dentro da mesma família.

Exemplos

  • Exemplo histórico: o casamento de Eleonor, duquesa de Aquitânia, com Luís VII, rei da França, em 1137. A França ampliou sua influência sobre as terras de Eleonor e, em troca, o rei jurou protegê-la, pois ela era a única herdeira das terras do pai.
  • O que acontecia com quem não casava: • Filhas sem noivo satisfatório → entravam em um convento e seguiam a vida religiosa. • Filhos homens (não primogênitos) → viravam cavaleiros, vassalos do irmão mais velho ou membros do clero.

Estratégias de casamento da nobreza

EstratégiaObjetivo
Casar com outra família nobreFortalecer as duas linhagens e seus patrimônios
Casar entre parentes (primos)Manter o poder e a terra dentro da própria família
Arranjar casamento na infânciaGarantir alianças com antecedência
Enviar a filha ao conventoSaída para quem não achava um noivo à altura
Filho mais velho (primogênito)Recebia a herança; seu casamento era o mais importante

9Os camponeses

Os camponeses viviam e trabalhavam nos mansos servis, as partes da terra do senhor destinadas a eles.

As mulheres cuidavam de todas as tarefas da casa, incluindo o gado e a produção de leite. Também faziam o pão e a cerveja do dia a dia e confeccionavam as roupas.

Os homens passavam o dia no campo: lavravam, semeavam e colhiam. A jornada começava ao amanhecer e era regulada pelo Sol — mais longa no verão e mais curta no inverno. Outros trabalhadores do campo, como ferreiros, carpinteiros e fabricantes de rodas, também ajudavam na colheita.

As casas eram feitas de madeira, pedra ou barro, com telhado de palha ou de feixes de juncos. Tinham mobília simples e basicamente dois cômodos (um quarto e uma sala), além de uma dependência para o gado. No quintal criavam porcos, galinhas e abelhas.

Exemplos

  • A casa camponesa da ilustração do livro tem: compartimento principal, cama, estoque de alimentos, estábulo (para o gado) e esgoto.

Divisão do trabalho na família camponesa

QuemOnde trabalhavaO que fazia
MulheresNa casa e ao redor delaTarefas domésticas, cuidado do gado, produção de leite, pão, cerveja e roupas
HomensNo campoLavrar, semear e colher, do amanhecer até o pôr do sol

9.1Os servos

Os camponeses se dividiam em dois grupos: os servos e os vilões.

Os servos eram descendentes de pessoas que abandonaram as cidades e foram para o campo na crise do Império Romano, entre os séculos IV e V. Lá, passaram a viver sob a proteção dos grandes donos de terra, e essa situação se repetiu nos filhos e netos.

O senhor feudal cedia ao servo um pedaço de terra para ele cultivar seu alimento. Em troca, o servo entregava parte da colheita e prestava serviços.

Mas atenção: o servo não era plenamente livre — estava preso à terra. Se aquela terra mudasse de dono, o servo passava a obedecer ao novo senhor. (Servo não é o mesmo que escravizado: ele não era vendido nem expulso da propriedade.)

Exemplos

  • Exemplo de obrigação na prática (texto do IFSP): em 24 de junho, dia de São João, os camponeses de Verson colhiam os frutos dos campos do senhor e os levavam ao castelo; em agosto, colhiam o trigo, também entregue ao senhor. Só podiam recolher o próprio trigo depois que o senhor tirasse a parte dele.

Obrigações e impostos do servo

NomeO que era
CorveiaTrabalho gratuito de alguns dias para o senhor no manso senhorial (cultivar terras, conservar estradas, manter o castelo)
TalhaEntrega ao senhor de tudo o que sobrava da produção, além do necessário para a própria subsistência
BanalidadeTaxa para usar as instalações do feudo, como moinhos e fornos
CapitaçãoImposto pago anualmente por cada membro da família (per capita)
Mão-mortaImposto pago pela família servil para continuar no feudo quando o patriarca morria
Tostão de Pedro (dízimo)Pagamento de 10% da produção à Igreja
AlbergagemObrigação de hospedar o senhor feudal quando ele viajava por seus domínios

9.2Os vilões

Os vilões eram camponeses livres que, no passado, tinham sido pequenos proprietários de terra.

Como faltava segurança na época das invasões, eles preferiram entregar suas terras ao senhor feudal em troca de proteção. Receberam autorização para continuar trabalhando e cultivando nelas.

Assim como os servos, os vilões deviam tributos e obrigações ao senhor. E a liberdade deles não era total: o senhor podia julgar e castigar todos que viviam em suas terras, exigir os alimentos produzidos, obrigá-los a servir no exército e até confiscar sua casa e seus bens.

Exemplos

  • Como um camponês virava vilão: 1) Ele tinha um pequeno pedaço de terra próprio. 2) Invasores ameaçavam a região e ele não tinha como se defender. 3) Ele entregava a terra ao senhor feudal em troca de proteção. 4) Continuava cultivando a mesma terra, mas agora pagando tributos ao senhor.

Servos x Vilões

AspectoServosVilões
OrigemDescendentes de quem fugiu das cidades na crise romana (séc. IV–V)Ex-pequenos proprietários de terra
CondiçãoNão eram plenamente livres; presos à terraEram livres, mas sem liberdade plena
Se a terra muda de donoPassavam a servir ao novo senhorContinuavam cultivando suas antigas terras
ObrigaçõesCorveia, talha, banalidade, capitação, mão-morta, dízimo, albergagemTambém pagavam tributos e obrigações ao senhor
Podiam ser vendidos?Não podiam ser negociados nem expulsos da propriedadePodiam ter casa e bens confiscados pelo senhor

9.3E os escravizados?

Além de servos e vilões, também havia escravizados entre os camponeses. A escravidão foi mais forte nos primeiros séculos da Idade Média, com apogeu entre os séculos VI e VII.

A partir do século IX, ficaram mais comuns os casamentos entre pessoas livres e pessoas escravizadas. Ao mesmo tempo, os avanços técnicos no campo reduziram a necessidade de muita mão de obra escrava.

Some-se a isso a resistência dos escravizados, com rebeliões e fugas. Por tudo isso, por volta do ano 1000 a escravidão praticamente não existia mais no mundo feudal.

Exemplos

  • Resumo das 3 causas do fim da escravidão no mundo feudal: 1) Casamentos entre livres e escravizados (a partir do século IX). 2) Avanços técnicos no campo, que exigiam menos mão de obra. 3) Resistência dos escravizados (rebeliões e fugas).

10Avanços tecnológicos na agricultura

Durante o Período Medieval, várias invenções permitiram um grande salto na produção de alimentos na Europa.

Uma novidade foi a rotação trienal: os camponeses dividiam o terreno em três partes. A cada ano, uma delas "descansava" (não era plantada); em outra plantava-se um produto colhido no inverno (como o trigo); e na terceira, um produto colhido na primavera (como a aveia).

Esse método, junto com os adubos naturais, aumentou muito a colheita. O estrume de carneiro era tão valorizado que tinha preço cotado em ouro.

Outras invenções importantes foram a ferradura (que protegia os cascos dos cavalos e permitiu usar tração animal), a charrua de ferro (um arado puxado por cavalos e bois, que revolvia muito mais terra que o arado de madeira) e os moinhos de vento e de água, usados para moer cereais — um único moinho substituía a força de quarenta pessoas!

Exemplos

  • Exemplo da rotação trienal em 3 anos (campos A, B e C): Ano 1 → A: trigo (inverno) | B: aveia (primavera) | C: descansa Ano 2 → A: descansa | B: trigo | C: aveia Ano 3 → A: aveia | B: descansa | C: trigo Assim o solo nunca se esgota e há colheita todos os anos.
  • Obra citada: As riquíssimas horas, livro de orações ilustrado pelos irmãos Limbourg para o duque de Berry. Na iluminura do mês de março aparecem camponeses usando a charrua puxada por bois, com o Castelo de Lusignan ao fundo.

Inovações medievais e seus efeitos

InovaçãoO que faziaResultado
Rotação trienalDividia o terreno em 3 partes, deixando uma em descanso a cada anoSolo mais fértil e mais colheitas
Adubos naturaisEstrume de animais usado para enriquecer o soloAumento da produção agrícola
FerraduraProtegia os cascos dos cavalosPermitiu o uso da tração animal no campo
Charrua de ferroArado de ferro puxado por cavalos e boisRevolvia muito mais terra que o arado manual de madeira
Moinhos de vento e de águaMoíam cereaisUm moinho substituía a força de 40 pessoas

11Revisão rápida e gabarito comentado dos exercícios

Aqui está um resumo do que caiu nas questões do capítulo, com as respostas explicadas. Use esta parte para conferir se entendeu tudo.

Lembre-se das palavras-chave que mais aparecem em prova: feudo, suserania e vassalagem, corveia, talha, banalidade, servo e vilão.

E não esqueça: a sociedade feudal era estamental, ou seja, sem mobilidade social — ninguém mudava de ordem.

Exemplos

  • Q1 (IFSP – obrigações servis): resposta d. O servo devia ao senhor a corveia, a talha e as banalidades pelo uso das instalações, além de presentes em datas festivas.
  • Q2 (UTFPR – três ordens): resposta e. As três ordens eram clero, nobreza e camponeses.
  • Q3 (IFSP – trabalhador descrito): resposta c. É o servo feudal, preso à terra, que pagava a talha e a corveia pela proteção recebida.
  • Q4 (IFSP – nobreza feudal): resposta c. A nobreza dedicava-se às atividades militares; o trabalho produtivo cabia aos servos.
  • Q5 (FATEC – charrua, cavalo e rotação): resposta d. O contexto é o feudalismo medieval.
  • Q6 (UNESP – o cavaleiro): resposta b. Era um nobre, com equipamentos de montaria, que participava de treinamentos, torneios e jogos.
  • Q7 (UTFPR – proposições): resposta c (I, II e III). A IV está errada, pois a Igreja tinha grande influência política na época.
  • Q8 (UNESP – cerimônia das mãos): resposta b. É o ritual que estabelece as relações de vassalagem (investidura).
  • Q9 (ESPCEX – atributos do feudalismo): resposta c (I, IV e V). A II está errada (as atividades rurais é que dominavam) e a III também (não havia mobilidade entre as classes).
  • Q10 (UNESP – ruralização e latifúndios): resposta b. O texto trata da fragmentação do poder político central.

Glossário final do capítulo

TermoSignificado
FeudalismoOrganização política, econômica e social da Europa Ocidental na Idade Média
FeudoDireito de uso de uma terra cedida por um rei ou nobre
SuseranoQuem cede o feudo e oferece proteção
VassaloQuem recebe o feudo e jura fidelidade
InvestiduraCerimônia de juramento em que o feudo era entregue
Manso senhorialTerras de uso exclusivo do senhor feudal
Manso servilTerras usadas pelos camponeses para seu sustento
Terras comunaisFlorestas, bosques e pastos de uso coletivo
CorveiaDias de trabalho gratuito para o senhor
TalhaEntrega do excedente da produção ao senhor
BanalidadeTaxa pelo uso de moinhos, fornos e outras instalações
ServoCamponês preso à terra, com muitas obrigações
VilãoCamponês livre que entregou sua terra em troca de proteção
Rotação trienalTécnica de dividir o terreno em três partes, deixando uma em descanso

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Capítulo 16 – O mundo feudal

Resumo rápido

Capítulo 16 – O mundo feudal

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1Origens e características do feudalismo

Depois do fim do Império Romano, no século V, o poder na Europa Ocidental se dividiu entre reis e donos de terras. Essa nova forma de organizar a política, a economia e a sociedade se chama feudalismo.

Ele nasceu da mistura de costumes romanos e germânicos, começou no Reino Franco por volta do século VIII e se firmou entre os séculos XI e XIII, principalmente nas terras da França e da Alemanha de hoje.

Suas marcas principais eram: sociedade hierarquizada (cada grupo tinha um lugar fixo), pessoas ligadas por laços pessoais de fidelidade, agricultura como atividade principal e poder político fragmentado entre o rei e os senhores feudais.

1.1A pirâmide social

No topo ficavam o alto clero (chefes da Igreja), depois os reis e os nobres (grandes donos de terra e cavaleiros).

Na base ficava a maioria: os camponeses, presos à terra e dependentes do senhor feudal. Costuma-se dizer que havia três ordens: os que rezavam, os que lutavam e os que trabalhavam.

Exemplo

  • Cerca de 80% da população da época era formada por camponeses pobres.

2A feudalização e o feudo

Com tantas guerras, reis e nobres precisavam de guerreiros. Para atraí-los, davam a eles o direito de usar parte de suas terras. Esse direito de uso se chamava feudo.

O feudo era a principal unidade de produção e era autossuficiente: produzia quase tudo de que precisava, como trigo, cevada, aveia, feijão, frutas e feno para os animais.

2.1As três partes do feudo

Manso senhorial: terra só do senhor feudal. Os servos trabalhavam nela de graça (corveia) e toda a produção ficava com o senhor.

Manso servil: terras usadas pelos camponeses para sustentar a família. Parte do que produziam ia como tributo ao senhor.

Terras comunais: florestas, bosques e pastos de uso coletivo, de onde se tirava lenha, mel, frutas e onde o senhor caçava.

3Suserania e vassalagem

O feudo era entregue numa cerimônia de juramento de fidelidade chamada cerimônia de investidura. Quem dava a terra era o suserano; quem recebia virava vassalo.

O vassalo prometia fidelidade militar e política, pagava tributos e ajudava nas guerras. Em troca, ganhava proteção e o direito de usar a terra.

Como o vassalo também podia ceder pedaços de seu feudo a outros, uma mesma pessoa podia ser vassalo de um senhor maior e suserano de senhores menores.

Exemplo

  • Na cerimônia, o vassalo ajoelhava e colocava suas mãos juntas nas mãos do senhor, em sinal de submissão.

4O senhor feudal e o castelo

A primeira preocupação de um senhor feudal era construir um castelo: casa da família e também fortaleza. Quanto maior e mais imponente, maior o prestígio do dono.

Os castelos ficavam em lugares altos, cercados por muralhas e fossos. Em caso de ataque, os camponeses da região podiam se abrigar lá dentro.

O senhor mantinha a paz em seus domínios, cobrava impostos e aplicava a justiça, podendo punir com multas, mutilações ou até morte. Quando ele viajava ou ia à guerra, sua esposa administrava o castelo.

Exemplo

  • Os primeiros castelos (por volta do ano 1000) eram de madeira; só no século XII se generalizaram os de pedra.

5O cavaleiro medieval

Os cavaleiros eram homens de armas que lutavam para o senhor feudal, conquistando territórios e saqueando os derrotados. No começo, muitos eram camponeses que subiam de vida assim.

No século XII a cavalaria ganhou prestígio e virou coisa de nobre: era preciso ter cavalo e equipamento (cota de malha, elmo, escudo, espada e lança), que podia pesar até 30 quilos.

O aprendiz começava cedo como escudeiro: cuidava das armas e dos cavalos e treinava em torneios. Aprendia também os valores do grupo: coragem, heroísmo, cumprir a palavra dada e nunca matar um homem desarmado ou caído.

Exemplo

  • Nas iluminuras, cada peça do equipamento virava símbolo: o escudo representava a fé e a espada, a palavra de Deus.

6O casamento entre os nobres

As famílias nobres, chamadas linhagens, não queriam perder nem dividir suas terras. Por isso usavam o casamento como estratégia para manter e aumentar o patrimônio.

Os noivos quase não escolhiam: os casamentos eram arranjados, às vezes ainda na infância, e podiam ser entre parentes, como primos. Quem não casava bem ia para o convento (moças) ou virava cavaleiro, vassalo do irmão mais velho ou membro do clero (rapazes).

Exemplo

  • O casamento de Eleonor da Aquitânia com Luís VII, em 1137, ampliou as terras sob influência da França.

7Os camponeses

Os camponeses viviam nos mansos servis. Os homens trabalhavam no campo do amanhecer ao pôr do sol; as mulheres cuidavam da casa, do gado, do pão, da cerveja e das roupas.

As casas eram simples, de madeira, pedra ou barro, com dois cômodos e um espaço para os animais. Havia dois grupos de camponeses: os servos e os vilões.

7.1Os servos

Descendiam de gente que fugiu das cidades para o campo na crise do Império Romano. Recebiam um pedaço de terra e, em troca, entregavam parte da colheita e prestavam serviços.

Eles não eram livres: estavam presos à terra. Se a terra mudasse de dono, o servo passava a servir ao novo senhor.

7.2Obrigações dos servos

Talha: entrega ao senhor de tudo o que sobrava da produção, além do necessário para viver. Corveia: dias de trabalho gratuito nas terras do senhor. Banalidade: taxa para usar moinho, forno e outras instalações do feudo.

Havia ainda a capitação (imposto por pessoa da família), a mão-morta (pago para continuar no feudo quando o pai morria), o dízimo (10% da produção para a Igreja) e a albergagem (hospedar o senhor em viagem).

7.3Os vilões

Eram camponeses livres que, no passado, tinham pequenas terras. Por medo de ataques, entregaram suas terras ao senhor feudal em troca de proteção, mas continuaram cultivando-as.

Mesmo livres, também pagavam tributos e obedeciam ao senhor, que podia julgá-los, castigá-los e até confiscar seus bens.

7.4E os escravizados?

A escravidão foi forte no começo da Idade Média (auge nos séculos VI e VII). A partir do século IX ela foi acabando: houve casamentos entre livres e escravizados, os avanços técnicos no campo diminuíram a necessidade dessa mão de obra e os próprios escravizados resistiam com fugas e rebeliões.

Por volta do ano 1000, a escravidão praticamente não existia mais no mundo feudal.

8Avanços tecnológicos na agricultura

A rotação trienal dividia a terra em três partes: uma descansava, outra dava um produto colhido no inverno (trigo) e outra um colhido na primavera (aveia). Isso, junto com adubos naturais, aumentou muito a produção.

A invenção da ferradura permitiu usar a força dos cavalos no campo, puxando a charrua de ferro, um arado que revolvia muito mais terra que o de madeira.

Os moinhos de vento e de água passaram a moer cereais: um moinho fazia o trabalho de quarenta pessoas. Com mais comida, a população europeia cresceu a partir do ano 1000.

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